Observando o twitter vejo surgir uma nova espécie pós-moderna de torcedor. O “Amélia”. Lembram daquela que era mulher de verdade, porque aceitava tudo que o marido canastrão fazia? Pois é, ao observar comentários sobre a matéria que escrevi na Tribuna do Norte, do último domingo (2), com dados, processos, números, etc, demonstrando anos de administrações, no mínimo, descuidadas, com as coisas dos principais clubes do Rio Grande do Norte, eis que identifico os “Amélias”. Esses são aqueles que, mesmo diante do óbvio, preferem criar teorias conspiratórias sobre aqueles que querem apenas derrubar seus pujantes clubes. Esquecem que jornalismo não é assessoria de comunicação.

O processo de esclarecimento, de tornar público é o maior benefício da atividade jornalística para que debates sejam realizados, com o objetivo de aperfeiçoamento de relações, gestões, etc. Conhecer é o primeiro passo para evitar novos erros. Fechar os olhos para a realidade não torna o torcedor mais próximo do seu clube, pelo contrário. Quanto maior a participação dos torcedores, maior a fiscalização e menos riscos as agremiações correm. E, do outro lado, o gestor moderno é aquele que deixa claro, através de processos de transparência, tudo que está sendo feito, tomando decisões cada vez mais coletivas e debatidas.

Ao longo dos anos, o que fez as mulheres abrirem os olhos para o fato de que ser “Amélia” não era o ideal foi a educação, a informação, o conhecimento. Conhecer é poder. Por outro lado, os homens, ao menos os que costumam honrar as calças que vestem, utilizam bom senso e o cérebro não apenas para separar as orelhas, começaram a observar em suas companheiras a igualdade. Surge aí o respeito amplo, de parte à parte. Assim deve ser a relação, respeitosa e não submissa. Essa deve ser a relação torcida/clube: Apaixonada, sempre. Fiscalizadora, todos os dias. Alienada, não. “Amélia”, nunca mais.

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