24 de fevereiro de 2010 às 19:13

Economia: A realidade é dura e complexa

Fevereiro termina confirmando e deixando bem claro o que havia comentado no último artigo: este ano será muito volátil.

Como as bolsas por todo o mundo já corrigiram os exageros das quedas de 2008 e começo de 2009 agora é a hora da verdade. Apenas as empresas que mostrarem resultados sólidos manterão a tendência de alta.

Não adianta por a culpa das quedas na China (vide sétimo parágrafo) na Grécia ou qualquer um dos “porcos” (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia, Espanha, “PIIGS” em inglês), pois os que correm risco de “default” (calote) são apenas os dois menores (Grécia e Portugal). Ambos fáceis de socorrer pelo FMI (capitalizado recentemente e fortalecido politicamente) ou União Européia. Aliás, admirei-me nenhum pequeno país ter quebrado ainda em 2009, Islândia e Leste Europeu eram meus favoritos à bancarrota, mas escaparam no limite.

As quedas existem porque exageros devem ser corrigidos, assim como muitas empresas ainda baratas serão valorizadas. O fluxo de investimentos estrangeiros flui de acordo com as expectativas da elevação das taxas de juros das economias desenvolvidas, o que parece ainda distante, devido aos ainda elevados índices de desemprego nos EUA e, principalmente, na Europa.

A falta de consumidores segura a inflação, o que dá mais tempo para os bancos centrais manterem as taxas perto de zero, até porque o monstruoso aumento da dívida destes países faz com que qualquer elevação dos juros amplie ainda mais o déficit de seus orçamentos, hoje verdadeiros delírios que só a contabilidade pública permite.

Obama tem contribuído bastante à sensibilidade do mercado ao pressionar os bancos de todas as formas possíveis para ganhar apoio e popularidade. Pelo visto, voltaremos ao tempo pré-Clinton onde as operações de tesouraria terão sua liberdade restrita para diminuir as especulações de mercado (regra Volcker, conselheiro e ex-presidente do FED). Aliás, isso foi anunciado sem maiores detalhes (mercados enlouquecem com incertezas) e sem a presença do Secretário de Tesouro, contrário a essa medida e tão criticado pela massa ignorante devido aos pacotes de ajuda às instituições financeiras (Geithner será degolado como bode expiatório ou apenas está protestando?). Os grandes executivos dos bancos também vão contribuir para a popularidade do presidente, sendo obrigados a aceitar alguns milhões a menos de remuneração. A cereja do bolo foi o aumento da taxa de redesconto de 0,5 para 0,75% ao ano, mais um arrocho para o bancos pagarem o pouco que ainda resta da ajuda governamental.

Enquanto isso, as cotações das moedas também não definem tendência, entre um Euro fragilizado e um Dólar cada dia menos confiável. O Yen não ajuda muito, pois a economia japonesa há tempos não atrai o mercado. Talvez seja por isso que todos os olhos se voltam para o Yuan Chinês, moeda atrelada ao dólar, num câmbio quase fixo, totalmente artificial.

A moeda chinesa é vista como uma grande carta na manga do governo de Pequim para garantir o controle do crescimento e da inflação. Valorizá-la seria uma forma natural de desaquecimento, exportando inflação para o mundo. Esse tipo de medida para ser cada dia mais inevitável, com uma economia ainda numa velocidade de crescimento insuportável em termos logísticos, ambientais e demais riscos de gerenciamento.

Nosso conforto é que, mesmo arrefecido, dificilmente será menor que 10% este ano e no próximo, garantindo demanda e bons preços de nossos metais, líderes na pauta de exportação e na Bovespa. É o único “driver” (direcionador) econômico externo confiável que temos neste momento.

Para reforçar o otimismo com o preço dos metais, a Eskom, estatal de energia da África do Sul, depois de um aumento de 31% em 2009, anunciou hoje mais 35% de reajuste para este e os próximos 2 anos. Isso irá assegurar maior custo de extração de minérios, além de tender a deixar a moeda mais forte com os juros exigidos para segurar a inflação, elevando assim preços de commodities das quais são líderes mundiais, como ouro, platina, cromo e manganês. Estas duas últimas produzidas e exportadas por aqui também, com destaque para Ferbasa e Vale, respectivamente.

Nosso outro “driver”, o crescimento interno, assim como o chinês, também já começa a preocupar pelo excesso. As empresas de consumo, construção civil, “utilities” (saneamento, energia, etc) e bancos estão caros, com raras exceções. Compulsórios e juros logo subirão, aumentando o custo do crédito para segurar a inflação. O governo deixou tantos investimentos e ampliação de gastos para o ano eleitoral que deu um tiro no pé e verá inflação e aumento de juros na boca da oposição durante a campanha. É o preço de um crescimento perto de 7%.

O mercado diz que não vê diferença entre os candidatos, mas garanto que Aécio como vice de Serra, juntando SP e MG e levando metade do PMDB, PP e PSB juntos trarão alegrias aos pregões de meio de ano. Afinal, Dilma não é Lula, é PT. E nele só vai quem quer “Estado forte”, ou seja, somente os amigos do rei (ou rainha), pois nada mais lucrativo do que as estatais “XBRAS” para os bolsos de todos, vide recente Telebras, agora mais conhecida como “Dirceubras”.

Quem viver verá mais lenha na fogueira e emoção para os mercados.



13 de janeiro de 2010 às 19:04

Investimentos: O que esperar da bolsa em 2010?

Depois de 82% de alta em 2009, com o Ibov recuperando praticamente todas as perdas de 2008, apesar de muita gente ainda estar no prejuízo, como ganhar dinheiro em 2010?

A tendência para o mercado brasileiro continua altista no médio e longo prazo, como venho escrevendo desde agosto, mas neste ano teremos muito mais emoções que o ano passado. Nada de uma subida quase constante como em 2009, mas sim uma ascensão por caminhos tortuosos e atingindo o topo bem antes do final do ano.

A alta de 2009 só corrigiu as perdas anteriores (chegamos próximos de 74mil pontos em maio de 2008) mas traz consigo uma enorme expectativa de lucros que será posta à prova já em fins de janeiro e durante fevereiro com a divulgação dos resultados do quarto trimestre.  As empresas que não atingirem as estimativas de lucro verão suas ações caírem ou andarem de lado.

As projeções para o final do ano variam de 68 a 95mil pontos, depende do banco ou corretora. Minha opinião é que veremos todos estes números durante o ano, mas com uma queda no segundo semestre, cuja intensidade dependerá do tamanho e da velocidade do aumento das taxas de juros por todo o mundo. As economias desenvolvidas estão com custo de capital próximo de zero e isso criou um excesso de liquidez que acaba transbordando para os países emergentes, e, quando esse dinheiro ficar caro, ele terá quer voltar para sua origem. Some juros mais altos com tensão eleitoral e tenha uma pequena ressaca saindo do forno.

Para os juros locais não subirem, teríamos que ter capacidade de suprir a demanda de um crescimento de até 7% este ano e de 5 a 6% em 2011, para não gerar inflação. A má notícia é que não existem suficientes estradas, portos, aeroportos, mão-de-obra qualificada, entre outros. Leiam os artigos econômicos de fins de 2007 e verão todos os gargalos que encontraremos até o fim do ano. Mas, e o PAC? Vai ajudar, em 2012 talvez, se mantiverem essa velocidade. O país está estrangulado porque não sobrou dinheiro para se investir em infra-estrutura, pois ele está indo para a folha de pagamento, cheia de sindicalistas e coligados. Tenho até medo do que pode acontecer com as despesas no desespero de se ganhar uma eleição. As prefeituras já estão de joelhos, com suas verbas congeladas, esperando a boa vontade de quem está com medo de perder o poder. Será que vão pedir apoio em troca? Vale perguntar o óbvio para não ser leviano e torcer pela arrecadação crescer mais que as saídas. O orçamento deve ser respeitado, e a oposição serve para fiscalizar isso, não só para reclamar de tudo e de todos. A boa notícia é que os juros devem subir menos do que estão projetando, pois a tendência do cambio continua de baixa. Essa subida de fim de ano foi uma realização de lucro do Euro, o Real e todas as moedas do mundo somente acompanharam, portanto, foi apenas um movimento técnico, não uma inversão de tendência. Com isso, os importados farão cada vez mais parte de nossas compras, ajudando a segurar a inflação.

Voltando para a bolsa, é importante lembrar que o índice ficou meio “amarrado” por sua ação até então mais líquida, Petrobras PN, ter rendido 61% em 2009 (somente 3/4 do Ibov).  Desde que recomendei a venda em 11/9, subiu somente 10% (de 33 para 36,32); enquanto o índice subiu quase 20% (de 58 para 70mil pontos) e a Ogx Petróleo, 76% (de 11 para 19,4). Inclusive com PETR4 perdendo o posto de maior volume negociado com média de 21 dias em 577 milhões contra 615 milhões da VALE5, que por sinal subiu quase 36% (de 34,15 para 46,4), neste mesmo período. E nada vai mudar enquanto a matemática da mega e desnecessária capitalização e seu formato não ficarem bem claros e forem devidamente executados. Considero Lula um ótimo presidente, mas somente até o momento que lembra que é petista e se deixa convencer por alguns de seus ministros. Reitero minha oposição a este formato, e continuo minha recomendação de venda das ações, já existem risco demais no mercado para tomarmos risco político sem necessidade. Quem bebe da vaca leiteira pode ficar a vontade para me ofender e criticar novamente nos comentários, pois escrevo para quem quer ganhar dinheiro, não para agradá-los. No dia que acreditar na possibilidade de se ganhar mais dinheiro com ela do que com as outras blue chips, reverei minha opinião.

E então, com o índice rondando os 71mil pontos, é interessante arriscar para ter de 15% a 20% no ano (se fechar entre 80 e 85mil pontos)? Sim e não.

Sim, se você investir nas empresas cuja demanda, formação de preço dos produtos ou outro fator importante dependa da China. Ela vai crescer próximo de 10% em 2010, como faz há 20 anos, em média, e elevará os preços das commodities metálicas e agrícolas. Por exemplo, alguém se lembra da “inflação dos alimentos”? Era a preocupação vedete antes da crise e voltará à moda antes de 2011.

Sim, se desejar investir no índice por dois anos ou mais.

Sim, se tiver experiência e muito bem informado, até porque não faltarão oportunidades de empresas ainda esquecidas e ainda mais no segundo semestre, quando pudermos comprar ações cotadas na Nasdaq direto pelo home-broker.

Não, se você quer investir no índice por menos de um ano. Entre no tesouro direto e empreste ao governo por 10,3% (cotação média do DI de jan/11 nos últimos dias) até janeiro próximo, sem risco.

E não, ou todo cuidado ao, acreditar nas recomendações de compra das empresas varejistas dependentes do mercado interno. Elas vão lucrar muito mais em valores absolutos, crescerão bastante em receita, mas, na maioria dos casos, este crescimento já está no preço da ação e se, como dito no inicio do artigo, essa expectativa não for atingida, você será o último da fila e ficará com o prejuízo. Fora o risco de estreitamento de margens devido à concorrência cada vez maior, vitaminada com o dinheiro barato e cada vez mais fácil do BNDES. Este caminho é um exemplo bem sucedido, assim como o “Minha Casa, Minha Vida”, de como o governo deve atuar, auxiliando e regulando, jamais concorrendo com a iniciativa privada.
Boa sorte, prudência e um ótimo ano a todos.



27 de novembro de 2009 às 17:19

Investimentos- Adeus 2008 e o efeito estilingue

Na noite do dia 25/11, estive em Recife numa palestra organizada pelo maior banco de investimentos do Brasil, o BTG Pactual. Lá estavam Pérsio Arida (um dos pais do Plano Real, ex-presidente do BC e do BNDES, atualmente, membro do conselho do banco), Eduardo Loyo (economista-chefe do banco, fez parte da equipe de Antônio Palocci no Ministério da Fazenda) e André Esteves (o mais jovem bilionário brasileiro, CEO e sócio majoritário do banco).

Três intelectos brilhantes discorreram sobre o futuro econômico brasileiro. A principal mensagem abordada pode ser resumida numa frase de Esteves: “O cenário brasileiro atual é estrutural, não conjuntural”. Traduzindo: as mudanças são permanentes e as conseqüências positivas serão sentidas durante os próximos 20 anos.

Muito otimismo? Na minha humilde opinião, se considerarmos os mega investimentos programados no setor de petróleo, infra-estrutura, mineração e siderurgia, copa 2014 e olimpíadas 2016, já podemos esperar um crescimento próximo de 5% ao ano até 2020. Considere juros compostos e calcule, para dobrarmos o tamanho da economia, são necessários 15 anos crescendo a 5% ao ano.

O adeus a 2008 só pode ser feito agora em fins de 2009, depois de uma recuperação fulminante da economia brasileira, que de tão discutida se seria em “u”, “w” ou “v”,  acabou-se numa forma, digamos, tridimensional, num “v” de um estilingue. Projetando-nos no mercado internacional como economia estável, crescente, democrática e com um mercado interno de grande escala, além de um potencial de exportação imenso a ser desenvolvido, principalmente em produtos primários, brutos ou beneficiados (petróleo, minérios, alimentos, etc). Estamos já posicionados como abastecedores da Ásia, novo motor econômico do mundo.

O pleno emprego logo será uma realidade e um problema, pois a falta de mão de obra qualificada já é um gargalo em alguns setores. Isso é parcialmente contornável com investimentos em treinamento, mas sempre é caro e demorado. Some isso aos gastos públicos mal geridos e temos as grandes ameaças ao alto crescimento prolongado, já que ambos são fatores geradores de inflação quando associados ao consumo e investimentos crescentes.

Está claro que segurar a inflação em ano eleitoral não será uma tarefa fácil, principalmente quando não há o menor interesse de se aumentar os juros, pois o câmbio seria ainda mais impactado com novos dólares. Com isso, Henrique Meirelles acaba de se tornar uma vítima de seu próprio sucesso, anunciando grandes chances de ficar no BC até o fim de 2009. Ele ser o vice de Dilma, apesar de uma das únicas chances da imagem estatista/populista dela atrair os votos das classes mais bem informadas e de alto poder aquisitivo, que enxergariam Meirelles como um fiador do capitalismo e do livre mercado, parece não ser do interesse dos caciques do PMDB; devem preferir o Sarney… E é melhor para ele, Meirelles, continuar sendo o brilhante condutor da locomotiva econômica, quiçá também no próximo governo, petista ou tucano.

Só para não deixar passar, IOF sobre entrada de capitais é mais um acumulador de trocados para bancar os gastos exorbitantes da máquina pública do que um sustentador do câmbio. Nunca funcionou e nem funcionará para este objetivo, em lugar nenhum do mundo. O ingresso constante e crescente de capitais estrangeiros faz parte da nova estrutura, não é moda nem especulação de curto prazo. Criar ou ressuscitar impostos e correlatos sempre é mais fácil que cortar gastos, além de passar uma boa imagem e mostrar serviço ao chefe, filho do Brasil.

E Dubai? Bom, quebrar não vai, rachado já estava e a renegociação das dívidas de suas estatais, com grande ajuda de Abu Dhabi e outros vizinhos, inclusive com grandes chances de mega privatizações das mesmas, será a cereja do bolo de uma crise já passada, e mais uma prova que governos devem incentivar a iniciativa privada e não tomar seu lugar.

Risco de crédito agora é preocupação das economias centrais endividadas acima do PIB e de pequenos emergentes dependentes delas. Para nós, o que virão em 2010 serão melhores notas de risco de crédito, colocando o governo em patamar igual ou superior às nossas melhores empresas em qualidade de risco.

Se o governo segurar os gastos públicos no patamar atual (basta não aumentar, não precisa nem reduzi-las) e manter seu compromisso com o crescimento neste último ano de mandato, a arrecadação proverá liquidez suficiente para não preocupar nossos credores e garantirá a economia no próximo governo, seja qual for.



14 de outubro de 2009 às 14:51

Economia: Valorização REAL

Há 10 anos, em janeiro de 1999, o Brasil viveu uma grande desvalorização do real quando o sistema de bandas foi abolido e o câmbio pôde flutuar livremente. Em 2002, o mercado jogou a cotação novamente às alturas com medo de Lula, assim como no fim do ano passado, devido à crise mundial de crédito.

Neste período, um fato foi comum a todas as moedas, elas ganharam valor frente ao dólar americano. George W. Bush contribuiu bastante para isso com sua política bélica exagerada e redução de impostos dos mais ricos, entre outras barbaridades que ajudaram a transformar o superávit gêmeo (primário, governo gastando menos do que arrecada e comercial, exportações maiores que importações) recebido de Clinton num déficit gêmeo monstruoso.

Se reduzirmos o foco às moedas de países exportadores de commodities, onde o Brasil se encaixa, junto à Austrália, Canadá, Rússia, entre outros, o Real valorizou-se quase 32%, acompanhando a valorização média de seus pares, próxima de 31%, descontada a inflação de cada mercado, desde 2000 ate setembro (fonte FMI).

Portanto, foi muito mais uma desvalorização do dólar americano em si do que uma valorização do real por sua demanda.

A velha lei de oferta e demanda sempre prevalece, e agora que ela começará a agir sobre o Real. Nossas reservas atingiram U$229 BI dia 9/10, sendo U$5,4 bi adquiridos somente nesta última semana, boa parte para absorver os recursos entrangeiros da emissão de ações do Santander. Este valor comprado na primeira semana de outubro equivale a mais de um terço do volume  comprado pelo Banco Central desde maio, quando começou a intervir no mercado até o fim de setembro.

Mas não pensem que será um caso isolado. Muitos IPOs ainda virão, fora todos os outros investimentos em filiais de multinacionais, novas aquisições de empresas nacionais pelas internacionais e fundos de private equity, além de mais dinheiro para o mercado financeiro. O BC não vai comprar tudo, vai sobrar dólar, e o real terá a sua vez de se valorizar por mérito próprio.

A balança comercial sempre é difícil de prever, mas os produtos brasileiros já ganharam sua fatia de mercado pelas suas qualidades. As perdas causadas por uma moeda cada vez mais forte poderão ser contornadas com novas negociações, novos produtos, redução de custos, entre outros.

Se seu mercado depende do câmbio, está passando da hora de rever seus custos, se são eles (os custos) que dependem do câmbio, aproveite para crescer. Comprar dólar? Só se você for passear em Miami semana que vem.



25 de setembro de 2009 às 12:35

Mais de 60000 pontos… Comprar ou vender?

 A rápida recuperação da bolsa, ao mesmo tempo em que repõe prejuízos, também gera preocupações além de gordos lucros. Desde o início deste blog em 1 de agosto, o Ibovespa saiu dos 56500, bateu em 62000 e agora ronda os 60000. São 60% em 2009 e já estamos nos níveis anteriores ao investment grade de abril do ano passado. Todo dia este analista é indagado “sobe mais?”. Meus clientes me perguntam isso desde que estavam com suas carteiras recheadas de papéis recomendados por mim com 50% de rentabilidade neste ano, em princípios de junho, e agora, próximos dos 110% desde 2 de janeiro, já pararam de perguntar. Já cansaram de ouvir a mesma resposta.

Correções leves, como esta de 62000 para 60000 ou a de 58000 para 55000, no final de agosto, são perfeitamente normais e saudáveis numa recuperação de uma queda brutal e exagerada como a de 2008. A famosa reação em “V”, tão falada neste momento, não me surpreende nem um pouco. Da pneumonia ocorrida nos países desenvolvidos, só pegamos um leve resfriado. Não por não ter havido baixas por aqui, muitas empresas passaram momentos terríveis por falta de crédito. Mas o dinheiro estava lá, no cofre dos grandes bancos. Essa foi a grande diferença, nossa cultura de pouco crédito, tão danosa em momentos de crescimento, pelo menos serviu para nos blindar contra uma crise real, de grande e longas proporções. Aqui, a crise foi uma conseqüência psicológica da crise de crédito dos países desenvolvidos. Ele foi cortado por medo da reação em cadeia causada pela inadimplência, o que não ocorreu por pura ausência de grande alavancagem (endividamento) na economia brasileira.

Outro fator importantíssimo foi, tal como no Brasil, a brilhante reação do mercado interno chinês, substituindo americanos e europeus na pauta de nossas exportações, sendo a China o mais importante parceiro comercial brasileiro atualmente. O Brasil é um forte fornecedor da locomotiva chinesa, principalmente em metais.

Some isso à maior migração social da história brasileira, com a miséria se reduzindo pela metade nos últimos 5 anos, de 17,6% para 8,8% da população (dados do IPEA divulgados dia 24) e a classe D se convertendo em C numa velocidade incrível. Fruto das políticas sociais do governo federal, com aumento real do salário mínimo e assistencialismo equilibrado (acredite, poderia ser muito maior e pior distribuído), o arrojo monetário na redução de taxas de juros, as desonerações fiscais pontuais e específicas (substituições tributárias de ICMS, redução de IPI setoriais, entre outros), entre muitos outros fatores. Temos hoje um mercado consumidor ascendente, ansioso por alimentos industrializados, casa própria e mobiliada e carro/moto na garagem.

Esta conjuntura demorou 15 anos para amadurecer, o plano Real foi o marco inicial. Assim como os dividendos dela nos alimentarão nos próximos 15. Logo este consumidor iniciante terá renda suficiente para viajar, aplicar e comprar o segundo imóvel. Os juros baixos facilitarão tudo isso, e desestimularão as aplicações em renda fixa dos recursos de longo prazo.  Estes juros, hoje em 8,75%, eram 11,75% em abril de 2008, quando a bolsa atingiu os 62000 pontos antes da crise que se seguiu. É mais de um quarto de redução. No processo de avaliação de uma empresa, para sabermos se ela está barata ou cara na bolsa, projeta-se os lucros dos próximos 5 a 10 anos e são descontados baseados nesta taxa. Quanto mais baixos os juros, mais valor presente tem os lucros futuros, além de a empresa ter menores despesas financeiras com sua dívida, aumentando seu lucro.

Portanto amigos, aqueles 62000 pontos de abril do ano passado fazem parte de uma avaliação com juros bem mais altos, e de uma inflação mais pressionada por falta de oferta. Estes 6 a 9 meses de crescimento perdido com a crise pelo menos serviram para se concluir alguns projetos de expansão já iniciados antes dela e preparar mais trabalhadores qualificados. Agora temos uma inflação mais comportada e o grande obstáculo do crescimento será a qualificação dos empregados. Desempregados na porta de empresas, ao mesmo tempo que estas não conseguem preencher seus quadros será uma cena cada vez mais comum. Isso dinheiro sozinho não resolve, além do investimento financeiro do governo e associações, é necessário tempo.

Os 73000 pontos de recorde em maio após o primeiro investment grade não deixarão de ser ultrapassados agora que já temos os 3 realmente importantes. Como Meirelles (presidente do BC) já disse este mês, “o Brasil deixou de ser imprevisível ao investidor estrangeiro”. Isto é um atrativo de fluxo imensurável. Também podemos esperar o dólar voltar a ser negociado abaixo de 1,60, tão logo este fluxo de investimento estrangeiro mantenha uma constância com a recuperação econômica internacional.

Para não arriscar, basta pensar no longo prazo. Comprar e manter. Se não sabe o que comprar, compre o índice, veja aqui artigo sobre isso. Agora as empresas brasileiras são um investimento seguro, mais seguro que muitos nomes internacionais tradicionais feridos pela crise. E o melhor de tudo é que o mundo já está começando a saber disso.



11 de setembro de 2009 às 00:00

Mercado: É o fim da Petrobras?

O governo acaba de mandar para o congresso propostas para regulamentação do pré-sal e do mercado de petróleo no Brasil. Apesar de tudo ainda ser subjetivo o suficiente para deixar grandes brechas e dúvidas, a mensagem percebida pelo mercado é que a Petrobras centralizará praticamente tudo e que Brasília aumentará sua participação na empresa o tanto que puder. Alguém pensou em estatização do setor? Eu também pensei. Mas vamos refletir um pouco mais.

 

Você conhece a Shell, ou a Esso? Com certeza conhece, uma é a maior petrolífera européia e a outra, americana, respectivamente. E a Saudi Aramco? Não conhece? É a maior do mundo, saudita. E a PDVSA? Também não? É maior da américa latina, venezuelana. Mas a Pemex, a NIOC e KPC você conhece. Não? Pois são todas maiores produtoras que a Petrobras, sendo mexicana, iraniana e do Kuwait, nesta ordem.

 

Você conhece as primeiras porque são empresas abertas, bem administradas, cresceram pelo mundo gerando lucro para seus acionistas e empregos e impostos para a sociedade. As outras são gigantes estatais, com seus cofres à disposição de seus governantes e com objetivos mais políticos que econômicos. Dezenas de milhares de empregados, milhares de cargos políticos, dezenas de ideologias, e toneladas de ufanismo mambembe.

 

As empresas estatais não são conhecidas, mas seus "comandantes" são uma versão grotesca de pop-stars, como o venezuelano Hugo Chavez ou o iraniano Mahmoud Ahmadinejad. O primeiro transformou a até bem administrada PDVSA num instrumento para ações sociais, deixando-a sucateada e sem cérebros de qualidade depois de demitir quase metade dos funcionários depois de uma greve de 2 meses em 2002. A greve protestava contra as políticas do governo e foi interpretada como tentativa de golpe. É um risco inerente a qualquer estatal tão poderosa, ser um Estado dentro do Estado. Por isso é mais confortável mantê-la sob rédeas curtas e sem espaço para inovações. A Venezuela é hoje, segundo o Der Spiegel, a fazenda de Chavez.

  

Sorte nossa que Lula não é petista o suficiente para isso, mas um futuro presidente pode ter ambições mais socialistas ou ditatoriais. Tem feito um governo brilhante do ponto de vista de política econômica e conduz programas sociais louváveis. Mas ele, Lula, foi chamado de "fetichista" pelo Financial Times, pelas novas regras centralizarem tanto poder na mão da Petrobrás e o governo caminhar para a estatização da mesma através de aportes financeiros gigantescos. O governo deu a entender que não quer sócios participativos, quer controle total. Isso para o mercado significa falta de transparência e risco político ainda maior. Virou piada, pôs um pé na categoria “comandante pop-star grotesco”. Isso não é bom para o Brasil, nem para Lula, já endeusado no altar de maior líder “da história desse país”.

 

A Petrobras se tornará ainda mais endividada, burocrática, corporativista e ineficiente. O governo deixará de investir em infra-estrutura, educação e saúde, para aportar dinheiro na empresa e ficar com a maior parte do bolo. Mas não há recursos suficiente para o tamanho do investimento necessário, e qualquer empresa tem limites para endividamento, tornando a exploração do pré-sal muita mais lenta do que poderia ser.

 

Mesmo com toda essa gula fetichista, o governo arrecadará muito menos do que arrecadaria se deixasse empresas nacionais e estrangeiras à vontade para explorar, operar, distribuir e pagar altos impostos e royalties. Tudo seria mais rápido, pois não faltaria dinheiro para investimentos e centenas de milhares de empregos seriam criados. Vide privatização da telefonia, hoje elas pagam um valor em impostos maior do que era o faturamento bruto quando estatais.

 

Se o governo quisesse apenas mais dinheiro, bastava aumentar as alíquotas e royalties. Mas a questão não é dinheiro, é política. As desculpas patrióticas são ótimas propagandas eleitorais para um povo ainda mal informado e de baixa escolaridade. Mas tenho certeza que este mesmo povo preferiria ter gasolina barata, mas, da forma proposta até agora, acaba-se com sonho de ter uma gasolina com preço justo, já que qualquer esperança de concorrência será anulada. O dinheiro que irá para a Petrobras deixará de ir para as estradas e escolas. Perceba a diferença, estamos trocando gasolina barata, boas estradas, e mais educação por um orgulho patriótico rídiculo (a desculpa) e maior controle do dinheiro pela máquina eleitoreira (a realidade). Não adianta falar em fundo social, o simples fato de tantos empregos e verbas sociais na mão de uma estatal já é ferramenta eleitoreira por si só, fora as dezenas de meandros bem conhecidos por quem maneja a máquina. Dinheiro de impostos tem seu destino pré-definido em sua maioria, distribuído para estados e municípios, saúde, educação. Caixa de estatal é talão de cheques na mão.

A Petrobras irá crescer? Sim. Os lucros aumentarão? Sim. A ação vai subir no longo prazo? Provavelmente. Mas o risco do investimento será bem mais alto que o atual e não valerá a pena pelo retorno. Além dos custos eleitoreiros extras, os dividendos tendem a diminuir para que haja recursos para explorar o pré-sal, e a dívida pode sair do controle. Eu particularmente não simpatizo com a idéia de ser sócio de uma repartição pública, acredito que a maioria dos investidores também não.

Temos empresas independentes maravilhosas, transparentes, lucrativas e com grande crescimento esperado e de risco bem mais baixo. Também temos o pré-sal, amém. Mas já botaram açúcar nele, e, se deixarmos, pode virar garapa.

 



01 de setembro de 2009 às 01:00

Investimentos: Não invista em fundos de ações passivos

Se você não tem tempo ou experiência de analisar empresas individualmente, seguir índice através de fundos de ações passivos (cujo alvo normalmente é o Ibovespa) é a opção mais segura. Mas também a mais cara, pois normalmente cobram acima de 2% do patrimônio ao ano de taxa de administração, mais um pedaço do rendimento.
 
Caso vá investir mais de R$ 5mil, é mais barato comprar índice através de papéis de fundos negociados na própria bolsa, como o PIBB11, do BNDES (cotado dia 28 a 81,50, ou seja, tem que ser comprado pelo menos R$ 8150,00, ações sempre são negociadas em lote de 100), seguindo o IBX-50 (índice das 50 maiores empresas da bolsa por valor de mercado) e taxa de administração em torno de 0,2%, ou o BOVA11, do Barclays, (cotado dia 28 a 57,50, ou seja, tem que ser comprado pelo menos R$ 5750,00) seguindo a mesma carteira do Ibovespa, e taxa de administração de 0,54%, numa corretora de corretagem fixa, entre 5 e 20 reais por operação.
 
No exemplo de R$ 5750,00, você economizará no mínimo 1,11% do seu patrimônio no primeiro ano em relação a um fundo que cobrasse 2%, pois existe o custo de corretagem da compra (entre 5,00 e 20,00 e 20,00=0,35% de 5750,00) e 1,46% a partir do segundo (não há mais corretagem, já foi paga no primeiro ano), já descontando a taxa de administração do BOVA11. Quanto maior o valor aplicado, mais se dilui o custo inicial da corretagem de compra e se aumenta a economia em relação aos fundos bancários. 
 
Outra vantagem crucial é a tributária. Há isenção de Imposto de renda se as vendas do mês base não ultrapassarem R$ 20000,00, enquanto nos fundos se paga 15% do lucro no resgate, sem exceções. Essa vantagem sozinha já justifica não aplicar em fundos para quem movimenta menos que isso ao mês. Na verdade, os fundos de ações que seguem o índice acabam sendo alternativas apenas para quem aplica quantias muitos pequenas, pois muitas vezes aceitam depósitos a partir de 100,00.

 



29 de agosto de 2009 às 00:00

Mercado: Ibovespa não é Bovespa

Bovespa é a bolsa de valores de São Paulo, na qual são negociadas todas as empresas de capital aberto do Brasil. O Índice da BOlsa de ValorEs de São PAulo, "IBOVESPA", detém as ações mais negociadas nos últimos 12 meses, sendo revisto a cada 4, com alguns critérios de eliminação.
 
Normalmente tem perto de 60 empresas, das mais de 450 existentes na bolsa, e seu volume representa 80% das negociações. Em seus mais de 40 anos, já teve 12 zeros cortados devido a inflação e trocas de moedas e hoje é tido como índice mais conhecido e confiável do mercado de capitais.
 
Mas o Ibovespa é percebido de forma errada. Como o índice historicamente representa nossa bolsa, norteando quase todos os comparativos, servindo de referência para o mercado e a única informação divulgada pelo Jornal Nacional sobre o mercado financeiro, ele normalmente é confundido com a própria Bovespa. Pior ainda, é visto como se fosse um espelho da economia brasileira, afinal, a bolsa é o coração do capitalismo atual. Mas ele é apenas uma média ponderada de cotação das empresas mais negociadas, com todas distorções que uma amostragem estatística pode ter.
 
Setores tão importantes como educação e saúde, por exemplo, que somados geram 15% do PIB, sequer estão representados nele. Enquanto setores como mineração, energia, petróleo, papel e siderurgia têm somados peso maior que 50% no índice e menos de 15% na economia real! Somente Vale e Petrobrás somam um terço do Ibovespa, enquanto todo o setor de mineração e petróleo representam 5,7% do PIB.
 
Portanto, o Ibovespa não é espelho da economia. E também não é o preço da bolsa. A grande maioria das empresas mais baratas hoje, ações de empresas grandes e rentáveis, estão fora do índice, principalmente agora que ele já subiu mais de 53% no ano. Saber escolher será vital para um desempenho excepcional daqui em diante, apesar da expectativa de desempenho do índice no médio e longo prazo continuar sendo muito atrativo.

 



13 de agosto de 2009 às 21:16

Mercado: Especular é preciso

 

Falar mal dos especuladores, do dinheiro sem pátria, dos ganhos sem esforços, ou qualquer coisa do tipo tem sido lugar-comum. Sempre tenho vontade de rir quando leio ou escuto  sobre isso. Quase sempre vem de políticos, ou pessoas "politizadas", pessoas normalmente sem nenhuma formação econômica, procurando culpados para as crises muitas vezes causadas  por elas mesmas, sejam as crises pessoais ou nacionais. Demonizar o especulador virou esporte nacional, verdadeira verborragia de quem não tem nada útil para dizer.

O verbo especular vem da raiz indo-germânica Spec, cujo significado, "olhar", deu origem  a várias outras palavras como espelho, espiar, esperança, respeito, espetáculo. Enfim, o especulador é quem vê primeiro, vai à frente, quem corre mais riscos para beber a água limpa, e, caso erre, morre primeiro. Portanto, você nobre leitor deste blog, em busca de informações que os outros não têm, também é um especulador! Todos queremos encontrar um caminho lucrativo e seguro o suficiente para por nosso dinheiro para percorrê-lo.

Os especuladores despertam a ira dos políticos por tornar seu trabalho mais difícil, pois  sempre expõem os erros das políticas econômicas. Pergunte aos políticos ingleses se gostam de George Soros. Ele ganhou US$1BI em um dia, tirando a cortina e mostrando a fragilidade da libra esterlina ao mundo em 1992, apostando US$10BI contra ela. Ganhar 10% num dia não é nada mal. Criminoso? Imoral? Não, apenas um ótimo resultado de muito estudo e estratégia. Soros passou meses estudando o ambiente e teve que fazer um grande esforço para arrumar recursos suficientes e convencer seus clientes de que o caminho era certo. Tudo isso só foi possível devido a sua larga experiência em décadas no mercado. Nada de trabalho de um dia.

Mas o papel mais importante do especulador é dar liquidez aos mercados. Se todo mundo comprasse para esperar alguns meses, seria muito lento o processo de negociação, dificultando a entrada de dinheiro novo. Se o especulador facilita a oferta, já que entra e sai mais rápido de suas posições, o novo investidor pode chegar e encontrar um ponto de entrada a qualquer hora, aumentando o volume do mercado, agregando mais valor a ele. Ou seja, o especulador acaba valorizando o mercado!

Há muitos anos o Brasil tem sido o mercado subdesenvolvido/emergente de maior liquidez. Tanto de divida externa, quanto de ações. Essa posição ao mesmo tempo deriva e alimenta da especulação com o risco dos ativos do país. Afinal, "Tostines vende mais porque é fresquinho, ou é fresquinho porque vende mais?". Neste momento histórico de risco Brasil cadente, no qual já se fala de "emergido" no lugar de emergente, temos um mercado maduro e conhecido mundialmente, com todos os requisitos necessários para atrair investimentos de longo prazo. Com nossas empresas crescendo de vento em popa, o maior risco aos investidores fica sendo o político, culpa daqueles senhores que adoram falar mal… De quem mesmo?

 

 


11 de agosto de 2009 às 15:38

Economia: Setúbal retrata momento atual em palestra

Presidente do maior banco do Brasil, o ItauUnibanco, Roberto Setúbal tem, por sua posição e experiência, uma visão privilegiada do momento econômico atual.  Ele falou hoje em palesta para empresários em São Paulo.  Vejam trechos principais, extraídos do site Estadão:

(…)Setubal também afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB), no segundo trimestre, indica um ritmo de crescimento entre 5% e 6% em relação ao primeiro trimestre deste ano. Segundo ele, a economia brasileira está se recuperando de forma satisfatória dos efeitos da crise. O executivo ponderou ainda que o PIB deve fechar o ano apresentando uma velocidade de expansão ao redor de 4%. "Estatisticamente, o PIB em 2009 deve ficar próximo a zero, mas nos últimos meses do ano estaremos com um ritmo avantajado de aceleração, que deverá levar o País a crescer por volta de 4,5% em 2010. E (o índice) até pode chegar a 5%".

Setubal citou que a China, comercialmente, chega a ser hoje mais importante que os Estados Unidos, pois é o principal consumidor de produtos brasileiros. Para ele, na medida em que a nação asiática mantenha a forte rota de expansão nos próximos anos, o Brasil tende a intensificar a venda de mercadorias para o país, o que deve elevar a participação das matérias-primas (commodities) na pauta das vendas externas do País. "Nos próximos anos, a economia do Brasil deve passar por uma transformação. A produção de commodities vai se acentuar e será maior do que há dez anos", disse.

O presidente executivo do Itaú Unibanco disse ainda que a sucessão presidencial em 2010 não lhe preocupa. "Ao avaliar os nomes dos possíveis candidatos que estão aí, como Dilma (Rousseff), (José) Serra e Aécio (Neves), nenhum deles me preocupa, ninguém me tira o sono". Embora tenha mencionado que processos eleitorais sempre embutem riscos, ele ressaltou que o Brasil adquiriu maturidade institucional. Além disso, o executivo pondera que nenhum dos três nomes poderia alterar substancialmente a condução da política econômica. (…)

A desvalorização do dólar também foi comentada e apontada como tendência. Quem já leu os outros posts deste blog está familiarizado com este contexto otimista.  Com relação a campanha, por mais que já tenha gente especulando no mercado de juros futuros sobre isso, realmente não tem porque preocupar, afinal, a política econômica e monetária petista é parente em primeiro grau da tucana.

As economias chinesa, brasileira e americana estão reagindo bem melhor que o esperado, nesta ordem de grandeza de crescimento. O relatório de desemprego americano surpreendeu até o mais otimistas na sexta passada.  A produção industrial está crescendo em todos os continentes. Na China foi 10,8% maior neste julho que no último. Suas importações de petróleo foram 18% maiores e de minério de ferro, 5%. A produção de aço cresce vertiginosamente, e, pelo terceiro mês consecutivo, é maior que o mesmo período de 2008, com 13% de alta em julho, além de preços 30% maiores do que o piso deste ano, em abril. As vendas de automóveis foram 64% maiores. A GM vendeu 77,7% automóveis a mais que no ano passado, isso mesmo, quase 80%. A média chinesa de vendas de automóveis neste ano  tem sido de 1 milhão de automóveis por mês! Goldman Sachs já fala em crescimento de 9,4% para 2009, acima da meta de 8% do governo, cotada como improvável até 60 dias atrás.

Tudo isto indica uma recuperação dos preços das commodities, principalmente metálicas e petróleo, já que a demanda está se recuperando rapidamente. Como 60% do índice Bovespa é diretamente ligado a elas, aproveitem essa pequena realização de lucros desta semana para fazer sua carteira de médio ou longo prazo. Seu carnaval de 2010 será bem mais animado.