E o emprego do termo “ATRAVÉS”?
Há quem pense que deve utilizar o termo ATRAVÉS em qualquer situação, até em casos de mediação, mas não é bem assim. A regra diz que essa expressão sugere TRAVESSIA, ATRAVESSAR… Ex.: A encomenda passou ATRAVÉS da janela. Ou seja, houve uma transpassagem pelo canal JANELA.
Agora, quando a referência for associada à mediação, deve-se empregar os termos POR MEIO DE; POR INTERMÉDIO DE; MEDIANTE… Ex.: A reclamante POR MEIO de seu advogado, (…). Ou ainda: As revelações foram feitas POR MEIO de denúncias ao Ministério Público.
Essas últimas aplicações evidenciam que não houve travessia; mas sim, mediação.
Isso ficou CLARO ou CLARÍSSIMO?
Até amanhã!
Espero você!
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Verbo HAVER (Parte III)
Agora, com aspecto complementar de nossa abordagem sobre o verbo HAVER, veremos mais um sentido que, certamente, muita gente não conhece ainda. Será que você já viu um exemplo assim: “Os jogadores houveram-se muito bem durante a partida.”
O sentido é diferente, não? Significa “arranjar-se”; “desempenhar função”; “ter uma performance”…
Quando isso acontece, o verbo fica PRONOMINAL, isto é, HAVER-SE e pode estar flexionado de várias formas, tendo o pronome antes ou depois. Ex.: Ele se houve bem na prova. Ou ainda: Haver-se-ão bem todos os que estudaram para o concurso.
Portanto, quando o verbo HAVER estiver com o sentido de apresentar um desempenho será pronominal.
É isso.
Espero que tenha ficado claríssimo mais esse caso do verbo HAVER.
Verbo HAVER (Parte II)
Hoje, de modo também especial, conversaremos por aqui sobre o emprego do verbo HAVER quanto à aplicação – no sentido de PRESTAR CONTAS.
Observe que – com esse sentido – torna-se PRONOMINAL, isto é, “HAVER-SE”. É o caso de uma situação muito comum e, claro, muita gente “boa” nem sabe e tantos nem lembram mais!
A forma correta, adotada pela norma culta, é: “ELES vão ‘se haver’ conosco!” É a mesma mensagem de dizer: Eles vão PRESTAR CONTAS conosco!
Não escreva: Eles vão SE VER conosco!!! O SENTIDO É BEM DIFERENTE!!!
Isso ficou CLARO ou CLARÍSSIMO?
Até amanhã!
Espero você!
Verbo HAVER (Parte I)
Trata-se de um verbo IRREGULAR, ou seja, sua flexão tem formas variáveis. Para se ter uma ideia, o presente do indicativo é feito assim: EU HEI, TU HÁS, ELE HÁ, NÓS HEMOS ou HAVEMOS, VÓS HEIS ou HAVEIS e ELES HÃO. Estranho, não?
Um de seus casos é este: Com o sentido de EXISTIR ou ACONTECER (sempre na 3ªpessoa do singular – é IMPESSOAL, isso significa que não admite sujeito).
Ex.: Havia pessoas estudando pelo GRAMATICANDO. (Existiam pessoas…)
Ex2: Houve problemas na Ponte Newton Navarro. (Aconteceram problemas…)
Não esqueça: Com esses DOIS sentidos, o verbo HAVER fica sempre na 3ª pessoa do singular!
É isso!
Até amanhã com MAIS verbo HAVER!!!
Fatos reais? Isso é redundância!
Quantas vezes você já não ouviu a expressão: FILME BASEADO EM FATOS REAIS?
Certamente, em algum momento, essa “mensagem” já lhe foi compartilhada; mas, pense bem: Todo fato é real, senão não é fato!
Portanto, a partir de hoje, diga: Baseado em FATOS. Ou ainda: Baseado na realidade.
É isso!
Até amanhã!!!
O verbo TER sugere “posse”!
DENTRE as situações de emprego do verbo TER, está a de indicar “posse”. Para confirmar esse pensamento, pode-se exemplificar com a frase: “O Brasil tem belas praias”.
Mas, apesar dessa verdade, há quem ainda ache que dizer ou escrever sobre o verbo TER requeira um olhar mais apurado, considerando – sobretudo – a Linguística.
Há uma canção romântica, bem interpretada por Milton Nascimento, que diz: “Tem certas coisas que eu não sei dizer…” Observe que se foge ao padrão-culto da Língua. A forma adequada, necessariamente, é “HÁ certas coisas que eu não dizer!”
Talvez alguém – um dia – pretenda alcançar a forma coloquial como referência, mas – por enquanto, está o conceito de que a norma culta PADRÃO considera a o verbo TER como indicador de posse.
Então, não diga nem escreva Tem dias que quero jogar tudo pra cima!
Corrija com: Há dias em que quero jogar tudo pra cima!
Certinho?
Até amanhã!
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Aposto: nem sempre com vírgulas!
Você já observou que quando alguém fala em APOSTO, é comum que se pense logo em vírgulas? Bem, existe essa possibilidade, mas isso não quer dizer que haja somente APOSTO com essa condição de intercalação, entende?
Há um tipo, denominado APOSTO ESPECIFICATIVO, que não tem pausa de espécie alguma. Ele é representado por SUBSTANTIVO PRÓPRIO que especifica outro que é comum. Ex.: O rio POTENGI será despoluído qualquer dia desses! [rsrs]
Veja que o substantivo POTENGI especificou o rio. E é assim que funciona: sem vírgulas, sem nada!
Um aposto diferente de todos os que são badalados por aí!
Fácil… extremamente FÁCIL!!!
Até amanhã!
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Que significa ESTRAMBÓTICO?
Olá, leitor(a) do Gramaticando!
Talvez você esteja acostumado(a) a ouvir e, talvez, a dizer a expressão ESTRAMBÓLICO, mas será que essa forma adjetiva existe? Garanto que não, pode acreditar!
Vamos encontrar, com certeza, o termo ESTRAMBÓTICO, que significa extravagante, esquisito e ridículo.
Os poetas italianos acrescentavam um verso ao soneto, tornando-o diferente, esquisito mesmo; pois passava dos quatorze versos naturais de todo soneto. O verso acrescentado era chamado de estramboto ou estrambote, daí a explicação para a palavra ESTRAMBÓTICO.
Já a expressão estrambólico, apesar de muito usada, não tem justificativa!
É isso!
Até amanhã!!!
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A pronúncia, a prosódia… a fonética!
É interessante quando a gente começa a estudar com MAIS dedicação sobre os segredos de um idioma! Fico fascinado com tudo isso, pois é meu objeto de interesse e creio que seja o de muitos que me leem por aqui. Dentre as tantas curiosidades, vem a busca por explicação para alguns termos com pronúncia estranha ou variada ao longo do tempo; por exemplo, BELCHIOR, sim, o nome de um dos Três Reis MAGOS, lembra?
Pois é, com o passar dos anos, o Brasil foi agraciado com o surgimento do artista contemporâneo BELQUIOR ou BELCHIOR, compositor e cantor cearense. A partir dessa referência, quase não se ouve a pronúncia desse nome com o som de CH ou “X”. Por que será que isso aconteceu? Que tal conversar sobre essa questão agora?
Bem, acredito que você já ouviu ou verificou que algumas pessoas são chamadas de nomes originários de outras línguas, como CHIARA, que significa CLARA; CHRISTINA, CHRISTIAN, CHRISTIANE… enfim, esses nomes – de forte influência italiana – chegaram às terras brasileiras com a grafia tradicional, escritas com CH, mas como já havia a forma aqui sem a letra “H”, continuamos pronunciando como que ela, a letra “h”, não existisse. Isso, certamente, se estendeu a outras expressões: CHRONICAS – sem acento – que virou crônicas – com acento; BELCHIOR virou BELQUIOR, que significa alfarrabista, que guarda anotações; mercador de ferro velho; brechó… [veja que essa última referência resgata a forma de pronúncia com CH equivalente a "X"]. Ou seja, estaremos cercados por essas duas possibilidades: conservação da fonética italiana ou abrasileiramento dessas expressões. Esse é o típico caso de adaptação prosódica, ou seja, de pronúncia e acomodação fonética dentro dos idiomas que sofrem tantas e tantas influências linguísticas a todo o tempo. Tanto faz dizer Belchior ou Belquior; são variantes, apenas!
Espero que tenha ficado CLARO ou até CLARÍSSIMO!
Até a próxima!
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Pleonasmo é diferente de redundância?
PARECE uma pergunta muito simples, mas tem um perfil desafiador quando nos são feitos questionamentos aparentemente fáceis.
O PLEONASMO é visto e estudado como uma figura de linguagem que sugere repetição intencional do que se está tratando na fala ou na escrita. Isso é feito de modo discreto e artístico. Ex.: “Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto…”
Já a REDUNDÂNCIA, vício de linguagem, é estudada para que você evidencie a forma descuidada com que a repetição se torna marca forte na produção de um texto. Ex.: Entre para dentro! Já não disse que resolveria amanhã?!
Por falar nisso,
até amanhã!!!
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