Docência e o direito à educação: reinvenção!

Os últimos meses têm trazido à tona uma série de questionamentos. Qual dia as aulas retornam? Ainda haverá aula esse ano? Vamos voltar às aulas com essa pandemia? As escolas estão prontas para as normativas técnicas da Organização Mundial de Saúde? Há recursos para tamanhos investimentos necessários?

Infelizmente, não detemos respostas para tantas indagações. Não somos sabedores dos conhecimentos científicos para afirmarmos as condições sanitárias necessárias de pleno funcionamento. O retorno gradativo das atividades tem mostrado que avanços de casos surgem com eles, mas, quais medidas necessárias para essa ação? Uso de máscaras? Uso de protetores faciais? Distanciamento entre os seres?

Nenhuma dessas alternativas são eficientes na sua totalidade, afinal, há necessidade de trocarmos às máscaras a cada 2h, fazemos isso? Não. Seríamos negligentes em falar que as nossas escolas estão prontas para esse retorno, pois, investimentos na engenharia escolar, nas indumentárias dos alunos, nas implantações de distanciamento pessoal, higienização sanitária, entre outros aspectos seriam o mínimo a serem realizados.

É salutar afirmar que a parceria entre escola, pais e alunos nunca foi tão fundamental para o enfrentamento deste período crítico mundial. Há uma reinvenção da classe de professores, onde o virtual, tornou-se destaque nas atividades laborais para a construção de uma formação do ser. Passamos a seguir fielmente o que grandes pensadores ao longo dos seus estudos defendem “o que é essencial para formar o cidadão?”

As aulas não seguem currículo, padrões ou normas, estamos em uma formação da “pedagogia da autonomia”, onde o professor e o aluno realizam as descobertas necessárias ao ensino/aprendizagem no aprender fazendo. Ninguém estava preparado para as aulas remotas, mas, hoje, elas fazem parte de um calendário escolar que se transformou para atender as demandas existentes.

Os profissionais da educação sintetizaram informações necessárias para a construção da mulher e do homem do futuro, não é fácil gravar um vídeo, editá-lo, sentir ausência das interações corriqueiras de uma escola viva presencial, não há meninos nos corredores, nem o sinal do recreio, ou até mesmo de intervalo de uma aula para a outra. A saudade muitas vezes vem à tona de uma rotina que se transformou, porém, na qualidade de educadores, não podemos deixar morrer a chama da esperança, da tentativa, da perseverança e do fazer diferente.

Reinventar-se é o modismo momentâneo, porém, prometi em minha formatura “cumprir com os deveres da honra, da ciência e do magistério e de tudo fazer para que as crianças, jovens e adultos tenham uma educação integral, que lhes proporcione desenvolvimento social, intelectual, cognitivo, psicológico e afetivo”. É sobretudo por esse juramento que tudo vale à pena para resgatar a educação de cada criança em cada canto e recanto deste país, congratulações aos professores abnegados de qualquer preconceito, discriminação ou falta de incentivo, por continuarem na luta pela educação do seu aluno, pois, um deles pode ser o seu filho.

Petrúcio Ferreira

Membro da Rede de Especialistas em Política Educacional da América Latina