Eduardo Campos vai investir R$ 100 milhões em propaganda

Laurita Arruda repercute em seu Território Livre, matéria veiculada na Folha de São Paulo.

A menos de um mês de deixar o cargo para se lançar à Presidência, está concluindo uma licitação de R$ 100 milhões.

Até 2012, o governador de Pernambuco gastava R$ 55 milhões anuais com propaganda. No ano passado, reajustou o valor em 25%. Agora, o aumento será de 42,9%.

Ao mesmo tempo em que atendia o Estado, sendo remunerado com recursos públicos, ele coordenou as campanhas eleitorais do governador e do prefeito do Recife, Geraldo Júlio (PSB). Além disso, produziu os programas do PSB na TV, incluindo as peças que apresentaram Campos ao eleitorado nacional como pré-candidato ao Planalto.

O segundo lote da concorrência prevê R$ 25 milhões em publicidade de utilidade pública. Neste segmento, a disputa é liderada pela agência Blackninja, do cientista político Antonio Lavareda.

A exemplo da Link Bagg, a empresa aparece como favorita para manter uma conta que já comanda no governo. No ano passado, recebeu R$ 13,75 milhões, segundo informações da Casa Civil. Até 2012, ganhava R$ 11 milhões. Lavareda também presta serviços de marketing para Campos. Nos últimos meses, coordenou pesquisas para o lançamento de Campos como pré-candidato à Presidência.

O governo não fazia uma licitação de publicidade desde 2008, quando a Link Bagg e a Blackninja assumiram suas contas. Desde então, os contratos foram prorrogados por meio de nove aditivos. O Estado afirma que isso é permitido desde que os serviços sejam satisfatórios.

OUTRO LADO

O governo de Pernambuco afirma não ver problemas no fato de contratar agências que prestam serviços de marketing ao PSB e ao governador Eduardo Campos. “Não existe nenhum impedimento legal quanto à participação em concorrências públicas de empresas cujos sócios proprietários prestam serviços a partidos políticos”, diz a Casa Civil do Estado.

O governo afirma que suas demandas de publicidade “ocorrem independentemente do cenário político”. Edinho Barbosa, da Link Bagg, diz que não há conflito de interesse por atuar para o Estado e para o governador.

Antonio Lavareda, da Blackninja, diz que não acompanha o contrato com o Estado. Renata Gusmão, diretora da empresa, diz que não há consultoria a Campos.

DO TL : No Rio Grande do Norte, o Governo Rosa foi alvo em 2013 de decisão judicial proibindo publicidade, além de muitas críticas políticas inclusive por partidários de Eduardo Campos. A suspensão durou quatro meses e esta semana o Estado voltou à midia com nova campanha publicitárias pós-licitação. Aqui a verba autorizada para 2014 é de R$ 25 milhões. No Governo Wilma de Faria a verba anual foi de R$ 23, 4 milhões.