O presidente nacional do PMDB e vice-presidente da República, Michel Temer (SP), em entrevista publicada neste domingo (31) no jornal Folha de S. Paulo afirmou que o “PMDB não quer mais o papel de ‘noiva preferida’”. E que o Partido deverá ter candidato a presidente em 2018.

Sobre o PMDB, Temer acrescentou ainda que “Não há distribuição de cargos. O que há na democracia é a participação no governo. Quem é que deve participar? Aqueles que apoiam o governo. Às vezes dizem que o PMDB quer cargos. Eu brinco que se um dia o PMDB chegar à Presidência da República, para não sermos acusados de fisiológicos, nós não vamos indicar ninguém. Nem ministro, nem autarquias…”

Leia abaixo alguns trechos da entrevista com o presidente Michel Temer:

Folha de S.Paulo – Como é lidar com a distribuição de cargos no segundo escalão entre os partidos aliados?

Michel Temer – Não há distribuição de cargos. O que há na democracia é a participação no governo. Quem é que deve participar? Aqueles que apoiam o governo. Às vezes dizem que o PMDB quer cargos. Eu brinco que se um dia o PMDB chegar à Presidência da República, para não sermos acusados de fisiológicos, nós não vamos indicar ninguém. Nem ministro, nem autarquias…

O problema disso é quando um partido se vale de chantagem. O fisiologismo não vem pela simples indicação, mas pela prática de toma-lá-dá-cá. E todos os partidos fazem no Congresso.

Nos dois meses que estou à frente não tem tido isso. E olhe que conseguimos aprovar medidas dificílimas. Aprovamos o ministro Fachin [para o STF], e não houve nenhuma chantagem, entre aspas.

Não podemos tratar a distribuição de cargos como se fosse apenas compra de voto. Estamos distribuindo funções para que todos governem juntos.

Folha de S.Paulo – O sr. faz autocrítica como governo. E a imagem de fisiológico não nasce do nada. O sr. faz autocrítica sobre o PMDB?

Michel Temer – Falo dos acertos, o primeiro foi ter reconstruído a democracia no país. Temos a maioria dos prefeitos, dos vereadores, dos deputados federais, senadores. Por que o PMDB é sempre prestigiado? Pelas teses do passado e pelas teses que vem levantando ao longo do tempo, uma delas é a responsabilidade com a governabilidade.

Você veja que em muitos momentos o PMDB não lançou candidato e teve que fazer uma opção. A opção que fez, ao não ir para a oposição, foi convidado a participar do governo. Mais acertos. As grandes conquistas como a responsabilidade fiscal, as conquistas das reformas constitucionais.

Folha de S.Paulo – Quando o sr. fala que um dos ativos do PMDB é a responsabilidade com a governabilidade, não é um eufemismo para fisiologismo?

Michel Temer – Não é verdade. Num dado momento eu era presidente do partido e fiz todo o esforço para lançar um candidato a presidente da Republica, caso do [Anthony] Garotinho. Nós mobilizamos o país inteiro e isso faz três eleições.

Folha de S.Paulo – E em 2018, o PMDB deve ter candidato?

Michel Temer – Toda tendência é ter candidato. A pregação que se faz hoje é o PMDB ter candidato. O PMDB é um partido de centro. Eu não gosto de rótulos, mas se quiser rotular, é um partido de centro, ou seja, preocupado apenas com os interesses do país e que pode vir a ter candidato porque é uma angústia, quase um ato patriótico do partido.

Folha de S.Paulo – O PMDB cansou do papel de noiva?

Michel Temer – De noiva preferida, né? [risos]

Folha de S.Paulo – Quer ser noivo agora?

Michel Temer – Quer ser noivo. Isso tem que ser construído. Mas o PMDB não se sente sem poder politico.

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