Presidente da FUNDAC deixa o cargo

Segue abaixo a carta de demissão do presidente da FUNDAC.

“Quando assumi a Presidência da FUNDAC subi a rampa da Secretaria, carregado de sonhos, mesmo sabendo muito pouco sobre a temática do Sistema Socioeducativo, pois apesar de haver me interessado por essa questão ao tempo de minha faculdade de Direito, motivado pelo Prof. Hélio Xavier de Vasconcelos, trazia ainda resquícios e traumas do antigo Código de Menores e FEBEM. Mas quando passei a obter informações do atual sistema, logo me sensibilizei com o problema. E não será humano quem, á frente de um sistema como esse, envolvendo casos de completa degradação social, onde muitas das crianças que estão sob nossa custódia sequer são visitados por suas famílias, nem ao menos têm para onde ir quando terminarem o cumprimento da medida social, não se interesse pela causa. Vi-me fortalecido quando busquei apoio e os tive da Corregedoria de Justiça que, vendo a nossa intenção e objetivos, passou a nos apoiar, o Ministério Público e as Varas da Infância e Juventude de Natal e Parnamirim também nos fortalecia com seu apoio e a incansável busca pela melhoria do sistema. O Gabinete Civil nunca nos negou nossos pleitos, singelos, mas de grande valia aos nossos propósitos. O Sindicato dos Servidores da Administração Indireta – SINAI, acreditando em nossa proposta, sobretudo de valorizar o servidor, a quem tenho um profundo respeito e me mostrei sensível a todas as suas lutas, por entenderem válidas, deixamos os nossos agradecimentos. Tudo se apresentava num cenário perfeito ao sucesso. Alguns dias se passaram e a continuidade no cargo ficou para mim algo impossível, pois as nossas metas, as nossas propostas, nossos planejamentos, tinham sempre uma correnteza contrária a elas, grupos e facções dentro da própria instituição querendo que nada desse certo, promovendo discórdias, e outras atitudes contraproducentes. Cansei, mesmo tendo esboçado um esforço gigantesco para não desistir, pois não é de minha personalidade essa postura, mas desisti porque compreendi que a FUNDAC, verdadeiramente, não existe para cuidar de crianças. Fico triste em sair, não por apego ao cargo, pois o recusei no primeiro convite, mas por não ter tido um mínimo de oportunidade de fazer algo por aquelas crianças e adolescentes que, apesar de estarem em conflito com a lei, apesar de serem tratadas como marginais, são crianças e necessitam do amparo da sociedade. Desculpem-me àqueles que acreditavam no nosso trabalho e àqueles que se empenharam na nossa luta”.

Natal, 05 de outubro de 2011.
JOSÉ ALEXANDRE SOBRINHO
Cidadão do Rio Grande do Norte

OBS: Já é o segundo presidente que deixa o cargo. O primeiro foi Kerginaldo Jacob e agora José Alexandre. Todos indicados pelo ministro Garibaldi Filho.