Para o deputado Raimundo Fernandes (PROS) o Alto Oeste é uma região muito sofrida, pois além da falta de água para o abastecimento de algumas cidades, a insegurança está proporcionando um clima de terror para a população. Esse foi o tema abordado pelo parlamentar durante pronunciamento na tarde desta quinta-feira (21).

Confira abaixo a íntegra do pronunciamento de Raimundo Fernandes: 

Senhor Presidente:  
         Peço a palavra para registrar, minha extrema indignação diante da passividade do Estado, com o verdadeiro clima de terror que toma conta da Região Oeste do Rio Grande do Norte. 

         A violência e a ousadia dos marginais estão amedrontando a população que vive nas cidades e que se desloca nas estradas, pela absoluta falta de policiamento preventivo e ostensivo, além do sucateamento da estrutura oferecida a esses policiais. 

         Como se não bastasse a indiferença em relação à seca, tema sobre o qual me pronunciei aqui nesta Casa em dias recentes, a insegurança vem sendo tratada com um sentimento imperdoável: a omissão. 

         Recebo todos os dias, senhor presidentes e meus caros colegas – eu disse todos os dias – relatos de pessoas aflitas, pessoas que foram assaltadas, agredidas, que tiveram parentes mortos ou feridos pela brutalidade dos bandidos que voltaram a tomar conta da região.
         É uma rotina que massacra trabalhadores, estudantes que se deslocam em alternativos para comparecer a universidades e escolas de segundo grau, a pobres doentes que vêm a Natal para tratamento. 

         É a ROTA DO MEDO. Ali entre Triunfo Potiguar, Caraúbas, Paraú, Campo Grande, Janduís, Messias Targino e Patú, é preciso ter coragem suicida para circular à noite ou pela madrugada. São emboscadas, assaltos, roubo de carros, motos, cargas. 

         Há um velho ditado de que casa abandonada, chama ladrão e o Oeste está abandonado. Os bandidos estão se aproveitando da ineficiência do Estado e agindo ao bel prazer, sem serem incomodados.
 
         Vou citar exemplos para tentar sensibilizar quem pode fazer algo e insiste em reuniões e planos. Violência se resolve com polícia dura e forte. O caso é grave como o do doente com fratura exposta pedindo socorro e recebendo um esparadrapo para resolver. O caso é de calamidade pública.
 
         O município de Janduís, por onde circula quem vai para o Alto Oeste ou quem vem de lá, passou 30 dias, senhor presidente, sem NENHUM POLICIAL. NENHUM.
 
         Na última segunda-feira, a população de Messias Targino entrou em pânico . Marginais saquearam o comércio, atacaram lojistas, roubaram e ameaçaram as pessoas, sem qualquer reação do Estado.
 
         Hoje, a Polícia Civil dispõe de TRÊS HOMENS. DE TRÊS HERÓIS EU DIRIA, para atender todo o Médio Oeste, cuja principal cidade onde inclusive há uma companhia de polícia é Patu. 

         O GTO, que é o Grupo Tático de Patu, também tem três homens para enfrentar o crime. 

         A quem iremos recorrer? Lá se vão quase seis meses de Governo. Cadê a segurança prometida? 

         Lembro que, há algum tempo, não muito tempo atrás, a vontade política de outros governos fez com que o Oeste retomasse a tranquilidade com o combate efetivo a quadrilhas que mandavam na região. Os bandidos foram simplesmente varridos de lá.
 
         O OESTE SEM LEI está imperando outra vez. Além da seca, o medo. O que esse povo fez para sofrer tanto? Não há mais desculpas. É preciso ação, maior efetivo, mais estrutura de viaturas e armamentos. 

         Não quero, Deus me defenda, ter que voltar aqui para falar sobre tragédias de maior proporção que são iminentes, diante do silêncio e do descaso, pecados que o povo não merece pagar.

Foto: Eduardo Maia

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