Economia

Flávio Rocha no Motores do Desenvolvimento: “RN sofre com excesso de normas prejudicando o ambiente econômico”

O empresário Flávio Rocha também foi um dos palestrantes do Seminário Motores do Desenvolvimento ocorrido na manhã desta segunda-feira (28), para tratar sobre o alto índice de desemprego no Rio Grande do Norte.

Presidente do Grupo Riachuelo, hoje integrante do seleto grupo de empresários mais influentes do país, Flávio Roach criticou o excesso de normas no Estado, prejudicando o ambiente econômico e consequentemente aumentando a taxa de desemprego.

“Nós temos aqui no Rio Grande do Norte uma mão de obra qualificada, porém sofremos com o excesso de barreiras, que são empecilhos para o desenvolvimento econômico do Estado. Normas que impedem o crescimento”, criticou Rocha.

“Temos que buscar melhorar o ambiente de negócios, acabando com a situação hostil nas áreas de meio ambiente e relações de trabalho”, finalizou o empresário.

O Motores do Desenvolvimento do RN é uma iniciativa da Federação da Indústria do Rio Grande do Norte (Fiern), jornal Tribuna do Norte, Federação do Comércio (Fecomércio), entre outros parceiros, como o Ministério Público do RN (MPRN), Sebrae/RN, UFRN e os Governos Federal e Estadual.

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Economia

‘O mito do Estado Robin Wood acabou’, diz o empresário Flavio Rocha

Do Estadão

O empresário Flavio Rocha, presidente das Lojas Riachuelo, é um dos principais defensores do liberalismo econômico entre os seus pares, muitos dos quais prosperaram à sombra do Estado, graças às boas relações cultivadas em Brasília. Em setembro de 2015, em entrevista ao Estado, Rocha foi um dos primeiros a defender abertamente o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff no meio empresarial. “Existem dois cenários: um é o de uma agonia curta, com impeachment. O outro, de uma agonia longa, com o cumprimento de mais três anos e meio de mandato”, afirmou na ocasião.

Hoje, pouco mais de um ano depois, com o presidente Michel Temer instalado no Palácio do Planalto, Rocha está otimista com os rumos do governo e a perspectiva de o Brasil iniciar um novo ciclo de desenvolvimento, centrado na iniciativa privada. Nesta nova entrevista ao Estado, para a série “A Reconstrução do Brasil”, ele fala sobre a retomada do crescimento, a carga tributária que massacra a produção e a força do capitalismo para a promoção da prosperidade geral. “O capitalismo é melhor forma de produzir e de distribuir riqueza”, afirma. “O mito do Estado Robin Wood acabou.”

Estado – Como o senhor analisa o atual cenário político e econômico do País?

Flavio Rocha  Eu vejo com otimismo. Acredito que a retomada do crescimento vai ser mais rápida do que a gente imagina, porque está acontecendo uma mudança de mentalidade, de enfoque, de forma de ver o mundo, do papel do Estado na economia. O diagnóstico do que tem de ser feito, consubstanciado no programa “Ponte para o Futuro”, sintetiza as ideias defendidas por qualquer pessoa de bem, com uma leitura mais lúcida da realidade. Agora, para fazer isso, precisa ter coragem de enfrentar as medidas difíceis que se colocam à frente e que vão sinalizar a volta do valor fundamental da responsabilidade fiscal. Precisa também da adesão do Congresso. O grande teste vai ser a aprovação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do gasto, para mostrar não só o compromisso do Executivo, mas do Congresso Nacional, com a mudança.

Com muitos parlamentares investigados por corrupção, o senhor acredita que o Congresso irá cumprir o seu papel?

Tenho a impressão de que o Congresso não é tão ruim quanto se imagina. O problema do Congresso e de qualquer grupo de pessoas é a falta de um propósito comum elevado. Antes, com um governo que tinha de Guilherme Afif Domingos (secretário da Micro e Pequena Empresa de Dilma) a Miguel Rosseto e Arno Augustin (ministro do Desenvolvimento Agrário e secretário do Tesouro de Lula e Dilma), com visões tão diferentes, era difícil ter um projeto comum. Agora, não. O Ponte para o Futuro sinaliza que vamos voltar a ser um país normal, sintonizado com a única fórmula de prosperidade que se conhece, que é o binômio democracia e livre mercado. Com a sinalização correta, poderemos compensar, com juros e correção monetária, as aparentes maldades que terão de ser feitas no curto prazo, qualquer sacrifício pontual, com uma enxurrada de investimentos para derrubar o desemprego e retomar o crescimento. O Estado esgotou a sua capacidade de investimento. Há muito mais dinheiro fora do Estado do que dentro do Estado. O novo protagonista, que é o indivíduo, o investidor privado, está acompanhando com muita atenção as sinalizações transmitidas pelo País, a consolidação da virada de página, da troca de ciclo.

O grande conflito não é de patrão contra empregado, rico contra pobre, nordeste contra sudeste, negro contra branco. É entre quem puxa a carruagem e quem está aboletado num Estado que cresceu demais

Em sua opinião, que medidas devem ser tomadas para consolidar essa “virada de página”? 

Esse novo ciclo pressupõe escolhas, escolhas corajosas. Essa virada de página pressupõe o encerramento de um ciclo de ideias ruins, que deram errado no mundo todo, do chamado populismo bolivariano, que tem o Estado como protagonista. O que é necessário fazer é limpar o populismo demagógico, as medidas profundamente injustas, não sustentáveis, que contaminaram o Estado brasileiro nos últimos anos. O grande conflito não é de patrão contra empregado, rico contra pobre, nordeste contra sudeste, negro contra branco. O grande conflito é entre quem puxa a carruagem e quem está aboletado num Estado que cresceu demais. Em pouco mais de vinte anos, a carga tributária passou de 22% do PIB (Produto Interno Bruto) para quase 50% do PIB. Por isso, a carruagem parou. O Estado está servindo a si mesmo. A gente não precisa desse Estado de quase 50% do PIB. Pior, não pode pagar por esse Estado.

Qual a importância das reformas para o País voltar a crescer?

É fundamental fazer não apenas um ajuste, que é um termo muito ameno, mas uma cirurgia de grande porte no Estado para que ele volte ao seu propósito original, que é servir à sociedade.  Então, as reformas têm de ser encaradas, com medidas duras, mas o prêmio é muito grande. O prêmio será uma enxurrada de investimentos, que podem fazer com que esse país em um ano esteja irreconhecível. Não se trata de reformar esse Estado sucateado – mais ou menos como o porta aviões Minas Gerais, cheio de ferrugem, as caldeiras em pane, instrumentos defasados, da época pré-Segunda Guerra Mundial. Isso é uma retomada em U, demorada. A retomada em G, que a gente precisa, é a que reconhece que o Estado se tornou um guia irrelevante para o desenvolvimento. Ele não é mais o protagonista. Nós temos que sinalizar que o Brasil deixou de ser hostil ao investimento e voltou a ser o país da democracia e do livre mercado. A pior sinalização é não enfrentar as medidas duras que têm de ser adotadas e a mais importante que é a PEC do gasto.

O capitalismo de laços é uma decorrência da hipertrofia nefasta do Estado, uma deformação do capitalismo

O problema é que muitos empresários brasileiros sempre viveram à sombra do Estado. O que o leva a acreditar que, desta vez, vai ser diferente? 

Você não pode confundir dois animais muito diferentes, que são o empresário de mercado e o empresário de conchavo ou de conluio. O empresário de conchavo é um apêndice nefasto do câncer estatal. É uma decorrência da hipertrofia nefasta do Estado. É uma deformação do capitalismo. Agora, é o Estado que dá as regras do jogo. Se o Estado sinaliza que o que importa não é fazer uma coleção bonita, a um custo acessível, com pontualidade, mas é ter laços em Brasília, para conseguir benefícios, juros subsidiados, ele deforma toda a beleza do mecanismo automático de seleção natural do livre mercado. É isso que leva à eficiência, a uma correta alocação de recursos. O crony capitalist, como diz o professor Sergio Lazarini, o capitalismo de laços, só leva a uma alocação ineficiente de Estado, ao desserviço e à corrupção. É fundamental fazer essa distinção. O empresário com “E” maiúsculo torce para que cada vez mais o juiz seja o mercado e não Estado. A pior manifestação disso aí era a política dos campeões nacionais, assumida pelo governo anterior. É o cúmulo da arrogância achar que quem decide o campeão no mercado de carnes, de alimentos ou de óleo e gás não é o consumidor final, mas o burocrata lá em Brasília, distribuindo as suas benesses.

O senhor acredita que, com uma abertura maior da economia, com maior competição e liberdade para empreender, o Brasil poderá caminhar para um novo ciclo de prosperidade?

Eu não tenho a menor dúvida. Existem dois fatores que destruíram a competividade brasileira e nos jogaram nesse estado de coisas. Uma é o inchaço do Estado. A competitividade é justamente essa relação entre a força de tração e o peso da carruagem. Como nós competimos com países em desenvolvimento, cujas carruagens estatais são de, no máximo 20% do PIB, isso significa dizer que a carruagem tem 80% de sua energia na força de tração. Aqui, nós fomos de 22% a 37% do PIB de carga tributária em 15 anos, com mais 10% do déficit público. Se considerarmos a ineficiência das estatais como peso adicional para a sociedade, podemos dizer que o peso da carruagem estatal já é maior que a sua força de tração. A primeira providência, então, é dotar o Brasil de uma carruagem que faça sentido. Para servir à sociedade e não se servir dela. O Estado deve ter mais ou menos o tamanho correspondente aos de países com os quais a gente compete. A outra questão, que é decorrência do inchaço do Estado, é o fechamento do cerco burocrático. Esse é de uma perversidade brutal: na área trabalhista, tributária. A obsessão por regular, normatizar, nos menores aspectos, a vida da sociedade, é bem característica desse ciclo que se encerra. É uma decorrência da descrença na sabedoria do livre mercado. Isso é um fator brutal de perda de competitividade. Em nome da defesa do trabalhador se fazem grandes malefícios ao trabalhador, acabando com a prosperidade. A única coisa que garante as conquistas do trabalhador é a prosperidade, que aumenta a demanda por mão de obra, melhora os salários e as condições de trabalho. Agora, um manicômio trabalhista, que gera 4 milhões de ações na Justiça do Trabalho, mais que em todo o resto do mundo, em nome da defesa do trabalhador, acaba prejudicando o trabalhador. Tem alguma coisa errada com isso. Foi essa combinação perversa que nos tirou do jogo competitivo.

O capitalismo não é só a melhor forma de produzir riqueza, mas também de distribuir riqueza

A esquerda tem um discurso de que esse o liberalismo é prejudicial aos mais pobres. O senhor acredita que, com a redução do papel do Estado na economia, é possível gerar prosperidade para a sociedade como um todo?

Sem dúvida. Quando o capitalismo moderno começou, com a revolução industrial, há 250 anos, tínhamos 10% de incluídos e 90% de excluídos. Com a Revolução Industrial na Inglaterra, que depois estendeu pela Europa, Ásia, China, você foi de 10% para 90% de incluídos. Então, a força de inclusão do capitalismo é imensurável. Não só na produção de riqueza. O capitalismo é melhor forma de produzir riqueza e – o que a esquerda não aceita – a mais eficiente para distribuir riqueza. O livre mercado é a melhor maneira de distribuir riqueza e o inchaço do Estado, a pior maneira de concentrar riqueza. O mito do Estado Robin Wood a Dilma acabou de desmoralizar. O socialismo é uma saga tão terrível que, de tempos em tempos, ela ressuscita como um zumbi, como agora, nessa última vez, na forma do populismo bolivariano, que fez um estrago imensurável em tantas economias ricas da América Latina. Agora, esses 14 anos deixaram lições que estão bem assimiladas na cabeça do povo brasileiro. Acho que está havendo uma mudança clara na mente do eleitor. Isso o PMDB, que é um partido pragmático, que não dá ponto sem nó, percebeu claramente e tirou do bolso do colete, espontaneamente, um programa assumidamente liberal, que é o Ponte para o Futuro.

No Brasil, para uma grande parte da esquerda, do PT, parece que o Muro de Berlim ainda não caiu. Como o senhor vê essa questão? 

Acho que isso deve a uma incompreensão dos mecanismos do livre mercado. Nós sempre tivemos uma grande massa do eleitorado, que era a base da pirâmide, o grande fiel da balança, que tinha a expectativa do Estado provedor, era o eleitor súdito, de pires na mão. Agora, esse período da chamada nova classe média, que não sei se vai se sustentar, mas que foi uma mudança que de fato aconteceu durante um período, com os 40 milhões de novos entrantes na nova classe média, trouxe a mudança demográfica que vai ser o pavio da mudança. O eleitor súdito virou o eleitor cidadão. Não é mais a base da pirâmide, mas a cintura do losango. Esse eleitor tem uma visão totalmente diferente em termos de suas expectativas de Estado. Tem uma relação de custo benefício do Estado. Percebe que não tem almoço de graça e vê o Estado como um prestador de serviço do qual deve ser cobrada eficiência e analisada a relação custo/benefício. Acho que é por aí. É isso que o PMDB está enxergando e por isso tirou do bolso do colete um plano liberalizante, como o Ponte para o Futuro.

DIL6461 SÃO PAULO 08/05/2014 NACIONAL Flávio Rocha empresário da Riachuelo, durante encontro com líderes do varejo realizado no hotel Grand Hyatt. FOTO: JF DIORIO / ESTADÃO CONTEÚDO

Flávio Rocha empresário da Riachuelo, durante encontro com líderes do varejo realizado no hotel Grand Hyatt. FOTO: JF DIORIO / ESTADÃO CONTEÚDO

PoderPolítica

Presidente da Riachuelo defende que Michel Temer assuma a Presidência da República 

Da BBC Brasil em São Paulo

Presidente da Riachuelo – uma das maiores redes do varejo brasileiro – Flávio Rocha defende que o empresariado do país precisa “sair da toca” sobre suas posições políticas para garantir uma guinada liberal no Brasil – caminho que, na sua avaliação, poderia tirar o país da crise.

Rocha foi um dos primeiros empresários brasileiros a se posicionar abertamente a favor da saída de Dilma Rousseff da Presidência e diz acreditar que, nesse caso, haveria uma rápida retomada dos investimentos na economia real. “Seria instantâneo”, defende. “É o que está acontecendo na Argentina. Não precisou de dez dias para a criação de um círculo virtuoso.

Otimista sobre um eventual governo Michel Temer, o empresário se recusa a comentar a possibilidade do vice-presidente também ser “derrubado” pela Operação Lava Jato. “Cada agonia em sua hora”, diz.

Defensor de um Estado mínimo, ele acredita que o eleitor brasileiro está cansado do que define como as propostas “de inspiração estatizante ou ligadas a social-democracia” dos partidos tradicionais e está preparado para um projeto pró-livre mercado: “(Hoje) temos trinta e tantos partidos, mas nosso cenário político é mais ou menos como aquele livro: cinquenta tons de vermelho e cor-de-rosa”.

Economia

Flávio Rocha responde a Robinson: “Encontramos no RN o pior ambiente de todos”

Durante a 17ª Convenção do Comércio e Serviços do RN, realizada na tarde desta segunda-feira (30), pela Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas (FCDL/RN) em parceria com a Câmara dos Dirigentes Lojistas de Natal (CDL Natal), o governador Robinson Faria (PSD) aproveitou a presença do empresário Flávio Rocha para pedir a sede geral de sua loja para o Rio Grande do Norte.

Em entrevista a Tribuna do Norte desta terça-feira (01), sem meias palavras, Rocha respondeu indiretamente ao apelo do governador: “Encontramos no RN o pior ambiente de todos”.

 

Poder

Flávio Rocha, Marcelo Alecrim e Glauber Gentil serão homenageados pela Assembleia Legislativa

O Dia do Administrador será celebrado pela Assembleia Legislativa, em sessão solene amanhã (09), às 9h no Plenário da Casa. Durante a sessão, dez administradores do Rio Grande do Norte serão homenageados por terem se destacado pelo trabalho em empresas privadas e órgãos públicos.

A comemoração contará com a participação dos empresários, Flávio Rocha, proprietário das lojas Riachuelo; Glauber Gentil do grupo O Boticário; Amauri Fonseca, das lojas Toli; Marcelo Alecrim da empresa ALESAT, além de representantes da Fiern, como Roberto Serquiz; Ione Macedo da UFRN e consultores empresariais como Kelermane Martins e outros.

Para o presidente da Assembleia e autor da solenidade, deputado Ezequiel Ferreira (PMDB), a sessão é uma homenagem aos administradores que tanto contribuem para a economia do Estado. “É um reconhecimento à importância do profissional da administração tanto no setor público como no privado. Os administradores são fundamentais para o desenvolvimento de uma instituição”, destaca o parlamentar.

Economia

Ao Estadão, Flávio Rocha afirma que a economia brasileira está sem projeto e sem propósito

Sem projeto e sem propósito. É assim que o presidente da Riachuelo, Flávio Rocha, define a economia brasileira hoje. O empresário, dono da terceira maior rede de moda do País, atrás da C&A e da Renner, atribui a crise que se instalou no País à política do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.

  
E fala, abertamente, que a atual gestão da presidente cria dois cenários para a economia: “Um é o de uma agonia curta, com impeachment. O outro, de agonia longa, cumprindo três anos e meio de mandato.” Em sua opinião, é urgente uma “cirurgia profunda” no Estado brasileiro, que vai muito além do ajuste fiscal, algo que o governo atual não tem condições ou vontade de fazer. A seguir, os principais trechos da entrevista de Rocha ao Estado.

Como o sr. vê a economia?

Vamos começar com uma boa notícia. Encerrou-se um ciclo. Um ciclo de ideias ruins, insustentável. A gente já vê os indícios fortes da mudança. A mudança vem da cabeça do eleitor, de um novo personagem que vai mudar a história do País: o eleitor-consumidor-cidadão. Ele sucedeu o eleitor súdito, que era o fiel da balança e representava uma grande base de 60% de pobreza. Ficava com o pires na mão para o Estado. Houve uma transformação demográfica e econômica. Hoje, o fiel da balança não é mais a base da pobreza. É o novo consumidor, com condição de resolver as paradas eleitorais que vêm pela frente. Ele enxerga o Estado de uma outra forma. Não cai mais no mito do Estado que resolve todos os problemas. Ele vê o Estado como vê a sua operadora de telefonia celular, de TV a cabo. Paga e exige reciprocidade. Esse novo perfil vai ser o estopim da mudança.

Para o sr., as manifestações contra o governo são promovidas pela nova classe média?

Sim. O povo não está pedindo mais Estado. Está pedindo menos Estado. Está pedindo eficiência do gasto público, menos clientelismo, menos paternalismo. Em 2013, não. Ali acho que tinha uma confusão, tinha no meio os black blocs (grupo que ataca símbolos do capitalismo), uma coisa de movimentos sociais. Mas agora as manifestações dizem isso.

Para muitos, as manifestações são promovidas pelo pessoal da “varanda gourmet”.

As pesquisas desmentem isso. O conflito que está instalado não é pobre contra rico. Não é patrão contra empregado. Não é Nordeste contra Sudeste. Não é trabalhador rural contra MST. Um país é como uma carruagem. As forças de tração dessa carruagem são o trabalhador e o empresário. E existe o Estado. Quando eu era deputado, na Constituinte (Assembleia Nacional Constituinte, entre 1987 e 1988), defendia a tese do imposto único. Subia na tribuna para me rebelar contra a carga tributária escorchante de 22% do PIB. Pois ela foi de 22% para 37%, mais 7% de déficit. Quer dizer: temos um Estado escandinavo no tamanho e centro-africano na eficiência. Ter esse nível de carga tributária com essa ineficiência é condenar o Brasil a ficar fora do jogo competitivo. Nós competimos com países onde as carruagens sustentam 15%, 17%, 20% do PIB de carga tributária. São carruagens que andam.

O sr. disse que está se encerrando um ciclo ruim. Pode explicar melhor?

Um período de inchaço desmesurado da máquina do Estado e de ideias que levavam à crença de que existia outra saída para a prosperidade que não o trabalho. Que você podia ter uma casa, que é o bem mais desejado de uma família, sem trabalhar. Encerra-se um ciclo estatizante, socializante. O mundo todo já decidiu a questão ideológica sobre se os bens de produção devem estar nas mãos do Estado ou da iniciativa privada. Eu já tinha preguiça desse tema quando fazia faculdade. Hoje, mais ainda. Mas isso está em pauta.

O sr. acredita que o Estado pode ficar menor na gestão do atual governo?

Acho que não. Ajuste fiscal é uma palavra muito suave para a gravidade do problema. A gente não precisa de ajuste fiscal. Precisamos de uma cirurgia de grande porte no Estado, que faça o Estado mudar de propósito. O Estado hoje existe em função de si mesmo. Ganhou vida própria. Há muito tempo, o Estado não existe em função da sociedade. Tornou-se intocável, blindado em si mesmo. Olhe o corporativismo dos professores. Outro dia, um secretário de Educação, de algum Estado, disse que teve uma reunião de três horas com o sindicato dos professores e não se falou uma vez a palavra aluno. Quer dizer: o aluno é um detalhe, está lá para atrapalhar. O que interessa é o corporativismo da máquina. Então, isso tem de ser respaldado pelas urnas. Infelizmente, o projeto que foi aprovado – se é que existia algum projeto – prega o contrário disso, desautoriza qualquer um que queira fazer uma cirurgia mais profunda. Mas, pela primeira vez, existe a perspectiva de um projeto liberalizante.

Como o sr. vê a discussão sobre o impeachment da Dilma, que foi pedido em algumas manifestações?

Nós temos aí duas alternativas. Eu não acho que vai ser este o governo que fará o que tem de ser feito. O orçamento já é assumidamente deficitário e toda tentativa de cortes que é feita, a presidente bloqueia. Então, acho que existem dois cenários: um é o de uma agonia curta, com impeachment. O outro de agonia longa, cumprindo três anos e meio de mandato. Mas será uma agonia que não vai mudar nada. Há uma paralisia e qualquer um dos cenários – de aumento de impostos ou de diminuição do Estado – envolve retaguarda política, que não existe.

Mas o sr. é contra ou a favor do impeachment da Dilma?

Se as contas forem rejeitadas e não houver o impeachment, é melhor rasgar a Lei de Responsabilidade Fiscal. É a pior sinalização que pode haver. Aí é o caos. A sinalização que isso traz para todos os governadores e prefeitos é devastadora. É chutar o pau da barraca. Neste momento, uma agonia curta seria um trauma menor.

O que seria a essa agonia?

É o momento que nós estamos vivendo agora, a máquina parando, o desemprego aumentando, sem crescimento, sem investimento.

O sr. é empresário, o que está acontecendo que nós não estamos tendo investimento?

Falta de propósito.

Foi isso que causou a paralisia?

Primeiro, foi a falta de propósito. Propósito é fundamental. Você tem de olhar para a cara do seu governante, até do presidente da sua empresa, e enxergar adiante: “A Riachuelo daqui a dez anos vai ser isso, nessa Riachuelo daqui a dez anos tem lugar para mim, eu vou estar melhor, eu me identifico com o propósito da Riachuelo, que quer alargar as portas da moda, a moda que melhora a vida das pessoas”. Tem de ter essa identidade de propósito.

Então, estamos à deriva?

Você olha para a Dilma e vê qual é o propósito? Se tem, não consegue transmitir, e se transmite é um propósito que hoje é extremamente minoritário. A capacidade, a energia do Brasil está adormecida, mas voltará quando surgir um novo projeto – e vai surgir porque nenhum espaço fica vazio por muito tempo na política.

E onde a presidente errou?

Eu vi uma frase interessante no começo do governo Lula. Foi nas primeiras semanas: “Este governo vai dar certo porque está fazendo tudo que Fernando Henrique (ex-presidente Fernando Henrique Cardoso) fez, e sem o PT para atrapalhar”. E foi o que aconteceu. Mas a Dilma reverteu tudo o que tinha sido feito.

Como assim?

Começou a acreditar em artificialismo. Ouvi uma colocação, acho que do Arminio Fraga (ex-presidente do Banco Central no governo de FHC). Ele disse: “Esse é um governo que não acredita em preços”. Quando você vê o preço do tomate aumentar é um alerta importante que denuncia uma escassez localizada. E o que se faz nessa hora? Nada. Deixa a ganância empresarial atuar. O produtor vai descobrir que tomate está dando lucro, mais gente vai produzir tomate, aumentar a oferta e o preço volta para onde estava. Dilma ignorou essas delicadas engrenagens da economia, jogou areia nas delicadas engrenagens, com intervenções de todo tipo, artificialismos.

O que o sr. acha das manifestações de empresários em favor do governo Dilma?

Quando você fala do setor empresarial, existe muita confusão. Tem dois mundos completamente distintos. Tem o empresário de mercado e tem o empresário de conluio. Existe aqui o “cronismo”: termo que o Gustavo Franco (ex-presidente do Banco Central no governo de FHC) lançou em um artigo dele sobre o capitalismo crony (em tradução livre, capitalismo de apadrinhados, pois a palavra em inglês, derivada do grego, é uma gíria para amigo, afilhado). O PT, quando pensa em capitalismo, é: “Fulaninho, o que você quer?” O termo campeões nacionais, até outro dia, fazia parte do discurso nacional. Um absurdo. Vou eleger este aqui o rei da proteína animal, este aqui o rei da construção civil e este aqui o rei do óleo e gás. Isso é de uma arrogância, de uma onipotência… O mercado não conta. O governo torna irrelevante a opinião do mercado, força de cima para baixo com instrumentos de financiamentos, de juros subsidiados, que é mais uma perversa forma de intervencionismo. É assim: eu escolho você, dou dinheiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e tal. Isso é a antítese do capitalismo. Muitas vezes, você olha e diz: ah, são os empresários. Mas vai ver e o que tem é o clubinho do capitalismo de conluio.

E como é o outro grupo de empresários?

O outro, do qual eu muito me orgulho de fazer parte, é aquele que vive do mercado, do consumidor. Se eu vou crescer mais do que Marisa, Pernambucanas ou Renner, só devo a um juiz: a dona Maria, que entra na loja e paga sua prestação de R$ 15. Somos escolhidos pelo mercado.

O sr. fala da necessidade de mudança, mas o Congresso não tem mostrado disposição em ajudar.

Por falta de propósito (do governo atual). Por que a oposição vai se sacrificar, votar medidas antipáticas, quando o partido do governo quer fazer papel de mocinho? Tenho certeza de que esses mesmos deputados, com um novo propósito, uma nova sinalização, um novo chamamento, teriam um comportamento completamente diferente. O propósito tem o dom de fazer milagre.

O sr. não mencionou a Lava Jato. Não está no seu radar?

A Lava Jato é a grande contribuição que sai desse episódio todo. A luta contra a corrupção não é feita apenas com leis, afastando pessoas sem éticas e colocando no lugar pessoas de boa índole. O que faz a corrupção são as regras do jogo. O estatismo é um convite à corrupção. O Estado grande é o habitat natural da corrupção.

E o que evita a corrupção?

O antídoto à corrupção é o livre mercado. Para usar um exemplo simples: se eu tiver aqui na Riachuelo um comprador de gravatas corrupto, que recebe propina de um fabricante de gravatas da esquina, graças aos freios e contra pesos do mercado, a gravata da Riachuelo vai ser mais feia, de pior qualidade. Vou perder participação no mercado de gravatas e meu concorrente vai ganhar. Isso é o que Ronald Reagan (ex-presidente dos Estados Unidos) chamava de freios e contrapesos do mercado. O Estado, tão sabedor das suas limitações como gestor, quando entra num setor, a primeira coisa que faz é delimitar o mercado. Isso tira todos os freios à corrupção. Abre a porta para o superfaturamento. Começa com 10%, vai para 100% e para 1.000%, como estamos vendo. Se esse episódio nos tirar a cruz que repousa sobre o povo brasileiro, que é o monopólio do mercado de petróleo, entre tantos outros que temos no Brasil, a energia de criação de riqueza paga essa conta rapidamente, porque petróleo é um setor transversal. Os absurdos, os superfaturamentos impactam todos os demais setores. Todos dependem de frete, todos têm transporte. A Lava Jato é uma bênção para o Brasil, vem para limpar. É um sinalizador de que o Estado deve ser menor.

Qual a sua previsão para o varejo?

O varejo teve o primeiro trimestre negativo depois de uma década em que cresceu sempre muito mais que a média do PIB. No primeiro semestre, fechou no negativo. Isso atinge de forma diferente os três subsetores. O de duráveis, onde estão os eletroeletrônicos, tem empresas com 20%, 30% de queda. Depois vem o setor de alimentos – até os alimentos estão sofrendo muito por causa da inflação. O que está sofrendo menos é o de semiduráveis – farmácia, têxteis, calçados, que têm até um certo crescimento. Nós estamos crescendo graças à expansão física (com novas unidades). Nas lojas abertas há mais de um ano, estamos estagnados. O que já é uma boa notícia, porque todo mundo está negativo nas mesmas lojas.

Geralmente, o segundo semestre tende a ser melhor. Isso não vai ocorrer em 2015?

Será melhor em relação ao primeiro semestre, mas sempre fazemos a comparação com igual período do ano passado. Então, vai ser pior. O Dia dos Pais foi fraco. No Natal, vai se manter o marasmo. Não temos expectativa de recuperações. A carruagem está parando. A força de tração não é suficiente. O resultado disso é crescimento zero.

O sr. está pessimista?

O empresário tem de partir do pressuposto que crise, por definição, é um episódio passageiro. Não se pode dimensionar a sua empresa para a crise, porque a crise passa e sua empresa fica despreparada para a bonança que, por definição também, vem depois das crises. Estamos abrindo lojas, construindo um centro de distribuição que é o estado da arte do setor. O “capex” (investimento na melhoria de bens de capital uma empresa) chega a R$ 500 milhões neste ano. No Brasil, só pode ser pessimista quem está com os olhos no curto prazo.

Diversos

CNI aprova Medalha do Mérito Industrial para Flávio Rocha‏

Em reunião hoje (28), em Brasília, a Diretoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), por proposição do presidente do Sistema FIERN, Amaro Sales, aprovou a indicação do empresário potiguar Flávio Rocha, do grupo Guararapes/Riachuelo, para receber a medalha da Ordem do Mérito Industrial da CNI.

“Por suas qualidades pessoais, pela atuação persistente nas trincheiras diárias de seus empreendimentos e, ainda, pelo destacado histórico de líder empresarial e sindical, Flávio Rocha merece o reconhecimento dos industriais e do Sistema Indústria”, destaca o presidente Amaro Sales, no documento em que submeteu o nome do industrial para receber a medalha.

Amaro Sales lembra ainda que sob a liderança de Flávio Rocha, o Grupo Guararapes está liderando o maior projeto de compras de serviços no interior do Rio Grande do Norte (Pró-Sertão), com a ampliação de sua produção através da contratação, até dezembro de 2015, de mais de cem empresas industriais para confecção de peças do vestuário para a rede de lojas Riachuelo.

EconomiaPolítica

Marcelo Alecrim e Flávio Rocha se reúnem com Ministro da Fazenda

Empresários que fazem o Rio Grande do Norte brilhar pelo Brasil afora, Marcelo Alecrim (Ale) e Flávio Rocha (Riachuelo) estiveram reunidos com o Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na quinta-feira da semana passada, para tratarem sobre as medidas de ajuste econômico tomadas pelo Governo Federal.

Ambos integram o Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), que também faz parte a empresária Luiza Trajano, presidente do grupo Magazine Luiza.

Na ocasião, o ministro disse que a retomada do crescimento do País virá com cenário econômico que estimule a iniciativa privada. “O setor varejista brasileiro é um dos maiores do mundo. É o que mais emprega e com certeza pode ajudar muito a criar um ambiente melhor para ajudar a trazer mais investimentos e a retomada do crescimento da nossa economia”, enfatizou.

Durante o encontro, Levy detalhou as medidas de ajuste, com destaque para o reequilíbrio fiscal e a solidez das contas públicas, indispensáveis para o desenvolvimento do ambiente de negócios e a recuperação da confiança empresarial. Ele também ouviu avaliações desse segmento sobre a conjuntura econômica atual. “Precisamos unir esforços”, ressaltou o ministro.

O objetivo do encontro foi criar um espaço de cooperação entre governo e setor privado para que a economia brasileira volte a crescer com mais vigor. “Vamos precisar do apoio de todos vocês do setor de varejo. E tenham a certeza de que a economia brasileira tem a capacidade de responder rápidos a medidas de ajustes. Foi assim no passado e tenho certeza de que isso vai acontecer de novo”, garantiu o ministro.

Foto: Cedida 

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O Senado é um Céu

O proprietário do Midway Mall, Flávio Rocha, sempre teve o sonho de ser político.

Já chegou, inclusive, a ter mandato. Como em 1990, quando foi eleito deputado federal.

Reconhecido e amigo dos grandes empresários do país, em 1994 tentou articular sua candidatura à Presidência da República, pelo então Partido Liberal (PL), hoje Partido da República. Tentativa fracassada.

Com grandes projetos em andamento no meio empresarial, e frustrado por não ter conseguido ser candidato a presidente, Flávio decidiu tirar férias da política. Seu pai Nevaldo Rocha vibrou.

Até então, a contra-vontade do pai fez Flávio Rocha (ainda) não voltar a disputar cargos.

Mas…

Um grupo de amigos formadores de opinião, já começa a estimular Flávio Rocha a disputar a vaga de senador em 2014.

Com as empresas beeeeeeeemmmmmmmm sucedidas e encaminhadas, Nevaldo até já admite o retorno do filho à política. Ainda mais nessa fase onde a maioria dos senadores também são grandes empresários.

Aguardemos.

Foto: Desaboya

Flávio e Nevaldo Rocha

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Flávio Rocha faz doação à LIGA

O empresário Flávio Rocha, proprietário do Midway Mall e do grupo Riachuelo, fará uma ação solidária na tarde desta sexta-feira (19). Ele vai doar um equipamento de radiologia computadorizada e um de mamografia à Liga norte-rio-grandense contra o Câncer.

A ação foi desenvolvida em parceria com a Associação Américas Amigas, que será representada por sua presidente de Honra, Bárbara Sobel.

Parabéns a Flávio Rocha pela atitude.

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Flávio Rocha de olho no Senado

Considerado um dos maiores empresários do Estado, o ex-deputado federal Flávio Rocha já tem o nome lembrado nos bastidores da política, como um provável candidato ao Senado, em 2014.

Segundo uma fonte do blog, Flávio já teria conversando até com o pai, empresário Nevaldo Rocha (Guararapes, Midway Mall e Riachuelo), e externou o desejo de entrar na disputa.

A pergunta é: qual seria o partido?

Ainda é uma incognita.

Detalhe: Vale lembrar que Flávio Rocha já chegou a disputar a Presidência da República.