Diversos

Livro sobre o Estádio Machadão será lançado nesta quinta (09)

Memórias Póstumas do Estádio Assassinado, craques, jogos e saudades do Machadão é o quarto livro do jornalista Rubens Lemos Filho a ser lançado nesta quinta-feira, dia 09 de novembro, na AABB de Natal, Avenida Hermes da Fonseca, 1017, a partir das 18h. É um relato sobre os anos dourados do estádio derrubado para que fosse construída a Arena das Dunas na Copa do Mundo de 2014.

Mas engana-se quem pensa que o livro tratará só de futebol. “É um reencontro com a Natal ainda aldeota, nos anos 1970 e 80, até 90, que é relembrada em suas histórias, seus personagens, seus pontos pitorescos, seus cinemas, o Ducal Hotel, primeiro arranha-céu e também na política, com abordagem sobre todas as eleições do período em que o Machadão esteve de pé”, afirma Rubens Lemos.

Cultura

Rubens Lemos Filho resgata em livro as memórias do estádio Machadão

O jornalista e recém chegado ao mundo da blogosfera, Rubens Lemos Filho, vai lançar no dia 09 de novembro, às 18h, na AABB de Natal, seu mais novo livro: Memórias Póstumas do Estádio Assassinado.

São histórias, jogos, craques e saudades do Machadão, derrubado antes da Copa do Mundo de 2014 para dar lugar ao Arena das Dunas.

O Machadão foi inaugurado em 04 de junho de 1972.

Detalhe: Rubinho sempre foi contra a demolição do Machadão.

Política

Há 30 anos, Geraldo Melo tomava posse como Governador do RN

Artigo escrito por Rubens Lemos Filho
Jornalista

“Neste 15 de março de 2017, faz 30 anos da posse do governador Geraldo Melo no Rio Grande do Norte. Eleito pelo PMDB em 1986, de virada, com maioria de 14.072 votos(0,5%) sobre o deputado federal do PFL, João Faustino(falecido), desmantelou um ciclo de 12 anos de poder (Tarcísio Maia, Lavoisier Maia e José Agripino), protagonizando uma das mais acirradas campanhas eleitorais da história.

Geraldo Melo, a exemplo do seu correligionário Aluizio Alves, revertia os ataques adversários transformando-os em marketing positivo. Pequenino, foi chamado de Tamborete, de forma jocosa. Passou a fazer discursos em cima de tamboretes que viraram acessórios dos seus eleitores, pendurados em janelas, expostos em calçadas, colados em roupas quando feito miniaturas. 

Inovar e surpreender marcaram a trajetória de Geraldo Melo candidato. Seis meses antes da eleição, convocou uma imprensa aturdida e afável ao poder vigente para comunicar que aceitava o resultado do Ibope, apontando-lhe fragorosa derrota naquele momento. Mas que exigiria igual comportamento dos oponentes e venceria a eleição. Viraria o jogo. 

A diferença, que superava os 30 pontos, foi caindo ao som das melodias contagiantes do Tamborete. “Sopra o vento, deixe esse vento soprar, esse vento traz Geraldo e a nossa sorte vai mudar”. O Catavento(hoje cata-vento com reforma ortográfica esdrúxula), símbolo de novos tempos, incorporava-se ao ritual político potiguar. 

Orador brilhante, conhecedor profundo da economia do Estado, desde os tempos de jovem auxiliar de Aluizio Alves no Governo do Estado, Geraldo Melo incorporou o sentimento oposicionista e cativou o eleitor, coligado apenas com PCB e PC do B, saídos da clandestinidade um ano antes, contra uma máquina de mais de 130 prefeitos e a força do ex-governador José Agripino, no auge de sua liderança. Em 1986, Agripino seria eleito senador pela primeira vez. A segunda vaga ficou com Lavoisier Maia. 

A última pesquisa Ibope, dia 14 de novembro, véspera da votação, apontava João com 48% e Geraldo com 47%. Empate técnico rigoroso. A apuração começou com João Faustino liderando nos pequenos municípios. Manual, a contagem mobilizou os dois lados, tensos e apostando em cada candidato. 

No quarto dia, uma sexta-feira, Geraldo Melo ultrapassava João Faustino e impunha os 14.072 votos que o tornaram o primeiro governador de um partido de oposição desde Aluizio Alves em 1960, pois o Monsenhor Walfredo Gurgel sucedeu seu aliado Aluizio em 1965. O povo foi às ruas, Geraldo discursou nas escadas da Tribuna do Norte/Rádio Cabugi e a passeata se estendeu ao amanhecer de um domingo ensolarado de democracia. 

Seu Governo empregou feroz política de segurança pública equipando a polícia e criando tropas de operações especiais, liquidou ou prendeu quadrilhas vindas do Rio de Janeiro, duplicou a Ponte de Igapó, construiu hospitais regionais, ativou o Programa do Leite, o Programa Peixe para o Povo e investiu alto na eletrificação rural, dentre outras obras. Travou embates com sindicatos, em especial com o dos professores. Relembrar sua posse, três décadas passadas, é dever histórico. E jornalismo não se faz sem memória”. 

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Política

Rubens Lemos Filho deixa TJ e é nome de Henrique para assessorar vice-prefeito Álvaro Dias 

Aos 46 anos, 28 de profissão em jornal, TV, rádio, mídia social e especialmente assessoria de imprensa, o jornalista Rubens Lemos Filho cumpriu dois anos na Secretaria de Comunicação Social de Justiça, gestão de Cláudio Santos.

Agora, volta para o tapete político ao qual está acostumado. Por indicação do seu amigo pessoal, Henrique Eduardo Alves, aceitou convite do vice-prefeito de Natal, Álvaro Dias, para pilotar sua assessoria de imprensa.

Secretário de Estado no Governo Wilma (2003/10), depois de seis anos na Subsecretaria de Comunicação Social (1995/2001), Secretário na Assembleia Legislativa (2011/15), Rubens Lemos ocupava a Secretaria de Comunicação Social do TJRN na polêmica gestão do desembargador Cláudio Santos.

Após ser exonerado neste dia 4/1 ( a pedido dele ao presidente Cláudio), topou o desafio de auxiliar o vice-prefeito Álvaro Dias. “Pelas circunstâncias em que saí do TJ, contando apenas com Cláudio Santos, senti o que meu pai um dia passou por contestar o ditador de plantão que não estava no tribunal. É passado”.

Completa, com pitadas: “Preciso trabalhar e solidariedade de fato, só recebi de Henrique Eduardo. Pensei ter mais amigos. Ou amigas. Por quem meti a cara e ganhei inimigos eras priscas. Nenhum gesto. Henrique pronto a ajudar o amigo aflito, herança de Aluízio Alves. Pretendo contribuir humildemente com o vice Álvaro, que me recebeu magnificamente e tem grandes ideias para ajudar ao prefeito Carlos Eduardo e me reinserir no mercado, onde quem não diz amém ao governo censor, é inimigo, é caçado”.

Poder

Comunicação do Tribunal de Justiça: sai Rubens Lemos e entra Juliska Azevedo

Dança das cadeiras na Comunicação dos Poderes do Estado. 

Atual Assessora de Comunicação do Governo do Estado, a jornalista Juliska Azevedo retornará ao comando da Assessoria de Comunicação do Tribunal de Justiça, atualmente dirigida pelo jornalista Rubens Lemos Filho. 

A mudança na Comunicação do Tribunal de Justiça se deve também a mudança de Presidente: sairá o desembargador Cláudio Santos e vai entrar o desembargador Expedito Ferreira de Souza. 

Diversos

Ministro, Senadora, Prefeito, ex-governadora, deputados e intelectuais prestigiam lançamento do livro de Rubens Lemos Filho

O lançamento de livro ‘O Rosto Alegre da Cidade’, escrito pelo jornalista Rubens Lemos Filho, foi o mais prestigiado de Natal nos últimos tempos.

Políticos, jornalistas, intelectuais, juristas, empresários, admiradores do esporte e agitadores culturais foram prestigiar Rubinho, que escreveu 67 crônicas sobre alguns dos principais momentos do ABC, o Mais Querido.

Entre 19h e meia noite, Rubinho autografou centenas de livros no Clube de Radioamadores, no Tirol, entre eles, para o Ministro Henrique Alves e a mulher-jornalista Laurita Arruda, a senadora Fátima Bezerra, o prefeito Carlos Eduardo, a ex-governadora Wilma de Faria, o ex-senador Fernando Bezerra e os deputados Ricardo Motta, Márcia Maia e Zé Adécio, além de jornalistas, publicitários, empresários, juristas, intelectuais, agitadores culturais, familiares e amigos.

 Fotos: Cláudio Abdon e Canindé Soares

 

Cultura

Rubens Lemos Filho lança livro sobre o ABC nesta quinta-feira (20)

O livro “O Rosto Alegre da Cidade”, do jornalista Rubens Lemos Filho, será lançado nesta quinta-feira na sede do Clube dos Radioamadores do RN, a partir das 19h. Com uma coletânea de 67 crônicas sobre alguns dos principais momentos do Mais Querido, o livro mostra a história do ABC a partir do olhar de um torcedor apaixonado.

A intenção do autor, em ano de centenário do clube, é compartilhar com os torcedores, principalmente, com os das próximas gerações, o futebol jogado pelo Mais Querido e a sua história. Um futebol que não existe mais. ““O mais importante é mostrar que tivemos vestindo a camisa do ABC jogadores que honraram a camisa do clube e times que honraram o distintivo do ABC”, diz.

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Cultura

Jornalista Rubens Lemos Filho lança livro de crônicas com memória afetiva da história do ABC‏

O jornalista Rubens Lemos Filho lançará, no próximo dia 20, o livro “O Rosto Alegre da Cidade”, o qual reúne 67 crônicas e extenso material fotográfico sobre momentos importantes da história do ABC. O lançamento acontecerá na sede do Clube dos Radioamadores do RN, a partir das 19h.

O livro, lançado através da editora Flor do Sal, traz um passeio pela memória afetiva de Rubens Lemos Filho, cuja história se confunde com parte da história do Mais Querido. Abecedista por influência do pai, o saudoso jornalista e comentarista Rubens Lemos, Rubinho acompanha o Alvinegro desde os sete anos de idade. Foi testemunha dos grandes jogos e das grandes equipes de um futebol que, em grande parte, não existe mais. “O Rosto Alegre da Cidade” é a expressão desse sentimento.

“Faço uma espécie de testemunho da convivência de um torcedor com o ABC. É o resgate de um tempo. Aí estão presentes os ídolos que foram meus ídolos, as grandes vitórias, as derrotas que chorei na arquibancada, os episódios que considero importante na história do clube, que eu vivi, e também os episódios que foram narrados pelo meu pai”, explica.

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Diversos

Desembargador convida e Rubens Lemos Filho aceita assumir a Comunicação do TJ

O Jornalista Rubens Lemos Filho é quem vai substituir a Jornalista Juliska Azevedo na Chefia de Comunicação do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. 

O convite partiu do próprio desembargador Cláudio Santos e foi aceito por Rubinho. 

A nomeação deverá sair até a próxima semana, quando Juliska deixa o órgão para assumir a Secretaria de Comunicação do Governo do Estado, após o pedido de demissão da Jornalista Geórgia Nery. 

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Um vento forte que faz falta

Por Rubens Lemos Filho, em seu blog hospedado no Portal No Ar:

Repórter aos 20 anos tinha( hoje não), inconseqûencia no lutar.

Aprender.

Em casa eu dispunha de meu pai, um professor.

Dignidade, qualidade, senhor texto.

Dele, escolha pessoal, o nome de batismo.

Desde a derrota de Radir Pereira para Jessé Freire ao Senado em 1978, derrota que fez o meu pai chorar, havia o sentimento de vindita.

A ditadura torturava nos porões e cortava esperanças nas sublegendas eleitorais.

Meninote, minha arma era uma uma baladeira e com ela derrubaria divisões alemães pela democracia.

Democracia foi um direito negado a mim.

Aos meus pais, trancaram as mínimas condições de sobrevivência.
Salvas por Aluízio e Agnelo Alves.

Meu pai, o epitáfio, estava longe do Rio Grande do Norte no tempo em que eu era do contra.

Contra o que restava de um período sofrido em nossas cicatrizes.

Os cataventos sopraram, o tempo girou e um baixinho, técnico, criativo, inteligência irmã de Aluízio Alves, venceu.

Era o Tambor das novas danças.

Geraldo Melo, grande campanha, maior que o governo, onde teve que conciliar com adversários em nome das circustâncias do poder, da governabilidade.

Poder que o enojava pelos malas bajuladores , que pela ternidade , formarão mediocridade adulatória e suprapartidária.

Eleito, mandando porque nasceu para mandar, Geraldo Melo bateu na porta de minha casa sem eu nem votar. Claro que ele não foi, mandou buscar.

Os jornalistas João Ururahy e Afonso Laurentino me alegraram com a bela notícia para o casado novo, crediário aberto e desde então, mesma família.

Fui convidado para ser repórter do governador repórter.

São quase três décadas, impolutos de araque.

….

Voltando ao tempo.

Aos 16 anos, sonhos no peito e rebeldia magriça, corri, corri atrás do Impacto Cinco na mais linda campanha eleitoral desde que sou vivente.

Geraldo Melo contra João Faustino.

Homens acima do radicalimo que ferveu.

Ao cumprimentar Geraldo, reafirmo a saudade de João.

Morto e indefeso.

A campanha de Geraldo Melo eletrizou quando ele reconheceu que perdia – por muito-, nas pesquisas e venceria olho no olho, voto a voto.

Discurso de macho, brabo e desafiado.

“Sopra. Sopra um vento forte/no rio grande do norte/ vento diferente/que traz alegria” assim começava.

” Agora encontra com Geraldo Melo/ Nova esperança pra a gente viver urra/esse vento traz Geraldo e a nossa sorte vai mudar/

O Tamborete na campanha mostra agora o seu valor( trecho de outra marcha de exaltação, como toda ela paupérrima na criação).

Atribuo ao governador, uns 28,5%( né assim, doença percentual?) da minha gastrite ulcerativa.

Implacável, impiedoso ao detonar o que não gostava.
Era ele, puro.

Um triturador nas cobranças.

Nos reencontramos em 1994.

Ele candidato a senador – eleito em primeiro lugar na chapa do governador Garibaldi Filho.

Quase puxa o sindicalista agricultor Fracisco Urbano.

Giramos o Elefante bovino de trás pra frente.

Discurso em João Dias, faroeste soturno a 400 km daqui.

Geraldo conversando com o eleitor.

Me atrevi.

Fui até ao locutor Ely Santos( craque de palanque) e comentei, dias depois do tetracampeonato.Fui também na corda do deputado estadual Leonardo Arruda:

– Ely, rapá, todo baixinho é enjoado e todo enjoado é Romário( ganhou a Copa carregando mais 22 nas costas) e Geraldo.

Ely, malandro, maior gestor de emocões polítcas, temperou o mote:

– Vai falar ele, o governador do leite, da segurança, da duplicação da Ponte de Igapó, vai falar o Romário Potiguar!

Gostou sem dizer. Um elogio de Geraldo Melo é tão normal quanto bater papo com Barack Obama.

Ajeitou a manga da camisa, deu 16 esbregues no conjunto musical e na assessoria, atitude tão corriqueira quanto um drible de Garrincha e pigarreou antes de recitar.

Geraldo não discursa, declama:

– Meus amigos de João Dias( eram inimigos e aderiram 24 horas antes), quem toma atitude libertária tem coração e quem tem coração, arranca o medo da caixa dos peitos. Vocês estão livres. E já que estão me chamando de Romário, ele é mais chato.

Desci do palanque pra tilintar o texto na máquina Olivetti Lettera 32( juntem Macboks) e prefiro ela, me olhando suplicante.

Ao tentar um lugar livre pra cuspir laudas, vi chorando homens rurais castigados pela seca da época.

Hipnotizados pela maior oratória depois de Aluizio Alves.

Tinha que dar esse depoimento.

Geraldo Melo está tomado por um desencanto natural da política.

Fez um bom governo.

Que não vi começar.

Que vi terminar, repórter novo e maravilhado nos papos de sábado.
Geraldo, João Ururahy(seu irmão transcendental), Zé Wilde, Afonso Laurentino Ramos, Benivaldo Azevedo, Luciano Herbert, Aluisio Lacerda.

Filho de exilado e a contragosto, perdi sua posse.

Lacrimejava ao telefone, de ouvinte a minha saudade renitente, mãe-avó Maria do Carmo Carneiro de Melo, comadre de Maria Eugênia, tia de Geraldo e madrinha de minha mãe.

Vovó morreu em 2011.

Quando viajei, 11/03/1987: virei exilado dolorido de tortura nostálgica em Cuiabá(MT), para onde fui me debatendo, resistindo,
Chorando.

O amor ao seu chão só tem valor na distância.

Natal é minha pátria e o meu distanciamento, é sossego aos 43 anos.

Hoje vivo em minha casa pelas viagens dolorosas que não escolhi.

E não fui, foram me levando, menção honrosa ao compositor Dosinho.

Dia 15/03/1987. Geraldo Melo implantava um tempo novo que lhe custou caro.

Dia 15/03/2014. Geraldo Melo faz falta à política.

Gosto muito dele.

Sou grato a ele. É abusado, eu sei.

Melhor que melífluos.

Haverá uma procissão de palanques saudosistas, pedindo pra ele voltar.

z

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Rubens Lemos Filho é o aniversariante do dia

O ilustre aniversariante deste sábado (20) é o Coordenador de Comunicação Social da Assembléia Legislativa do RN e colunista do Jornal de Hoje, o jornalista Rubens Lemos Filho.

Rubinho que integra a lista dos melhores jornalistas do Estado possui uma larga experiência no meio. Já passou pela Tribuna do Norte, Diário de Natal, InterTV Cabugi e Band Natal.

Foi secretário de Comunicação Social nos Governos de Garibaldi Filho e Wilma de Faria.

Herdou a veia jornalística do pai, Rubens Lemos.

A Rubinho que o blog admira, os nossos votos de Saúde, Paz, Sucesso…e vida longa.

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Homenagem à Rubens Lemos

Por Rubens Lemos Filho

O meu aniversário de 12 anos foi comemorado numa casa em que morávamos, de aluguel, como de hábito, na Rua Abelardo Calafange, em Morro Branco. Viver de casa em casa tem ao menos um consolo: Você varia, de acordo com a situação financeira. De arquitetura, pendura e aventura.

A casa, que ainda existe, tinha um jardim bem bonito, cuidado pela minha mãe com todo o capricho feminino. O sonho dela sempre foi de que papai comprasse a casa, mas o dinheiro não dava e a desculpa estava sempre na ponta da língua afiada e dribladora: A Inflação galopante deste Governo Figueiredo.

Parte do salário era destinada ao PT, que ajudou a fundar. Orgulhoso de hospedar Lula na casa da Abelardo Calafange , foi o primeiro candidato a governador do partido. Dos mais jovens “companheiros” jamais teve um reconhecimento verdadeiro. Digno. Recebeu o nome de um auditório numa sede que nem mais existe. Foi até melhor. PT no Poder, Papai teria infartado de desgosto com as peripécias de “Palofi”.

Então, fiz 12 anos e dispensei lancheiras por me achar homem feito embora nem adolescente autenticado fosse ainda. Recusei docinhos, porque já achava que era frescura, a homofobia de hoje.

Papai reuniu seus amigos boêmios, como sempre fazia aos fins de semana e comemoramos no domingo, com direito a cantores, eu com presentes que não eram bonecos de plástico ou carrinhos de corrida em miniatura.

Passei a receber calças compridas e camisetas com estampa de surfistas sobre as ondas havaianas, moda igual ao tênis All Star , o primeiro que ganhei.

A estrela da minha festa de aniversário chegou luminosa. Quando Assíria Seixas Lemos entrou, divina, sorriso de desmoronar arcadas gregas, todos passaram a observá-la. As mulheres, por ciúme, os homens, por admiração e desejo.

Assíria foi muito simpática, morava nos Estados Unidos e tinha vindo a Natal rever a família Lemos. Seu pai, Abelardo, irmão do meu.

Foi a primeira e única vez em que vi Assíria, a mulher que, muitos anos depois, faria um Rei chamado Pelé curvar-se à sua beleza mignon e de um dos rostos mais perfeitos que pude ver em 40 anos de idade. Antes da meia-noite, papai cantou Menino Passarinho, uma letra triste, falando de alguém que tinha vontade de voar. Terminei calado o aniversário.

O Vasco vencia o América(RJ) por 2×1, o ABC superava o Riachuelo por 3×0 no Castelão(O América seria tetra em 1982), o apurado de presentes havia sido bem razoável, mas chorei escondido. Travesseiro de cúmplice, o som daquela música de Luiz Vieira me perseguindo.

Hoje é quatro de junho, é sábado, mas não dá para soltar filipetas nem pensar num Cadillac. Há 12 anos, o tempo que eu completara na noite da estonteante prima Assíria, Rubens Lemos, pai, finalmente chegava ao lugar onde jamais teria cobradores atrás do dinheiro do aluguel atrasado: O túmulo da Quadra Santo Onofre, no Cemitério do Alecrim.

Ele morreu a 4 de junho, encerrando uma vida que oscila por definição no título de duas crônicas, escritas por amigos. Vicente Serejo, ao homenageá-lo, foi certeiro ao dizer que Rubens Lemos era a versão viva da Corda Bamba. Nascido para desaparecer. Agnelo Alves, padrinho de um dos meus irmãos, chamou-o de Militante do Sonho.

Papai não tinha planejamento, organograma, poupanças ou patrimônios materiais. Quimeras foram o seu oxigênio. Missões quixotescas lhe moviam para redemoinhos. Gastava uma feira inteira num almoço de domingo, voz rouca cantando sambas de Ataulfo Alves e Lupicínio Rodrigues.

Ele sempre foi e voltou. Saiu e entrou. No seu livro de memórias, É Tudo Verdade, o jornalista Ricardo Carvalho, um dos melhores de Pernambuco, conta que trabalhou com Rubens Lemos nos Associados em Recife, anos 1960.

Revela que papai foi demitido quando o diretor Antonio Camelo o descobriu esquerdista e imaginou que ele explodisse com bombas as oficinas do jornal. Fico rindo, hoje, no dedilhar do texto, ao pensar em papai manejando dinamites com mãos que produziam poemas, contos, reportagens.

Ricardo Carvalho afirma que ficou amigo de Rubens Lemos pela convergência de pensamentos e, exercitando o transcendental, carimba Agnelo e Serejo; “Rubens Lemos desapareceu como que por encanto.”

A Ricardo Carvalho direi um dia que papai, após exílio no Chile, caiu nas mãos do cruel coronel Cúrcio Neto, comandante do Dói-Codi em Recife. Rubens Lemos foi torturado durante 44 dias ininterruptos.

Sérgio Paranhos Fleury, o delegado de olhos brilhantes e ódio espumante, bateu muito em Rubens Lemos, codinome Teles. Papai teve todas as unhas arrancadas. Cúrcio Neto o espancava e lia a Bíblia para ele.

Papai se vingava de Cúrcio Neto cantando o trecho final de Bloco da Solidão, de Evaldo Gouveia e Jair Amorim. Gritava, formando um coral de dor no cárcere “Por isso, quando eu passar batam palmas pra mim!”.

Rubens Lemos, para ódio dos algozes, jamais delatou alguém. Sempre teve ojeriza a dedo-duro. Herdar sentimento assim, para mim é melhor do que ter recebido dele um condomínio.

Quando o internei, entregando-o aos cuidados dos médicos Luiz Alberto Marinho e Antônio Araújo, deles ouvi que não havia esperanças. Pediu-me um rádio de pilhas, “para ouvir os jogos do ABC”. Mesmo doente, ensinou redação a auxiliares de enfermagem que prestariam vestibular.

Pouco antes de ser hospitalizado e morrer, em conseqüência de problemas resultantes de cirrose hepática, Rubens Lemos voltou ao Castelão(Machadão). Morava na casa de minha Tia Ruth Lemos, na Zona Norte de Natal. Saiu escondido e entrou num ônibus fretado por torcedores do ABC.

Barba nazarena, visitou as cabines de rádio, onde discursou durante anos no estilo que o celebrizou como o Comentarista de Classe, pela vastidão cultural e conhecimento teórico que o colocaram sempre em primeiro lugar de audiência.

A foto que ilustra a coluna foi um primor técnico da revelação de um homem em despedida de tudo, cansado da luta, resignado e sem razões para viver, sem sonhos para movê-lo. Foto do repórter Teotônio Roque, além da imagem, uma perspectiva sobre a ternura derrotada.

Observem o olhar de Rubens Lemos para o Castelão(Machadão), que ele viu superlotado nos bons tempos. Parece uma troca telepática de confidências. Ele dizendo ao estádio que o seu tempo também acabaria, como no verso “De vez em quando é bom partir, porque afinal não se chega sempre”.

Rubens Lemos se foi no 4 de junho de 1999, quando o Machadão, inaugurado em 4 de junho de 1972, completava 27 anos.

Hoje é o Machadão quem agoniza para morrer, como aconteceu com aquele homem, cirandeiro da alegria, caminhante por destino. A qualquer hora, ouvirei para chorar, de novo, Rubens Lemos cantando Menino Passarinho.

Um dia, quem sabe, ele bate a porta, entra e pede um copo de Cachaça Caranguejo sem dizer de onde veio. Se for terça-feira, ótimo. Dia 7 ele faria 70 anos de vida

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O revés do parto, por Rubens Lemos Filho

O sorriso de Alan Almoedo postado em uma comunidade do site de relacionamentos Orkut é simplório. Alan está vestido com uma camisa de adolescente, aponta um olhar suave e expressivo e daquele olhar parece sair a confiança no que haveria daqui adiante.

Aprovado no vestibular de Direito da UFRN, Alan Almoedo orgulhou seus pais, comemorava a vitória de sua vida e o sonho se espatifou numa madrugada. O carro em que estava com outros amigos destruiu um lava-jato perto da AABB, no Tirol, área nobre da cidade.

A morte de Alan Almoedo, de 17 anos, é uma porrada em quem tem filho e sensibilidade mínima. Claro, os urubus de desgraça apontaram a irresponsabilidade como causa e a condição social de classe média, motivo para a tristeza que invadiu o domingo.

Quando morre um menino, quem já foi menino se vai um pouco. Tomei um susto ao acordar por volta das cinco da manhã, o que não é costume aos domingos, e, por instinto, acionar a internet pelo celular e ver imagens chocantes feitas pelo fotógrafo Canindé Soares, que deu uma aula de jornalismo e comprovou que notícia não obedece a horários de repartição pública.

Retornei no tempo, há 28 anos, num episódio que para mim é uma caixa-preta emocional. Na mesma avenida, um pouco à frente, perdi um grande amigo num acidente bizarro, noite de domingo de comemoração de título do Flamengo, naquele 29 de maio de 1983, o Flamengo de Zico, campeão brasileiro.

José Henrique Brandão Ramalho passou como um bólido em sua moto RDZ, uma máquina de então e chocou-se com vacas que desciam o Morro de Mãe Luiza e surgiram do nada em frente ao Estádio Juvenal Lamartine. Morreram José Henrique, o Piaba, 15 anos, e Cássio Felipe, seu garupa, 15 anos idem. Ver José Henrique no caixão com a farda do Marista será uma imagem inquietante até o fim dos meus dias.

Fiquei abismado de novo, aos 40 anos. Um grupo de adolescentes, sem a malícia que o tempo ensina e forma os doces malandros, arriscou numa ultrapassagem para lugar nenhum. Vários ficaram feridos e o cadáver de Alan me remeteu de imediato à dor dos seus pais, que sequer conheço, mas me sinto igual ,pois tenho filho na mesma idade e geração e também aprovado no vestibular desse ano.

Corri ao quarto dele. Que já estava de computador ligado e o telefone tocando para os seus amigos. O meu filho é um tímido e um tímido sofre em dobro. Carrega para dentro sua dor e um pai sabe enxergá-la no aspecto sombrio de uma face abatida.

Um dos seus melhores amigos, Guilherme Negreiros, estava no carro. Meu filho, contido, estava emocionado e ninguém mais do que eu para reconhecê-lo assim, ainda que se fizesse de forte como são donos do mundo todos os transitórios da juventude para a pragmática e irremediável condição de adulto. Guilherme Negreiros saiu ferido, meu filho o visitou e ainda está num abatimento calado.
Volto-me à sina dos pais. Sou daqueles que não dormem enquanto ele não chega, pergunto como ele está quando na rua pelo telefone a ponto de causar sua irritação. Imponho regras, sou obcecado com segurança e cuidados básicos. Nossos filhos precisam entender nosso sacrifício e saber que o cotidiano deles é bem diferente da criação que tivemos. Vivemos, hoje, para nos proteger sem descuidar do mal cada vez mais próximo, da mesa, da esquina, de casa, da festa, do show, da rua, da internet.

Um doce olhar de minha mãe-avó e eu sabia direitinho o meu lugar. Nunca apanhei dela. Convivi com nãos, me revoltei, mas assimilei o que desenho para Caio e Maria Alice, uma mocinha de 11 anos. A ela, digo sempre “todo cuidado com o computador.” Triste do pedófilo que um dia chegar perto da minha filha.

Sofro quando parte uma criança. Alan era um menino, como meninas eram Maisla e Maria Luiza, assassinadas em bairros pobres em crimes sexuais horrendos e ainda, principalmente no segundo caso, sem qualquer solução concreta. Sofro pelas mães que perdem seus filhos para o crack nas vielas em que nós, os cidadãos da Zona Leste, nem pensamos em pisar.

Aprendi, ainda, na própria pele, que consolar sofrimento dos outros é lenitivo inútil. Culpar famílias é covardia. Ser solidário, não. Aprendi também que dor não tem condição social. Imagine quando ela é o revés do parto, realidade dos pais de Alan Almoedo, musicada por Chico Buarque de Holanda.

Rubens Lemos Filho