23 de setembro de 2012 às 21:07

Bourne, pela quarta vez

Quem de nós nunca quis aperfeiçoar corpo e mente ao ponto de não mais adoecer e ter a capacidade de raciocínio ampliada até o máximo limite humano? Acho que ninguém. Partindo dessa premissa – e provavelmente da ânsia de lucrar com uma história que já rendeu muito para Hollywood- produtores conclamaram Tony Gilroy a escrever e dirigir outro capítulo da saga do agente Bourne. Dessa vez, sem ele.

O Legado Bourne é uma esticada no roteiro do último filme da seqüência de três – A Identidade, A Supremacia e O Ultimato Bourne – e ao mesmo tempo abre margem para uma nova trilogia. O agente treinado num projeto super hiper ultra secreto agora é Aaron Cross, representado por Jeremy Renner, de Guerra ao Terror. O legado deixado por Bourne para Cross é uma vida de treinamentos exaustivos, paranoia e a polêmica em torno da existência do projeto em si. Nada de novo.

O começo do filme é confuso e demora até que o espectador entenda se está assistindo às memórias do protagonista ou lidando com um novo personagem. Os cortes para cenas de O Ultimato Bourne facilitam essa confusão. Lá pela metade, o roteiro ganha autonomia ao abordar o aspecto científico dos experimentos realizados com os agentes e a ética – se é que ela existe – por trás desse tipo de experiência.   

Mas apesar da química inequívoca entre o protagonista e a Marta de Rachel Weisz, faltou algo de realmente diferente que justificasse ressuscitar a saga.  Bourne já inovou, e muito, no histórico de heróis modernos ao catalisar a capacidade inventiva de MacGyver e a paranoia acelerada dos tempos contemporâneos de Jack Bauer. Ele foi além, e os conflitos pessoais e os cenários impecáveis dos três filmes da trilogia superam, inclusive, a rasa série Missão Impossível, de Tom Cruise.

O que resultou da esticada foi um filme que pouco perdura na memória. No entanto, a aposta inicial provavelmente foi bem sucedida. Assim como eu, milhões devem ter ido aos cinemas esperando curtir a adrenalina que fizeram da trilogia Bourne um fenômeno de bilheterias. Mas o espectador mais desconfiado só pagará novamente o caro ingresso das nossas salas se conseguirem finalizar as negociações para Matt Damon retomar seu papel na série. Aí vai ser golpe baixo.

 



31 de agosto de 2012 às 09:14

Mais uma semana movimentada nos nossos cinemas

Semana cheia de novidades nos cinemas de Natal. Apesar da estreia de muitos blockbusters, temos umas boas surpresas, como a entrada definitiva em cartaz de Intocáveis e A Delicadeza do Amor. Vamos aos filmes?

Em ambas as redes da cidade chega o blockbuster Os Mercenários 2, com o trio parada dura Sylvester Stallone, Chuck Norris e Bruce Willis, acompanhados dos mestres da luta Dolph Lundgren e Jean-Claude Van Damme e, agora, com a companhia dos novatos Jet Li e Jason Statham. Ufa! Desta vez apelaram pra abocanhar mais bilheteria do público paraixonado por pancadaria.

 

Mas a boa é que também em ambas as redes chega Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo, drama dirigido por Lorene Scafaria com Steve Carell e Keira Knightley.

 

Na sessão CineCult, finalmente chega A Delicadeza do Amor, uma comédia romântica bem aos moldes dos franceses baseada em obra de David Foenkinos. Quando eu falo aos moldes franceses, refiro-me àquele tom entre a comédia e o drama que muito caracteriza os romances vindos daquelas bandas nos últimos tempos. A protagonista é representada, é claro, por Audrey Tautou.

 

E uma ótima novidade: entra em cartaz em defintivo no Moviecom o filme Intocáveis, que lotou as salas de cinema no Festival Varilux há duas semanas. Trata-se de um bela história baseada em fatos, sobre a amizade entre um cuidador contratado para acompanhar um playboy enquanto se recupera de um acidente de parapente. (Para quem questionou o uso da palavra “playboy” no último texto, esclareço que me referia ao personagem de François Cluzet, viu?)

 

No Moviecom ainda estreiam O Legado Bourne e Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros, em 3D. Bourne nós já conhecemos na pele de Matt Damon e, como mocinha, a Franka Potente. Agora tentaram resgatar a história do túmulo, com Jeremy Renner e Rachel Weisz. Gostei muito da trilogia Bourne, mas parece que Hollywood está realmente precisando de novos heróis.

 

Sobre Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros, com produção de Tim Burton, só posso dizer que me pareceu um misto de tentativa de abocanhar a legião de fãs dos vampiros com aquela mistura de História e ambiente sombrio de Burton. A direção é de Tim Bekmambetov.

 

Quem puder ir comentando aqui o que achou dos filmes, fique à vontade! Bom fim de semana a todos.



24 de agosto de 2012 às 08:13

Depois da tempestade, a calmaria

Depois da movimentadíssima semana passada nos cinemas – fiquei sem ingresso para o festival Varilux por duas vezes! – nesta sexta temos apenas duas estreias. Na verdade, entra definitivamente em cartaz O Ditador, de Sacha Baron Cohen, que teve sessões de pre-estreia no Moviecom na semana passada. E chega também o musical Rock of Ages.

Quanto a O Ditador, apesar de ainda não ter tido a oportunidade de ver, ouvi comentários a respeito da “fórmula” de Baron Cohen. O ator e roteirista fez um sucesso tremendo com Borat, repetiu o modelo de paródias com Bruno, e agora chega com um ditador. Será que já cansou mesmo ou o filão tem sempre seu espaço? Confesso que não gostei do humor de Borat, mas o novo personagem me pareceu muito engraçado.

Rock of Ages tem uma sinopse que a princípio me soou como Um Sonho, Dois Amores (alguém lembra desse filme?). Apesar da ideia batida – um garoto da cidade e uma garota do interior se conhecem na Sunset Strip enquanto ambos correm atrás de seus sonhos em Hollywood (!), chamou a minha atenção por dois motivos: tem clássicos do rock revisitados na trilha e pelas atuações de Alec Baldwin, Paul Giamatti e Tom Cruise, que me pareceram interessantes pelo trailer. É a versão para os cinemas de um musical da Broadway.

Quem tiver visto algum dos filmes da semana passada, por favor, comente! Tenham um bom fim de semana!



19 de agosto de 2012 às 19:37

Saldo do Festival de Cinema de Gramado

Ontem (18), a organização do 40º Festival de Cinema de Gramado fez a entrega dos prêmios do júri e do público aos melhores deste ano no cinema latino-americano. Reconheço que raramente dou atenção ao Festival de Gramado; não porque não seja um festival importante – Gramado tem uma tradição inegável. Mas as minhas ressalvas se referem à circunstância, primeiro, de que a seleção dos filmes é de um conservadorismo que já não cabe mais. As vanguardas raramente entram em Gramado. Segundo motivo é que é um festival feito mais para agradar pessoas do que para reconhecer qualidades artísticas. E em “pessoas” está incluído o próprio público, que se acotovela para ver os globais no tapete vermelho.

Pois faço este post hoje porque muito me chamou a atenção o fato de que ontem vários dos prêmios foram atribuídos a dois filmes de cineastas jovens do Nordeste, em seus primeiros trabalhos. E eles são as exceções que confirmam a regra. Mas primeiro, a regra.

Pedro Bial levou o prêmio de melhor roteiro por Jorge Mautner: o Filho do Holocausto. Sobre esse filme, que vi no Festival de Cinema de Recife, falei aqui. Considero, portanto, um tanto surreal essa premiação – achei o roteiro bastante irregular. Outro exemplo da regra: para que dar os principais prêmios do cinema estrangeiro a um uruguaio que fez toda sua carreira no Brasil? Para mim, Cesar Charlone é brasileiro! Terceiro exemplo: o júri da crítica e o júri popular escolheram como melhor longa O Som ao Redor, mas o prêmio de melhor filme foi para Colegas, um filme politicamente correto que fez sucesso entre o público nas exibições. Isso sem falar naquela categoria “menção especial”, que mais parece uma desculpa para mencionar alguém para quem não sobrou prêmio.

Bom, mas o melhor – as exceções – ficou por conta de Marcelo Matos de Oliveira e Wallace Nogueira, do curta baiano Menino do Cinco, e para Kleber Mendonça Filho, de O Som ao Redor. Foi fantástico ver o discurso dos meninos da Bahia destacando o quanto é difícil fazer cinema do Brasil – e como sofrem aqueles que não são “amigos do rei”. E é um orgulho ver o filme do Kleber premiado, já que ele era até um dia desses crítico de cinema, e estourou com o curta Recife Frio. Para que a gente aguarde com ansiedade a estreia desses filmes dos nossos vizinhos, eu deixo vocês com o trailer de O Som ao Redor, do Kleber Mendonça Filho (não consegui o de Menino do Cinco) e, ao final, com a lista completa de vencedores.

(Obs.: Quero ver O Som ao Redor pra ontem!!)

 

 

Vencedores do 40º Festival de Cinema de Gramado :

Longa-metragem brasileiro

Melhor Desenho de Som – “O Som ao Redor”
Melhor Trilha Musical – “Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now!”
Melhor Direção de Arte- “Colegas”
Melhor Montagem – “Jorge Mautner – O Filho do Holocausto”
Melhor Fotografia – “Jorge Mautner – O Filho do Holocausto”
Melhor Roteiro – “Jorge Mautner – O Filho do Holocausto”
Melhor Atriz – Fernanda Vianna de “O Que Se Move”
Melhor Ator – Marat Descartes de “Super Nada”
Prêmio Especial do Júri – Ariel Goldenberg, Breno Viola, Rita Pokk de “Colegas”
Melhor Longa Júri Popular – “O Som ao Redor”
Melhor Diretor – Kleber Mendonça Filho de “O Som ao Redor”
Melhor Filme – “Colegas”

Júri da Crítica

Melhor Curta-metragem – “Menino do Cinco”
Melhor Longa Estrangeiro – “Artigas, La Redota”
Melhor Longa Brasileiro – “O Som ao Redor”

Longa-metragem Estrangeiro

Melhor Fotografia – “Leontina”
Melhor Roteiro – “Vinci”
Melhor Ator – Jorge Esmoris de “Artigas, La Redota”
Menção Especial – “Vinci”
Melhor Longa Júri Popular – “Artigas, La Redota”
Melhor Diretor – Cesar Charlone de “Artigas, La Redota”
Melhor Filme – “Artigas, La Redota”

Curtas-metragens

Melhor desenho de som – “Casa Afogada”
Melhor Trilha Musical – “Funeral à Cigana”
Melhor Direção de Arte – “Casa Afogada”
Melhor Montagem – “Di Melo, o Imorrível”
Melhor Fotografia – “Casa Afogada”
Melhor Roteiro – “Menino do Cinco”
Melhor Atriz – Sabrina Greve, de “O Duplo”
Melhor Ator – Thomas Vinícius de Oliveira, de “Menino do Cinco”
Prêmio Especial do Júri- “A Mão que Afaga”
Melhor Curta Júri Popular – “Menino do Cinco”
Melhor Diretor – Gilson Vargas, por “Casa Afogada”
Melhor Filme – “Menino do Cinco”
Prêmio Canal Brasil – Melhor Curta – “Menino do Cinco”



17 de agosto de 2012 às 10:23

Confira o que estreia hoje nos cinemas de Natal

Semana bem movimentada nos nossos cinemas. O festival Varilux começa hoje e vai até o dia 23. Estreiam também A Separação, filme iraniano vencedor do Oscar 2012 na categoria melhor filme estrangeiro, e 360, volta de Fernando Meirelles à direção numa produção internacional. Vamos a um resumo dos filmes?

Primeira estreia de hoje é O Vingador do Futuro, mais uma adaptação para os cinemas do conto We Can Remember It For You Wholesale, de Philip K. Dick. Outra adaptação já havia sido feita em 1990, com Arnold Schwarznegger, e o mote da história parte do pressuposto de que no futuro uma empresa de tecnologia poderá realizar suas fantasias de uma forma mais realista que um sonho. Claro que tudo dá errado uma hora, né? E é aí que começa o thriller com Colin Farrell.

 

A segunda estreia é Outback – Uma Galera Animal, animação que tem como personagem principal um coala albino que troca o conforto do cativeiro por uma aventura nos rincões da Austrália. O filme foi produzido pelos mesmos animadores de Garfield, e me parece ser perfeito para o fim de semana da garotada.

 

Hoje ainda entra em cartaz Um Divã para Dois, comédia “romântica” com Meryl Streep, em que ela interpreta uma mulher de meia idade entediada com o casamento. Na tentativa de  salvá-lo, a personagem Kay recorre ao dr. Bernie, famoso terapeuta de casais. Apesar de ser dirigido por David Frankel, de O Diabo Veste Prada, não me parece ser o melhor dos filmes feitos pela Meryl Streep.

 

Na sessão CineCult, finalmente chega a Natal A Separação, drama iraniano que liga uma série de histórias pelo eixo do conflito. A trama base é a de um casal que passa pela difícil decisão de sair do país para criar o filho ou prestar assistência a um parente idoso. A partir daí, uma série de acontecimentos parecem só agravar a situação.

 

Ainda estreia 360, direção de Fernando Meirelles e inspirado na peça La Ronde, do dramaturgo Arthur Schnizler. O filme também traz uma série de histórias, e elas se passam em diferentes lugares do mundo, com atores tão tarimbados quanto Anthony Hopkins e Rachel Weisz. Sobre o processo criativo de Fernando Meirelles para este filme, eu comentei aqui.

 

E em duas sessões de pré-estreia, O Ditador, de Sacha Baron Cohen, que ficou famoso com o personagem Borat. Neste filme, Cohen parodia um ditador de um país árabe que chega a Nova York para discursar na ONU.

 

Por fim, começa hoje e vai até a próxima quinta (23) o Festival Varilux de cinema francês. A programação completa para Natal e as sinopses dos filmes você encontra aqui. Eu recomendo Intocáveis, sobre a amizade entre um playboy e um cuidador contratado para acompanhá-lo enquanto se recupera de um acidente de parapente.

 

E aí, preparados para o fim de semana?

 



03 de agosto de 2012 às 14:52

O que chega às telonas no fim de semana

Duas estreias simultâneas nas duas redes, uma boa novidade na sessão CineCult e uma revisão de um filme nacional. Este é o saldo do fim de semana nos cinemas da capital potiguar.

A primeira das estreias, 31 Minutos, é uma produção Brasil/Chile que chega com boa distribuição, estreando simultaneamente na maioria das capitais do país. Por ser um filme com bonecos, primeiramente pode aparentar agradar às crianças, mas só pelo trailer me pareceu que está muito além de algumas comédias nacionais que tenho visto. Acho que vale muito a pena tentar. A trama promete aventura, suspense, romance.

Hoje estreia também Katy Perry – Part of Me 3D, que a cantora veio lançar no Brasil há alguns dias. De acordo com a sinopse, o filme foi gravado em segredo durante a turnê de Katy no final do ano passado. Acho isso bem difícil, mas de qualquer forma me parece uma boa experiência não só para fãs mas também para quem tem curiosidade de entender a formação de um artista.

Na Sessão CineCult do Cinemark, Deus da Carnificina, adaptação da peça de Yasmina Reza por Roman Polanski. Tratando de dois casais que tentam resolver uma briga de crianças, o que interessa de fato neste filme, a meu ver, é o exercício de admirar e comparar atuações – algumas sensacionais e outras irregulares. Com Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly.

E retorna aos nossos cinemas As Aventuras de Agamenon, o Repórter, no que parece ser a primeira de uma série de reestreias de filmes nacionais, a sessão Replay. Só para relembrar, Agamenon é um personagem fictício que assinaria uma coluna no jornal O Globo. O filme conta com as atuações de Marcelo Adnet e os cassetas Hubert e Marcelo Madureira.

E então, o que acham dessas estreias/reestreias?

*Atualizado às 16h47.



27 de julho de 2012 às 10:19

“Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge” finalmente em cartaz

A única estreia desta sexta-feira é a aguardada última parte da trilogia Batman – O Cavaleiro das Trevas, dirigida por Christopher Nolan. Em Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, Bruce Wayne ainda vive em seu ostracismo depois de ter assumido a culpa pela morte do promotor Harvey Dent. Ele tem um novo vilão para enfrentar, e uma nova gatuna, desta vez interpretada por Anne Hathaway – que, dizem, dá um show!

Para os que querem uma alternativa, ainda há a Mostra Cinema e Música Brasileira, organizada pelo Cineclube Natal e que está rolando lá em Nalva Melo Café Salão. Hoje será exibido Loki – Arnaldo Batista, do qual já falei aqui, amanhã tem Titãs – A Vida até Parece uma Festa, com pocket show de Esso, e no domingo a programação fecha com Uma Noite em 67. A mostra tem recebido um público considerável, e sobre a experiência de ter sido curadora pela primeira vez falarei em outro post. Aguardem. E apareçam!



20 de julho de 2012 às 09:45

Confira o que estreia nesta sexta nos cinemas

A semana começa com um suspense quase terror, gênero que tem se tornado frequente nos últimos anos. Chernobyl, o filme, conta a história de jovens que fazem um tour pela cidade ucraniana de Pripyat, onde ocorreu um acidente nuclear há 26 anos. A cidade está abandonada e os seis amigos começam a perceber a presença de seres bizarros. O roteiro é batido, mas o filme promete muitos sustos – para quem gosta.

Há também uma estreia interessante na sessão CineCult: Diário de um Jornalista Bêbado, com roteiro baseado em livro de Hunter Thompson. Aqui, Johnny Depp – que já deu vida a outro personagem de Thompson em Medo e Delírio – interpreta um jornalista que foge da Nova York dos anos 50 para viver uma vida “paradisíaca” em Porto Rico.

O esperado Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge terá uma sessão de pre-estreia na quinta-feira às 23h55, no Cinemark. Já o Moviecom vende ingressos antecipados para as sessões a partir da estreia, na próxima sexta-feira (27).

Preparados para o fim de semana?



18 de julho de 2012 às 22:57

Para Roma, Com Amor

Em dezembro deste ano, Woody Allen soprará sua 77ª velinha. Ao longo de quase oito décadas, o cineasta, roteirista, ator, produtor, escritor e músico (!) já realizou, na direção, pouco mais de 40 filmes – sem falar naqueles feitos para a TV. Como roteirista, são quase 70 títulos. Não é difícil conseguir esses números, mas eu os trago aqui com uma finalidade bem definida: de quem já escreveu mais de um filme por ano, em sua vida adulta, deve-se esperar que se faça uma obra espetacular a cada dez anos, não mais. E Woody Allen já fez bem mais que isso.

Toda essa introdução é para dizer que, apesar de eu ser fã do diretor, achei Para Roma, Com Amor, o mais recente, um filme comum. Comum para os clichês do Woody Allen, claro. Os elementos que se repetem em seus roteiros – o fissurado por arte, o confuso com o casamento, o frustrado com o envelhecimento – estão todos lá. É como se víssemos em cada personagem um Woody Allen de outro filme. Não há o ineditismo da abordagem das relações como em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. Nem a ironia de Zelig. E o escracho de O escorpião de Jade? A nostalgia de A Era do Rádio? Muito menos o perfeito encadeamento de histórias de uma obra bem recente, Tudo Pode Dar Certo.

Em Para Roma, Com Amor, as historinhas se cruzam, mas parecem pouco ligar umas para as outras. Os atores estão pouco à vontade – com exceção de Alec Baldwin – e aquele mote do clima de cidade europeia que faz os outros se apaixonarem está bem melhor em Meia-Noite em Paris ou Vicky, Cristina, Barcelona. Só imagino que tenha sido mais um filme para complementar seu périplo pelas cidades europeias e brincar novamente com o roteiro de histórias que se entrecruzam com atores com quem ele gosta – ou sempre quis – trabalhar. Do que trata o roteiro? Ah, nem lembro mais.

 



13 de julho de 2012 às 19:24

O Espetacular Homem-Aranha: um reboot que valeu a pena

Há algumas semanas li no twitter um post da Ana Maria Bahiana que recomendava um bom texto explicando porque valia a pena fazer um reboot. (Primeiro, explico: reboot é quando a sequência de uma série de filmes é interrompida, como Batman 1, 2 e 3, para dar lugar a uma nova produção, com a mesma história do primeiro filme, mas com diretor, atores e todo o resto diferentes.) Resumindo, ela dizia que reboots eram interessantes porque mais baratos (!) e porque atraíam um público mais jovem, que não tinha visto os outros filmes.

Achei o segundo argumento convincente, apesar de considerar que Hollywood já abusou – e muito!  – de histórias em quadrinhos para decidir fazer um reboot de O Homem-Aranha. Por pura curiosidade e pra trazer pra vocês uma impressão disso tudo, resolvi então ir ver a nova empreitada. E me surpreendi. Positivamente.

A primeira coisa que se nota de cara é que Andrew Garfield é um Homem-Aranha muito mais convincente que Tobey Maguire. Ele tem jeito de nerd mas não tem cara de bobo, como o Tobey, e conferiu à trama uma agilidade e jovialidade pouco vistas nas adaptações de quadrinhos nos últimos anos. Ouso dizer que ele se saiu melhor que Christian Bale como Batman (não porque Bale não esteja bem, ele é ótimo ator; mas Garfield é mais “adequado”).

Também se destaca a mocinha, claro. Emma Stone está em um ótimo momento e dá densidade ao papel de Gwen Stacy (a Mary Jane). O casal tem uma química incrível (também são um casal fora das telas) e o fato de ela ser estagiária em um grande laboratório de experiência genéticas torna tudo mais interessante. E nisso entra outro fator: apesar de a sequência de fatos seguir o que já havia sido feito, algumas circunstâncias são diferentes e incrementam a trama. Aquele eterno conflito entre o pai da mocinha e o mocinho, neste caso, tem um colorido todo especial.

Por fim – para não correr o risco de falar muito – preciso dizer que a direção de Marc Webb deu novos contornos a essa adaptação. Talvez não com o mesmo brilho de Chritopher Nolan, mas com muito mais que Sam Raimi, o diretor da série anterior, Webb, conhecido pela comédia romântica 500 Dias com Ela, utilizou bem artifícios como a música pop, o humor e uma linguagem científica avançadinha para fazer um filme com ritmo de videoclipe. Ele me mostrou, de fato, porque vale a pena fazer um reboot: para realizar algo muito melhor.