J. Edgar: a história que a História não contou
Numa das primeiras cenas de J. Edgar, o garoto John se aproxima do local do atentado contra o Procurador Geral Mitchell Palmer e vasculha os papeis que voam pelo cenário do crime, buscando provas que possam incriminar os anarquistas, que teriam plantado a bomba na casa do Procurador. John já tinha 24 anos, era funcionário do Departamento de Justiça, mas é como garoto que Palmer se refere a ele. Um garoto bisbilhoteiro.
John se especializaria em bisbilhotar a vida de anarquistas e estrangeiros nos anos seguintes e sua fama o levaria de mero funcionário do Departamento de Justiça a ser o primeiro diretor do recém criado FBI (Federal Bureau of Investigation), que se tornou, em 48 anos sob o seu comando, o mais bem estruturado departamento de investigação criminal do mundo.
Foi precisamente bisbilhotando que ele se manteve esse tempo todo no mais alto cargo do FBI – isso já se sabia. Mas pouco se sabia sobre o que levou Hoover a perseguir obsessivamente presidentes, comunistas, estrangeiros e militantes dos direitos civis. Em J. Edgar, Clint Eastwood mostra como o “dono” do FBI foi bem sucedido em introduzir a ciência na investigação policial que até então transpirava amadorismo. Mas mostra também como se formou o metódico, preconceituoso e neurótico John Edgar.
Garoto dependente da aprovação intelectual e afetiva da mãe, John Edgar nunca conseguiu viver plenamente o amor que alimentou a vida inteira por seu assistente, Clyde Tolson. Também nunca conseguiu se livrar da pecha de não ter prendido, com as próprias mãos, os criminosos que investigava. Não era necessário colocar a mão na massa, mas os americanos queriam o espetáculo.
Ao final da projeção, a impressão que se tem, contada a história do ponto de vista de Hoover, é que aquele garoto bisbilhoteiro se tornou um velho digno de pena, recalcado e em descompasso com seu tempo. Perdeu a medida dos meios, apelando inúmeras vezes para a ilegalidade, em nome da proteção de uma nação dona de uma moral que não tolera gente como ele. Se valeu a pena? Ao que me parece, para uma pessoa como ele, por mais que soe contraditório, os meios eram mais interessantes que os fins.
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- Kamila 8 de fevereiro de 2012 às 19:54
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J. Edgar Hoover é, sem dúvida, um personagem muito interessante. Eu só acho que o filme do Clint Eastwood não conseguiu equilibrar bem a grande dicotomia desse personagem (um homem temido no trabalho, mas que não tinha a coragem, em sua vida privada, para se assumir pelo que ele era e para se livrar das amarras de uma superproteção materna).
O filme é muito bagunçado e a maquiagem estava horrível e atrapalhou, na minha opinião, o trabalho dos atores. No final, apreciei MESMO foi a atuação do Armie Hammer.
- Fábio 10 de fevereiro de 2012 às 1:35
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Olá Tatiana, gostaria de saber, já que você tem contato com o pessoal dos cinemas aqui em Natal, quando será a estréia de RED TAILS, o novo filme do George Lucas, porque olho no site dos cinemas e não falam nada sobre o lançamento, não existe absolutamente nada sobre esse filme. Obrigado
- Sylvia Lopes 10 de fevereiro de 2012 às 10:37
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Completamente ignorado pela Academia, este ótimo filme é uma verdadeira aula de história dos EUA, e nem um pouco chata! Abrange um período bastante importante para o país, quando a ameaça reinante eram os comunistas. Cobre também o período das guerras mundiais, a discriminação racial, a era Kennedy, e por fim, o governo Nixon. Devo estar esquecendo algo, pois o filme possui alta concentração de temas e personalidades históricas. A caracterização de Leonardo DiCaprio é elogiável, há tempos este ator entrou no rol dos grandes nomes. A direção de Eastwood é competente, mas isso já era esperado, afinal, deste ótimo profissional só se pode esperar coisa boa. Fotografia, roteiro, montagem, como pode uma obra dessa não ter sido lembrada? Como ponto negativo, destaco o péssimo trabalho de maquiagem, que ficou uma verdadeira aberração. Mais uma cinebiografia de um dos grandes nomes da história, um sujeito com sérios problemas psicológicos, dominado pela mãe, e sobretudo, um solitário e reprimido homossexual. Um filme que deve ser lembrado e várias vezes conferido. Muito bom!