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DicasInternacional

Intercâmbio depois dos 50

Existe idade para fazer intercâmbio? Se você acha que sim, está na hora de deixar esse pensamento para antes de 2018.

Nos últimos anos, foi registrado um crescimento de aproximadamente 20% no intercâmbio para a faixa etária acima dos 50 anos, de acordo com a CI Intercâmbio e Viagem. Estudar no exterior não é coisa de jovem, não há uma idade correta para viver novas experiências. Muitas vezes, a estabilidade financeira é um fator facilitador, em outros casos, aprimorar o idioma para se destacar ainda mais no trabalho pode ser o estímulo necessário.

Para Candida Elisa Borella, de 56 anos, a oportunidade de fazer o intercâmbio veio com a aposentadoria. “Sempre quis ter uma experiência no exterior mas não pude fazer isso na adolescência, e a vontade cresceu quando me aposentei. Escolhi o curso intensivo, com aulas de manhã e à tarde. Queria estudar o máximo possível para aproveitar bem minha viagem”, comenta.

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Os destinos mais procurados pelo público da terceira idade são Canadá, Inglaterra, Espanha, Itália e Malta. A escolha de Candida Elisa foi pela cidade de Victoria, no Canadá, por ser uma cidade pequena e bonita. Optar por destinos menores ajuda na hora de treinar o idioma. Geralmente os moradores locais disponibilizam mais tempo para conversar, o que torna a experiência ainda mais proveitosa.

As conquistas são muitas para quem faz o intercâmbio na terceira idade, principalmente na questão pessoal. Além de aprender um segundo idioma e conhecer novas pessoas, ele vai viver uma experiência única, que muitas vezes não conseguiu ter na juventude.

E a Candida não quer parar, tem um projeto de conhecer três países com o esposo quando ele se aposentar também. “Não deixe que a questão da idade seja uma desculpa, pois, sem sombra de dúvida, isso não é um empecilho”, aconselha a intercambista.

Espero que essa história seja um estímulo e um exemplo para você, seus pais, amigos, avós e quem mais tiver interesse no assunto.

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San Telmo, meu bairro preferido em Buenos Aires

Morei em Buenos Aires entre 2012 e 2013 e posso dizer que San Telmo é o meu bairro do coração. Ele tem ares de Ribeira, se comparado a Natal. Só que revitalizado, com muitos bares, cafés, restaurantes, muita vida! Sempre foi meu bairro preferido na cidade e hoje vou contar um pouco sobre ele pra vocês.

San Telmo é um dos bairros, mais antigos da cidade e se mostra para os visitantes desavisados como um grande corredor formado por mais de vinte quadras de feirinha no fim de semana, mas, além disso, guarda inúmeras outras atrações entre suas ruas de paralelepípedos com casarões históricos.

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Durante os dias de semana, San Telmo é um bairro comum com pequenos restaurantes, chinos (que nós conhecemos por mercadinhos), alguns escritórios funcionam nos edifícios, mas no geral o bairro é bem residencial.

Quando a noite se aproxima o clima começa a mudar. Parece que ao acender das luzes alaranjadas dos postes surge um novo bairro. Os restaurantes se tornam barzinhos, assim como os cafés. Os bares famosos por seus happy hours ou cervejas artesanais abrem suas portas para receber grandes grupos de amigos, que se reúnem para tomar uma cerveja, ou um Fernet, depois do expediente. San Telmo ganha ares de boemia.

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Não importa muito se é dia de semana. Na verdade o que permite diferenciar os dias úteis dos demais é se os bares estão cheios ou lotados. Portenho gosta de happy hour! Por volta das 19h os escritórios e lojas fecham e o pessoal se reúne pra uma cervejinha. O copo tradicional que se oferece é de 500ml. Meio litro. Eles chamam de “una pinta” e em quase todos os bares da cidade você tem promoções de pague uma e tome duas até cerca de 21h.

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San Telmo tem uma atração que é muito visitada no domingo e na semana tem atraído cada vez mais turistas: A Plaza Dorrego. No cruzamento entre as Calles Defensa e Humberto Primo, a pracinha, que no final de semana é tomada por barracas de antiguidades, revela um ambiente romântico e agradável.

Mesas de madeira com velinhas acesas e guarda-chuvas tomam conta do espaço. No centro da praça, música ao vivo. Ao redor dela, muitos bares. O som varia entre o típico tango portenho, cantado ao vivo e sempre acompanhado por um belo casal de dançarinos, até músicos que tocam grandes clássicos do rock em blues e jazz.

As Milongas não poderiam não estar presentes nesse bairro. De enorme importância turística e histórica, elas são casas de tango diferentes das que os turistas geralmente frequentam em suas visitas a Buenos Aires.
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Esses ambientes são frequentados por portenhos nativos, um espaço da cidade ainda não descoberto pelo grande turismo. Elas oferecem bebidas e comidas como os tradicionais lugares aonde se vai para dançar, mas com a diferença básica de que lá o foco é realmente a dança.

As mesas ficam pertinho das paredes, para ocupar pouco espaço no salão. As apresentações geralmente começam por volta das 22h ou 23h. Mas antes disso, uma oportunidade para os que querem se aventurar no tango argentino: aulas de dança. E todos participam. Jovens, adultos, profissionais, amadores, com ou sem roupa apropriada. O que importa é tentar de verdade.

Depois de saber o que o bairro oferece de bom na semana, vamos falar finalmente da famosa Feira de San Telmo.

Todos os domingos, por volta das 9h da manhã, tendas são montadas por toda a extensão da Calle Defensa, desde a Plaza de Mayo até a Plaza Dorrego. Artesãos de todos os cantos de Buenos Aires expõem seus produtos para os milhares de visitantes que caminham pela Feira.

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Não há como especificar o que se vende por lá. Antiguidades, roupas, sapatos, artigos de couro, echarpes, chapéus, pinturas em tela, fotografias, artesanato, souvenis, tudo isso e muito mais reunido nas vinte quadras que a feira ocupa. Ou ocupava. Hoje, o sucesso e a disputa por espaço são tão grandes que todas as ruas que cruzam a Calle Defensa, até a Plaza Dorrego, já possuem exposições de produtos.

A Feira só acaba por volta das 17h, é um programa para o dia inteiro. Você pode aproveitar uma parada no cruzamento da Chille com Defensa para tirar uma foto com a estátua da Mafalda, que fica sentadinha num banco de esquina, pode descer na Carlos Calvo para conhecer o Mercado de San Telmo ou almoçar em um dos diversos restaurantes instalados na própria Calle Defensa ou nas proximidades.

Quem sabe na sua próxima viagem para Buenos Aires você não se hospeda em San Telmo?!

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Degustação de vinhos na África do Sul, um breve relato

Essa semana vou contar pra vocês um pouco da minha experiência na África do Sul, em 2015. Vou adiantar que não vamos falar de savanas, animais exóticos nem nada do tipo (infelizmente). Fui a trabalho, fazer uma matéria especial sobre degustação de vinhos na região de Cape Town (ou Cidade do Cabo).

Pra quem não sabe a África do Sul possui uma Rota dos Vinhos que tem a Cidade do Cabo como ponto de partida e inclui as cidades de Stelenbosch, Franschhoek e Paarl. Eu passei pelas 3 primeiras em um roteiro super rápido, mas bem proveitoso de 5 dias que eu vou contar um pouco pra vocês. Vamos lá?

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Cape Town vista do alto da Table Mountain, uma das Sete Maravilhas Naturais do Mundo. 

Embarquei no Terminal 3 do Aeroporto Internacional de Guarulhos, rumo ao O.R. Tambo Internacional Airport, em Joanesburgo, capital da África do Sul. Após um voo de aproximadamente 8h e uma conexão doméstica de mais 2h, de Joanesburgo para Cidade do Cabo, fui recebida pelo guia local.

Assim que cheguei, entre 12h e 13h, dei entrada no hotel e logo depois do check-in, saí para o meu primeiro passeio turístico pela cidade, nada menos que conhecer uma das Sete Maravilhas Naturais do Mundo: a Table Moutain.

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A montanha teve o seu teleférico inaugurado em 1927, com capacidade para 25 pessoas por subida. Após uma reforma em 1997 aumentou sua capacidade para 65 pessoas por viagem, em uma moderna estrutura redonda giratória, que permite uma visão ampla para todos os passageiros. Hoje, o teleférico transporta, das 8h às 21h, 800 pessoas por hora, em dias normais. Quando há muito vento ou tempo fechado o acesso é fechado. O passeio custa 225 rands, cerca de 65 reais.

Em seu ponto mais alto, a Table Mountain tem 1.086 m de altura e proporciona uma vista de tirar o fôlego. Além de toda a Cidade do Cabo, com 2.554 m2 de extensão e 3,5 milhões de habitantes, podemos observar a Robben Island, local onde o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, esteve preso por 18 anos. Uma curiosidade, é que a Ilha se tornou atração turística e hoje os guias responsáveis pelos passeios no local são antigos presos políticos, afinal, quem a conhece melhor do que eles?

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Do topo de Table Mountain dá para avistar Robben Island, onde Nelson Mandela ficou preso por 18 anos. Hoje o presídio, que fechou, virou atração turística. 

A montanha é só o começo do Table Mountain National Park, que se estende até o Cabo da Boa Esperança, na ponta mais sudoeste da África do Sul. Considerado patrimônio natural pela UNESCO, com 221 km2, o parque abriga uma fauna rica somente encontrada no local. Vários mirantes permitem aos turistas fotos incríveis. As lojinhas de produtos turísticos oferecem todos os tipos de souvenir sobre a Table Mountain.

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Levei um dia inteiro nesse passeio, voltei para o hotel Cape Grace, onde estava hospedada. Com uma vista privilegiada para a marina internacional de Cape Town, o hotel está localizado dentro do complexo Victoria & Alfred Waterfront, considerado a atração mais visitada da África do Sul e um dos portos em operação mais antigos do país. É uma grande área que reúne restaurantes, cafés, hotéis, condomínios residenciais, prédios comerciais, shopping center, marina, estaleiro, mercado de artesanatos, museus e áreas de lazer e entretenimento.

No dia seguinte pela manhã, ao abrir a janela do quarto, além dos veleiros, lanchas e iates, fui surpreendida por uma foca que descansava e tomava sol logo bem na frente da minha suíte.

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No meu tour do dia precisei me afastar cerca de 1h do centro de Cape Town para chegar até o povoado de Franschhoek, uma região famosa pelos excelentes vinhos e pela gastronomia impecável.

O local, antes habitado por elefantes, foi chamado por muito tempo de Oliphants Hoek (esquina dos elefantes), mas em 1688 os Holandeses, colonizadores da região, doaram as terras aos franceses, para que desenvolvessem vinhedos no local, que hoje é chamado de Franschhoek (esquina francesa).

Tomei um pequeno bonde no centro de Franschhoek (200 rands), no qual percorri três vinhedos até chegar ao meu destino: a fazenda Grande Provence, que produz vinho há 35 anos em seus 30 hectares de área. A Provence apresenta aos seus visitantes dez diferentes tipos de vinhos e vende aproximadamente 58 mil garrafas por ano, com uvas compradas (60%) e produzidas no vinhedo próprio (40%).

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O local conserva a construção original de um de seus espaços, que hoje é utilizado para realização de eventos. Além deste, há doze anos a área construída da fazenda foi ampliada dando origem a um restaurante, uma galeria de arte, uma hospedagem e um belo jardim para degustação de vinhos. Tive a oportunidade de degustar quatro tipos produzidos no local. Muito phyna! Anotei tudo e vou reproduzir aqui pra vocês.

O primeiro deles, o Chenin Blanc, é o mais vendido da casa. Possui 14% de álcool, deve ser servido com saladas e peixes e tem um agradável cheiro de pêra. O segundo, Chardonnay, é guardado em barris de carvalho por 11 meses e tem um sabor que lembra baunilha. Com 13% de álcool, deve ser servido com queijos e massas.

O Cabernet Sauvignon foi o terceiro vinho que degustei e o que mais me chamou atenção. Suas uvas foram plantadas na montanha, próximo a árvores de eucalipto e ele esteve por 15 meses guardado em barris de carvalho. Seu sabor e aroma são mentolados e diferente de qualquer outro vinho que eu já havia experimentado. Possui 14% de álcool e vai bem com carnes vermelhas e massas mais fortes.

Para finalizar, o Shiraz de 2010 é guardado por quinze meses em barris de carvalho, sendo 80% desse tempo em carvalho francês, que lhe confere um sabor mais picante, e 20% em carvalho americano, que proporciona um sabor mais frutoso. A combinação dos dois barris deixam o vinho mais suave ao paladar. Possui 14,5% de álcool e vai muito bem com chocolate preto e carnes vermelhas.

Os quatro vinhos que eu degustei são realmente especiais e variam de R 85 a R 140, o que, em Real, significa de R$24 a R$40. Muito bons e muito baratos!

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Não posso deixar de falar de um hotel incrível que fiquei nas minhas outras noites na cidade, o Lanzerac.

Fundada em 1692, a fazenda Lanzerac é uma das mais antigas da região de Stellenbosch, distante uma hora a leste do centro da Cidade do Cabo e também outro povoado muito procurado para a degustação de vinhos. Transformado em hotel, o local é ideal para você desfrutar, com muito conforto, de uma das regiões mais exclusivas de toda a África do Sul.

O Lanzerac Hotel e Spa é um boutique cinco estrelas. AMO/SOU hotel boutique! Seus 165 hectares abrigam ainda, vinhedos produtores de um dos mais exclusivos vinhos sul-africanos. São sete prédios, todos originalmente construídos no século 17, nos quais estão distribuídos 48 luxuosas acomodações, dois bares, um restaurante, uma delicatessen, um ambiente exclusivo para degustação de vinhos e o spa, com vista para os vinhedos e jardins.

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A imponência do hotel é marcante desde o momento da sua chegada. Os 50 m entre a estrada de acesso e o portão de entrada são cercados por grandes carvalhos. A grama verde e bem cuidada do pátio principal contrasta com os prédios bem conservados, de inspiração francesa. Ao fundo, as majestosas montanhas Helderberg completam o cenário.

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Entre as 48 espaçosas habitações, você pode escolher uma das suítes e desfrutar de tudo o que o Lanzerac oferece de mais sofisticado. As duas suítes principais, a Presidential e a Royal Pool Suite, são verdadeiros apartamentos, com dois banheiros, uma sala de estar (equipada com televisão por satélite e home theater), minibar, opções de chás, cafés e vinhos da casa. Como se não bastasse, cada aposento se abre para um pátio privado com vista para os jardins, vinhas e montanhas.

Eu fiquei na Royal Pool Suite e a decoração era de cair o queixo. Mobiliário de madeira maciça impecável, vasos de flores, abajures, lustres, souvenires e belas cortinas completam a decoração. Nos quartos de ambas as suítes há ainda poltronas, home office e um baú. Os banheiros foram projetados para casais, com duas pias e uma elegante banheira em mármore e madeira escura. O controle de temperatura interna e o piso, aquecido, estão presentes em todo o apartamento. As fotos abaixo me deixam com bastante saudades desses dias de princesa.

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Por hoje é isso, gente! O relato de uma das viagens mais incríveis que eu já fiz. Barato não é, mas vale muito a experiência. Espero que ajude quem pretende em breve viajar para a África do Sul.