Morei em Buenos Aires entre 2012 e 2013 e posso dizer que San Telmo é o meu bairro do coração. Ele tem ares de Ribeira, se comparado a Natal. Só que revitalizado, com muitos bares, cafés, restaurantes, muita vida! Sempre foi meu bairro preferido na cidade e hoje vou contar um pouco sobre ele pra vocês.

San Telmo é um dos bairros, mais antigos da cidade e se mostra para os visitantes desavisados como um grande corredor formado por mais de vinte quadras de feirinha no fim de semana, mas, além disso, guarda inúmeras outras atrações entre suas ruas de paralelepípedos com casarões históricos.

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Durante os dias de semana, San Telmo é um bairro comum com pequenos restaurantes, chinos (que nós conhecemos por mercadinhos), alguns escritórios funcionam nos edifícios, mas no geral o bairro é bem residencial.

Quando a noite se aproxima o clima começa a mudar. Parece que ao acender das luzes alaranjadas dos postes surge um novo bairro. Os restaurantes se tornam barzinhos, assim como os cafés. Os bares famosos por seus happy hours ou cervejas artesanais abrem suas portas para receber grandes grupos de amigos, que se reúnem para tomar uma cerveja, ou um Fernet, depois do expediente. San Telmo ganha ares de boemia.

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Não importa muito se é dia de semana. Na verdade o que permite diferenciar os dias úteis dos demais é se os bares estão cheios ou lotados. Portenho gosta de happy hour! Por volta das 19h os escritórios e lojas fecham e o pessoal se reúne pra uma cervejinha. O copo tradicional que se oferece é de 500ml. Meio litro. Eles chamam de “una pinta” e em quase todos os bares da cidade você tem promoções de pague uma e tome duas até cerca de 21h.

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San Telmo tem uma atração que é muito visitada no domingo e na semana tem atraído cada vez mais turistas: A Plaza Dorrego. No cruzamento entre as Calles Defensa e Humberto Primo, a pracinha, que no final de semana é tomada por barracas de antiguidades, revela um ambiente romântico e agradável.

Mesas de madeira com velinhas acesas e guarda-chuvas tomam conta do espaço. No centro da praça, música ao vivo. Ao redor dela, muitos bares. O som varia entre o típico tango portenho, cantado ao vivo e sempre acompanhado por um belo casal de dançarinos, até músicos que tocam grandes clássicos do rock em blues e jazz.

As Milongas não poderiam não estar presentes nesse bairro. De enorme importância turística e histórica, elas são casas de tango diferentes das que os turistas geralmente frequentam em suas visitas a Buenos Aires.
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Esses ambientes são frequentados por portenhos nativos, um espaço da cidade ainda não descoberto pelo grande turismo. Elas oferecem bebidas e comidas como os tradicionais lugares aonde se vai para dançar, mas com a diferença básica de que lá o foco é realmente a dança.

As mesas ficam pertinho das paredes, para ocupar pouco espaço no salão. As apresentações geralmente começam por volta das 22h ou 23h. Mas antes disso, uma oportunidade para os que querem se aventurar no tango argentino: aulas de dança. E todos participam. Jovens, adultos, profissionais, amadores, com ou sem roupa apropriada. O que importa é tentar de verdade.

Depois de saber o que o bairro oferece de bom na semana, vamos falar finalmente da famosa Feira de San Telmo.

Todos os domingos, por volta das 9h da manhã, tendas são montadas por toda a extensão da Calle Defensa, desde a Plaza de Mayo até a Plaza Dorrego. Artesãos de todos os cantos de Buenos Aires expõem seus produtos para os milhares de visitantes que caminham pela Feira.

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Não há como especificar o que se vende por lá. Antiguidades, roupas, sapatos, artigos de couro, echarpes, chapéus, pinturas em tela, fotografias, artesanato, souvenis, tudo isso e muito mais reunido nas vinte quadras que a feira ocupa. Ou ocupava. Hoje, o sucesso e a disputa por espaço são tão grandes que todas as ruas que cruzam a Calle Defensa, até a Plaza Dorrego, já possuem exposições de produtos.

A Feira só acaba por volta das 17h, é um programa para o dia inteiro. Você pode aproveitar uma parada no cruzamento da Chille com Defensa para tirar uma foto com a estátua da Mafalda, que fica sentadinha num banco de esquina, pode descer na Carlos Calvo para conhecer o Mercado de San Telmo ou almoçar em um dos diversos restaurantes instalados na própria Calle Defensa ou nas proximidades.

Quem sabe na sua próxima viagem para Buenos Aires você não se hospeda em San Telmo?!