Falar sobre esse assunto pode parecer estranho para alguns que supõem que o homem já nasceu sabendo tudo sobre sexo. O mito da masculinidade parece fazer muitos homens acreditarem que não precisam saber nada sobre sexualidade, que não têm nada de que se liberarem. A maioria dos homens ainda persegue o ideal masculino da nossa cultura — poder, força, sucesso, nunca falhar, disposição eterna, desempenho top.
Pessoalmente, não tenho dúvida de que essa busca leva à perda da autonomia. O homem “precisa” seguir um padrão e acaba se obrigando a ser quem não é em nome de um ideal que, por ser ideal, é inalcançável e gera frustrações. Você não imagina como tenho escutado homens sofridos, perdidos, questionando sua própria capacidade de SER HUMANO por não conseguir fugir do que se estabeleceu como virilidade, masculinidade, bom de cama, ser homem, etc.
Está mais do que na hora de questionarmos essa cultura machista e patriarcal… Porque se ela é tão maravilhosa, por que tem aumentado o número de casos de disfunção sexual masculina em homens jovens sem qualquer problema no âmbito físico? É a cabecinha de cima que tem precisado de cuidado! É preciso questionar, refletir e tentar encontrar um caminho onde a liberdade e independência de SER, prevaleçam. Não resta dúvida de que os estereótipos tradicionais de masculinidade têm mexido com a capacidade de prazer sexual do homem.
Então, acredito que um homem bom de cama é aquele que, humildemente, se reconhece como aprendiz incessante sobre a sexualidade. Tem curiosidade, reflete, questiona o parece certo, testa, confere, e, acima de tudo, é capaz de inovar por acreditar que nada é estático, que as diferenças são saudáveis e que o que deu certo com alguém, pode não funcionar com outro alguém.
O homem bom de cama consegue experimentar a intimidade emocional e não somente a sexual. Permite que a emoção entre nas relações sem medo de perder o controle porque já sabe que, sentir e controlar pode ser bem complicado no quesito “envolver-se”.
O homem bom de cama, entende que o caminho pode ser mais prazeroso que a chegada ao destino orgástico. Investe nas preliminares porque compreende que despertar desejo é um processo e não um fim. E que o clímax maior é consequência e não causa…
O homem bom de cama escuta sua parceria não somente no que se diz, mas no olhar, nos gestos, nos toques, nas atitudes. Ele procura descobrir o outro e não fazer o que, supostamente, “tem que ser feito”.
O homem bom de cama, demonstra ternura, se entrega relaxado à troca de prazer com a parceria. Falhar não é uma ameaça constante, porque ele já compreendeu que é um SER HUMANO imperfeito, que pode fraquejar e que o sexo não precisa ser uma experiência ansiosa e limitada, mas uma vivência única e especial.
O homem bom de cama escapa do “treinamento sexual dos meninos” e, ao invés de tentar convencer alguém a “dar”, escolhe a conquista, a sedução. Sabe que numa relação a dois, não há ordens e sim, pedidos, permissão e muito desejo bilateral.
O homem bom de cama tem liberdade sexual não por ser macho ou por poder colecionar parcerias, mas por saber escolher uma e pagar o preço de ficar por desejar. É ser ativo no seu desejo, mas jamais pecar pela falta de escuta do outro. Ser homem é não ter que perguntar “foi bom pra você”, por saber que fez o melhor para sentir e dar prazer.
O homem bom de cama é aquele que, sempre revisita sua maneira de ser, buscando mudar, evoluir. Porque não aceita verdades sexuais impostas. Ele questiona fórmulas prontas, dispensa explicações óbvias e, acima de tudo, abraça a subjetividade para vivenciar a sexualidade com prazer e plenitude.

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