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Quando a campanha eleitoral está prestes a ser iniciada, uma volta ao passado.

No tempo que se lutava com obstinação para resolver os maiores problemas das cidades.

As obras continuam servindo. Sobre algumas, passamos por cima, sem sabermos como foram parar ali.

Hoje, são outros negócios, vantagens,  espertezas e ingratidões.


(Publicação original em 16/09/2019)


A PONTE DOS DESEJOS

Era só correr água no Curimataú que a cidade ficava isolada da capital.

Sem rodovias,  restavam o trem, as baldeações e a Parahyba.

A ponte era a obra mais esperada. A única chance de sobrevivência quando as ferrovias começavam a perder espaço para os carros, ônibus e caminhões importados e que logo passariam a ser produzidos no país.

Quando promessa de campanha política era cumprida, o sonho de uma cidade inteira foi feito realidade pela obstinação de um jovem recém-eleito.

O Rio de Janeiro, concentrando poder e dinheiro, foi o destino do primeiro alcaide eleito pelo voto popular (só dos alfabetizados), em 1948.

A primeira-dama nunca deixou de reclamar  da longa ausência.  Jurava que a viagem administrativa havia durado inacreditáveis seis meses.

Passados entre o Hotel Ambassador, os gabinetes da burocracia pós-Estado Novo e as galerias do Palácio Tiradentes.

E pelo Teatro Rival e todos os outros que apresentavam revistas e vedetes. Que ninguém resistia aos encantos maravilhosos da cidade efervescente.

Pertencer ao PSD,  mesmo partido do presidente e ter o apoio do experiente Senador Georgino Avelino e do estreante Deputado Dioclécio Duarte,  ajudaram.

Mas incluir o pequeno município no Plano SALTE (Saúde, Alimentação, Transporte e Energia), o programa de aceleração do crescimento da vez, era missão quase impossível.

Valia quase tudo. Até a promessa de dar o nome do diretor do Departamento de Estradas à obra de arte tão almejada.

O engenheiro Régis Bittencourt não é só a estrada que liga São Paulo a Curitiba. Também é ponte no Rio Grande  do Sul, Espírito Santo e Nova Cruz.

O périplo não seria completo sem mimos a Dona Santinha e o beija-mão do Marechal Dutra.

Ao ser apresentado, a inesperada pergunta presidencial.

Se na cidade sem ponte, não tinha ninguém mais velho e experiente para administrá-la.

A resposta do jovem prefeito Lauro Arruda foi tão desconcertante  quanto a pergunta:

-Tinha. Meu sogro.                                                     Mas foi derrotado por mim.

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