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Não é a estrela
Sônia Braga, nem Barra, distrito de Parelhas, nem a vila fictícia do premiado filme que vêm à memória quando se escuta o nome que identifica os partidários de um grupo político formado há 55 anos.

É o rótulo mais longevo da política potiguar. Começou como xingamento, termo pejorativo, de censura aos que teriam se aproveitado do empreguismo para angariar votos.

O líder e principal alvo das críticas, feiticeiro que era, tinha o dom de transformar as ofensas e as palavras.

O que era para ser vergonha, virou ufanismo. Orgulho e identidade coletiva.

Carismático líder, soube valorizar as pessoas. A gentinha menosprezada, por artes do cigano nômade, virou aliada e fanática.  Fiel a vida toda.

Mesmo quem não conseguiu o sonho da nomeação na última viagem do trem madrugador, passou a ser também ave de hábitos noturnos.

A espécie evoluiu. Fez cruzamentos, aliou-se a outras, sempre no instinto de preservação e sobrevivência.

Genética passada a filhos e sobrinhos, ameaçada de extinção a cada eleição, tem resistido aos predadores.

Não se sabe, se efeito ainda desconhecido de alguma mutação consequente à pandemia, têm sido observados nas  revoadas das convenções partidárias, alguns indivíduos  de autenticidade questionável.

Exageram.

Erram nos tons.

Parecem travestis de plumas monocromáticas que não conseguem disfarçar as cores extravagantes e vivazes das origens.

Se alcançam a vitória, na próxima disputa, ficam loucos pra dar o pé a qualquer um.

Algumas até bem pouco tempo, autênticas psitacídeas, mostram penugem nova, artificialmente colorida de tons esverdeados que desbotam com facilidade.

Um bom ornitólogo conhece um falso strigiforme, de longe. Pelo piado.

Habitat natural, a bacia hidrográfica do Bujari-Curimataú já abrigou tipos mais autênticos e insólitos.

Originária da serra de Araruna, desceu em busca de novos saberes, com o apoio de familiares, conseguiu realizar seus sonhos na nova cidade cosmopolita.

Professora querida, formou família e ajudou a formar crianças, jovens e a ala-moça para animar os comícios.

A cada eleição, a cor predileta e única, já presente em todos os vestidos e em todas as peças, incluídas as mais íntimas, viçava mais ainda, como o mato no inverno e a bandeira hasteada  na cumeeira da casa, o ano todo, no oitão da igreja-matriz.

A paixão era tanta que fazia questão de dizer (e mostrar) que até sua urina era da  tonalidade do seu partido.

Sem nunca esquecer de tomar a dose diária do antisséptico urnário, de cistite, Terezinha Batista nunca se queixou.

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Comentários do Site

  1. Mano Targino
    Responder

    Eu nasci numa fauna onde só os Bacuraus sobreviviam, nas madrugadas se ouviam cantos dos rasga mortalhas ,e nós crianças dizíamos ” é o Bacurau que tá chegando “. Quanto a ” Gentinha ” pra minha geração foi e ainda é sinônimo de lealdade, ” sou da Esperança o que é que há “

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