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Quem haveria de imaginar um Vovô Fracolino no universo da imaginação dos meninos da geração 2020?

Sem entender as tramas nem os poderes dos beyblades, muito menos,  habilidade para liberar um único brawler, não custa tentar, uma desesperada volta ao passado.

A flexibilização do isolamento devolveu netos muito mais habilidosos em mouses, controles remotos e toques nos smartphones.

Estas aquisições de conhecimentos, fora da grade curricular, merecem estudos antes que a conta das perdas, com a suspensão das aulas presenciais, seja fechada.

No acesso aos territórios antes proibidos ou restritos, os avanços saltam às vistas cansadas.

O convívio mais intenso, sem interrupções pelo turno escolar, resultou em relaxamento  da vigilância dos tutores, rendição e conquista das senhas escondidas.

Com o domínio delas, conseguem ser  teletransportados em incríveis viagens para muito além do jardim das maravilhas.

Sem haver mais necessidade de transgressões às regras dos jogos paternos, a arma secreta dos avós foi completamente anulada.

A permissão do telefone, nunca registrada no circunscrito relatório das vesperais domingueiras, perdeu por completo, a magia das pequenas contravenções entre cúmplices.

Abatido, como um super-herói à procura de uma dose de kryptonita que o revigore e o traga de volta ao palco dos acontecimentos, uma solução ousada.

Com os mesmos  cachos, boina  e vestidinho vermelhos, Luluzinha está de volta.

Para sorte de quem sabe e  pode explicar seu enredo, a estória criada em 1935, está disponível nos canais infantis.

As peripécias das crianças de uma pequena cidade precisam, para serem entendidas, de atualização e muitas explicações.

A vida num  lugar sem edifícios, nem elevadores, onde as crianças em vez de descerem para o play (ground) vão, sozinhas, brincar nos parques.

Ruas sem carros e o entra e sai, de uma para a outra casa, com gente grande que parece não precisar sair para trabalhar.

Repassar o que foi aprendido em anos de leitura dos gibis e transferir tudo para a tela em alta definição, é tarefa prazerosa.

À medida que os personagens vão surgindo, a bio de cada um  hipnotiza quem devia achar que tais assuntos estavam fora do interesse daquele que nunca foi capaz de aprender  nem os nomes dos cachorrinhos da Patrulha Canina.

O espelho da fantasia  nunca  perde o brilho.

Agora que estão voltando para os braços das suas professoras, nunca mais reclamarão dos rigores, incomparáveis com os da Dona Marocas.

A alegria do reencontro com os amiguinhos, Juca, Zeca, Alvinho, Carequinha, menos  o mauricinho Plínio Raposo, é sinal que  para a  turma, nada mudou.

E que menina não entra.

A patricinha Glória e o grude das Lulus com as Aninhas, estão de volta.

A festa continua.

Para o avô, resta  a esperança que o neto que está um Bolinha de tanta comida e poucas atividades físicas, qualquer dia desses, voltará a chamá-lo para outras aventuras misteriosas.

E então, o aranha atacará novamente.

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Comentários do Site

  1. Domicio Arruda
    Responder

    Atenta leitora alerta o avô de fraca memória que a kryptonita não é vitamina.
    A Avó da Supergirl, assim subescreveu-se, lembra que da pedra verde e brilhante é melhor manter distância.

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