AA9364F0-6B3E-4499-A395-7DD91D17A83CDo entrudo, a saudade tem sido contada em verso, prosa e muito samba.

Do tríduo momesco, corsos , confetes e serpentinas.

Das fantasias de pierrôs, colombinas, arlequins, piratas da perna-de-pau. E do rum montilla.

27 anos depois, o carnaval fora de época suplantou o do calendário gregoriano e já conta com  um cordão de saudosistas.

Faz parte da vida da cidade.

Entrou para a História.

É coisa nossa.

Como a festa de reis.

Desapareceram as reclamações dos transtornos e pelo direito de ir e vir dos amofinados.

Nem mesmo o vizinho reclamão, professor renomado, escritor, missivista contumaz nas secções dos leitores e que sabia tocar alto seu trombone.

Por conta dos donos da folia, passava as temporadas ruidosas, ouvindo música clássica,  no silêncio dos melhores hotéis da via costeira.

Não é pela volta dos trios às ruas de Petrópolis nem ao tempo que nenhuma estrutura existia.

Do axé exclusivo, praiano e urbano, longe dos sertões. Inebriantes reieiras.

Das paradas do trio elétrico, por prego ou emaranhado nos fios elétricos, nas ruas de muros e postes baixos.

Por que parou?….

Parou porque….

Por causa da cruel constatação que o espelho não engana nem os músculos respondem mais como outrora.

Pela incessante busca do tempo que se perdeu. De alegria, sonhos e ilusões.

Patuscos que pulavam maratonas de mais de seis horas, em processo de involução carnavalesca, se forem soltos no corredor da folia, correm o risco de  sofrer choque subcultural.

Ou acabarão com  mais alguns stents na coleção guardada no peito.

A forma pode parecer a mesma.

Mas quanta diferença.

2F259A36-EECE-4E98-B342-808EF7F73D15Mudaram os blocos.

Mudaram os brincantes.

Infantil, acabou.

Teen? Tem mais não.

De encontrar amigos na faixa, nem pensar.

Tudo dominado pelos saradões.

E reclamos mis, da outra banda da maçã.

Sem frutas tropicais.

A sociedade protetora dos animais triunfou.

O único transporte ecológico sucumbiu aos tantos monstros movidos a combustível fóssil.

Nem Greta na causa, dá mais jeito.

Tudo anda muito mais rápido.

Vumbora!

Não se faz mais a  rigorosa escolha dos dez casais com quem dividir o camarote (chiqueirinho perto dos mega) e a euforia das madrugadas.

Os sabidamente chatos, discriminados e nunca  convidados em sentença liminar e perpétua.

Os criptointragáveis, revelados logo na primeira noite, com  direito ao esquecimento no ano que vinha.

O ritual de  decorar o ambiente confinado e abastecê-lo antes do anoitecer.

Aperfeiçoado pelos bufês, cada um com seu status.

Ostentação que ainda não tinha nome.

Os mais econômicos,  igualmente organizados em grupos, uniformizados, caprichavam no conteúdo das caixas de isopor. Levadas, nos ombros dos mais fortes, arquibancada a cima.

Sempre com alguém escolhido para chegar mais cedo, delimitar, guardar e brigar pelos melhores lugares.

Nem a amnésia alcoólica  faz esquecer onde o carro foi estacionado. Quem não ia nem de táxi, agora vai de Über.

Nem lança-perfume, nem rodouro, nem kelene.  O gás hilariante se liquefez em cheirinho da loló. Virou , consumido às carreiras. Agora é pedra.

A mais popular de todos as modinhas, cherchez la femme, na teoria e na prática, multiplicada por muitos outros gêneros.

Nem o motivo do ciúme dos namoridos resistiu.

Bell não mostra mais as pernocas em shorts curtinhos.

Virou crente.

Halleluya!

Comentários do Facebook

Comentários do Site

Deixe um comentário