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Mudanças climáticas e avanços da ganância têm provocado queimadas e incêndios florestais que nos meses secos, ocupam o noticiário.

No país do boi bombeiro e recordes de desmatamento, procura-se um culpado pela destruição.

Que tenha mandato presidencial e eleito sem nenhum voto das esquerdas, melhor ainda.

Na Califórnia, estado governado por  democrata, politicamente irretocável e correto, as chamas voltam todos os anos, destruindo árvores, cidades e vidas.

Lá, do outro lado do continente, na beira do Pacífico, há quem pense diferente e procure resolver o problema ecológico sem maldizer os adversários políticos nem a pecuária bovina.


(Publicação original em 29/10/2019)


QUEIMA DE IDEIAS

Todo ano a Califórnia arde em chamas.  A convivência com a previsível, periódica e inevitável tragédia e a alternância do poder,  livram democratas, republicanos e isentões de responsabilidades e culpas.

O mesmo não se pode dizer das discussões acaloradas, cheias de dedos indicadores, sobre as queimadas nas franjas da floresta na chamada amazônia legal.

O que acontece na costa oeste norte-americana pode muito bem já ter ocorrido ao bioma da caatinga nordestina.

Estudiosos das mudanças climáticas agora defendem a tese que as pastagens são menos vulneráveis na fixação do carbono que as árvores que substituíram.

Já há quem defenda que as gramíneas devem ter mais oportunidades no mercado de crédito de carbono a longo prazo.

Acreditava-se que as florestas consumiam cerca de um quarto de todo carbono produzido pela poluição ambiental no mundo todo.

Um estudo da Universidade da Califórnia em Davis, descobriu que pastagens são sumidouros de carbono mais resistentes do que florestas,  na Califórnia do século XXI.

O estudo indica que até 2030 haverá uma redução  das emissões de gases de efeito estufa naquele estado. 40% abaixo dos níveis de 1990.

As descobertas, publicadas na revista Environmental Research Letters, têm importância particular para as regiões semi-áridas, que cobrem cerca de 40% do planeta.

As pastagens armazenam mais carbono do que florestas, porque são menos afetadas pelas secas e incêndios florestais.

Os benefícios ainda podem ser multiplicados com  uma boa gestão da terra, ajudando a melhorar a saúde do solo e a aumentar os estoques de carbono nas pastagens.

Ao contrário das florestas, os prados sequestram a maior parte de seu carbono no subsolo, enquanto as florestas o mantém  principalmente em biomassa e folhas.

Quando os incêndios florestais fazem as árvores arderem em chamas, o carbono queimado é devolvido à atmosfera.

Quando o fogo queima pradarias, o carbono fixado no subsolo tende a permanecer nas raízes , tornando-os mais adaptáveis às mudanças climáticas.

Não se pretende justificar a destruição das matas nativas pelo que representam em biodiversidade.

Basta pensar um pouquinho fora da caixa das ideias pré-fabricadas em tamanho único.

Ainda dá tempo de preservar a espécie Bos taurus, agora ameaçada de extinção pelos predadores naturais. Os temíveis veganos.

Não vai ser o pum da vaquinha que vai estorricar nosso planeta azul.

Azul planeta.

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