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Ao final de um filme de pouco mais de dois minutos que postou nas redes sociais, a atriz Regina Casé recomenda a pesquisa do significado de uma palavra.

Benedita, sua filha de 32 anos, mãe de Brás, diretora de audiovisual, é portadora de perda auditiva severa, consequente ao uso de antibiótico ototóxico, na infância.

Convive com a deficiência, a  leitura labial, uso de aparelho auditivo e desconfianças no que consegue entender e fazer.

No rápido roteiro da  filmagem, são lembradas situações corriqueiras com pessoas que têm  dificuldade em lidar com  as consideradas fora do normal.

Tão igual e repetido.

Quando o amigo comenta que viu as postagens nas redes sociais e pergunta se houve participação do pai da usuária do Facebook e em que ele a ajudou.

Quando o mesário na sessão de votação informa que a eleitora pode ser acompanhada  na cabine indevassável.

Quando o garçom oferece o cardápio a todos à mesa e esquece de entregar à jovem mulher com Síndrome de Down.

E mesmo se a pessoa com a deficiência estampada no rosto e na estatura, lê o que foi entregue à mãe, sua escolha não é perguntada diretamente.

Quando a criança mergulhava na piscina e todos ficavam apreensivos até a primeira braçado do crawl, como se aquelas feições revelassem  origens no deserto de Gobi. E pela  falta  d’água, não tivesse aprendido  a nadar.

Quando a diretora do jardim de infância debulhava as dificuldade em receber a criança que julgava atrapalharia o trabalho da professora, antes de recomendar escola especial.

Quando no aconselhamento genético, há 41 anos,  o especialista, de fama e recomendação, vaticinou uma expectativa de vida adolescente.

Quando o conselho recebido pelos pais, marinheiros de primeira viagem, era de procurar logo ter um segundo,  para compensar os defeitos da primogênita.

Tudo isso e muito mais que o tempo não fez esquecer, ao contrário do que se possa pensar, não foram atos de preconceito nem discriminação.

As pessoas se comportaram e continuam assim, simplesmente por falta de informação.

Não é por menosprezo nem maldade. Muitos, movidos pelos mais puros sentimentos de solidariedade e desejos sinceros de cooperar.

De fazer a vida daqueles frágeis assemelhados, menos severa do que lhes parece.

Os americanos passaram a usar a palavra  ableism para corresponder a este sentimento de desconfiança na capacidade de realização de quem não se espera quase nada.

Traduzido, o termo agora divulgado de maneira inteligente e bem-humorada é ainda pouco conhecido.

As pessoas com necessidades especiais, deficiências físicas ou déficits cognitivos têm capacidades,  limitações e potenciais.

Nem todos sabem, poucos acreditam.

Muitos  acham que a incapacidade é sempre total.

Quem teve a oportunidade de estudar em escolas inclusivas, poucos, fazem diferente.

Procure saber também o que é capacitismo, antes de perguntar.

Será a Benedita?

(A publicação original de 28/09/2020, sofreu alterações)

Assista:

https://twitter.com/reginacase/status/1309881203911258112?s=21

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Regina e Benedita Casé

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Domicio e Olívia Arruda

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