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Retomadas as caminhadas matinais, de início, só cumprimentos à distância e na pressa.

Com as notícias tendenciosas mais esperadas, dando conta da diminuição das contaminações e do número de internados, a flexibilização vai lentamente se envergando cada vez mais.

O papo só não voltou ao novo normal por birra e sapiência dos cientistas do IDEMA  que devem considerar o compartilhamento da pista de caminhada com carros e seus monóxidos de carbono mais salutares para os pulmões que o ar puro , sob a sombra das árvores frondosas do lado de dentro do bosque.

Se os seis meses de distanciamento valeram por décadas, não se sabe.

A verdade é que a pauta das conversas e discussões já não são as mesmas de antes.

Ninguém mais chegou contando do jantar no restaurante ainda funcionando em soft open, em detalhes de sabor e variedade do cardápio, indignações pela cobrança exorbitante da rolha, demora no servir e principalmente preço. E o inevitável parâmetro final, do custo-beneficio, com o veredicto que é melhor continuar fiel às  velhas e conhecidas casas de repasto.

Há um semestre não aparecem turistas recém-chegados da Toscana com estórias fantasiosas das vinícolas de Montalcino.

Até os tênis fosforescentes comprados no Sawgrass, não desfilam mais por ali.

Das churrascarias paulistanas, com fogo por todos os cantos, não chegam relatos.

Contagem  de baixas na pandemia, tem rareado.

A polêmica do uso precoce ou mesmo profiláticos de remédios para malária e lombrigas, já não acirram os ânimos.

A única dúvida que resta, considerado como certo que todos tomaram o pra piolho, é se creditam a imunidade, à sorte  ou ao remédio sem evidências científicas .

Não se fala de planos pro futuro. Esqueceram dos feriadões e suas tentações de viagens para os lugares mais incríveis e distantes, por conta de um dia sem trabalho, seguido de algum outro a ser enforcado.

Carrões novos nunca mais vistos estacionar no lugar mais visível, para no fim da jornada serem mostrados.  Seus últimos recursos tecnológicos, as maravilhas dos kits multimídias e tudo o mais que nunca será usado, a não ser na demonstração aos amigos boquiabertos.

Voltam as recordações de tempos antigos e dos costumes que não voltarão.

Não é que um saudosista tirou do fundo do baú a lembrança de como as gincanas escolares movimentavam e paravam a cidade?

Um dos mais novos não acreditou em uma das tarefas mais desafiadoras, que fosse trazida uma mulher com carteira de motorista. A vencedora, pilota conhecida da cidade, da porta da escola com a Vemaguete do patrão e pela cor da pele. Quando preconceito racial nem má educação era, quanto mais, crime.

O campeão da rodada, foi o que lembrou de um comício na Praça Pio X, a que virou catedral, para mostrar que não se precisa de muito palavreado para desconstruir a imagem  do adversário.

Era 1960, Aluízio Alves chegara atrasado à festa cívica e ao pegar no microfone, permaneceu em silêncio, olhando para uma bandeira do alto de uma casa em frente ao palanque.

A observação demorou o suficiente para que todos se voltassem para o símbolo adotado pelo adversário, o Deputado Djalma Marinho.

Tudo que o candidato que sairia vitorioso teve que dizer foi o nome do naipe representado por um coração vermelho.

-Copas.

O hábito do frequentador  das mesas de pano verde do Natal Clube nem precisou ser mencionado para a conquista dos votos sem vícios.

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Comentários do Site

  1. Domicio Arruda
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    Testemunha presencial do comício da Praça Pio X, Chagas Lourenço que sempre gostou de política e seus acessórios, lembrou a frase completa do Cigano Feiticeiro:
    – O que vejo naquela bandeira, é um coração ou um ás de copas?

  2. Geraldo Batista de Araújo
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    MICHEL TEMER é reconhecido como professor de Direito mais informado em Direito Constitucional no Brasil.

  3. Marcos Sá de Paula
    Responder

    Uma pequena correção: a pilota conhecida da cidade, da porta da escola com a Vemaguete do patrão e pela cor da pele, Luzia, não teve que ir ao Ginásio Salesiano. A tarefa era apenas que trouxessem sua assinatura que deveria ser conferida por mim. Depois soube da invasão de adolescentes na minha casa, e a Nêga, como carinhosamente a chamamos, ficava escolhendo dentre os concorrentes que ela sabia que eram nossos amigos (Paulinho Limarujo e Ximbica, dentre outros) para dar seu autógrafo primeiro. Isso deve ter acontecido em 1966.

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