unnamedPor Reinaldo Azevedo no UOLUma menina que era estuprada pelo marido da tia desde os seis anos engravida aos 10. A mãe já morreu. O pai está preso. A Justiça determina a interrupção da gravidez, de acordo com o Código Penal, mas o hospital público ao qual ela recorre se nega a fazer o procedimento.

Ela e a avó são obrigadas a viajar para outro Estado para que se possa fazer o aborto. Deus já parece morto nesta narrativa? Calma! Ainda falta que surja uma súcia para falar em Seu Nome e para, queira essa gente ou não, alinhar-se com a pedofilia — desde que para fins reprodutivos…


A menina mora em São Mateus, cidade a 218 km de Vitória, no Espírito Santo. A Justiça autorizou a interrupção da gravidez, de acordo com o Código Penal, mas os profissionais que atenderam a garota no Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes, vinculado à Universidade Federal do Espírito Santo, negaram-se a fazer o procedimento alegando que a gestação estava muito avançada — então na 21ª semana.


Acompanhada da avó e de uma assistente social, a criança viaja, então, para fazer o procedimento em Recife. Alguém — muito provavelmente do Hospital Universitário — vazou seu nome, e a militante bolsonarista Sara Winter, que usa codinome de uma personagem nazista, divulgou o caso nas redes, convocando os supostos cristãos a reagir. Cristãos? Arautos do diabo não fariam melhor!


É mentira que a decisão seja ilegal ou que a viagem tenha sido clandestina. O Código Penal ampara o aborto em caso de estupro e risco de morte da mãe. E o STF tornou legal a interrupção da gravidez no caso de fetos anencéfalos. Não há nenhuma disposição na legislação sobre o tempo da gestação. Ilegais, isto sim, são o vazamento do nome da criança, a recusa do Hospital Universitário em realizar o aborto e a divulgação do nome da vítima nas redes, como fez aquela que macaqueia o nome de uma nazista.

DO TL 

O ódio que a ativista de nome fake nazista representa não merece ser ressaltado neste momento. Não é o que a menina do Espírito Santo precisa/merece depois de tanta violência silenciada.

A garota que poderia ser minha (e sua)  filha, sobrinha, vizinha ou uma ilustre desconhecida merece é irrestrita solidariedade. A  que não teve durante os 4 anos que foi violentada por um monstro disfarçado de membro da família.

Não se trata de dogmas religiosos, da letra fria da lei ou de parâmetros de códigos médicos. Esses também deveriam proteger a garota de forma irrestrita, mas a hora é de pensar com a pureza do coração de Deus e das crianças. O Deus do amor e compaixão.

O bom senso que grita a necessidade de se preservar a vida de uma inocente indefesa que não tem condições físicas, emocionais, econômicas e sociais de manter uma gravidez fruto de pedofilia, estupro, crimes hediondos que insistem em calar o direito à vida, à própria liberdade.

Atualizado às 14h40

MENINA ALIVIADA 

O médico Olímpio Barbosa de Moraes Filho, diretor do hospital em Recife onde a menina de 10 anos do Espírito Santo realizou aborto após engravidar como resultado de estupro, disse à Globo News que ela está se sentindo “aliviada” após o fim do procedimento.

Ela está bem aliviada. O sofrimento nesses últimos dias foi terrível para ela, as ameaças que ela sofreu. Eu espero que esse sofrimento daqui para a frente seja atenuado, e vai depender muito de como o caso vai ser conduzido, respeitando o sigilo, para que ela possa recuperar a sua vida. 

Comentários do Site

  1. Rosa Maria Marcelino Flório
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    Felizmente, neste caso, a Justiça fez justiça. Aguardemos que o mesmo ocorra, quanto à famigerada Sara Winter.

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