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Quando um velho companheiro manda uma sugestão de tema para  este recanto de território, sempre acende um farol. Amarelo.

Por sinal, há perigo na esquina. E em todas as ruas. E em todo canto onde houver gente junta. Assintomáticos ou não.

Dependendo da anima alma, pode ser interpretada como uma tarjeta roja e a deixa para aproveitar o coronavírus (tudo ele!) como aceitável desculpa para pendurar o smartphone. E deixar de tirar onda de cronista cotidiano.

Nessas alturas do campeonato, o que resta a fazer,  um provecto esculápio que nem como voluntário é mais recrutável pelo exército brancaleone que combate e  sacia, o terrível invasor?

Ou será somente expressão da vontade de mudar de assunto. Tocar outra. Virar o disco?

LPs não há mais, amigo.

Somos todos peruas de uma mesma cantiga, como um single de uma nota só, esperando a vida chegar.

A notícia que uma profissão  com poucos anos de práticas estava sendo dizimada pelo astuto sínico, foi a seta salvadora, indicando que se pode seguir em frente.

Na falta de outras notícias, placares e politicagens, variações sobre o mesmo tema são toleráveis e permitidas.

Aqueles que se dedicam a melhorar a imagem dos outros, fazendo-a personalizada e única, também não tem resistido ao tsunami que seguiu o grande espirro do oriente.

Quem sabe, por estudo e intuição, harmonizar os traços fisionômicos dos outros, realçando, no exterior, a beleza que estava escondida entre rugas e vincos, foi dos primeiros a perder emprego.

A matéria prima continua abundante mas distanciada e reclusa, tornou-se inacessível.

O mercado de trabalho evaporou-se na febrícola persistente made in China.

O isolamento obrigou a televisão a voltar às suas origens etimológicas.

Entrevistados dispensam estúdios.

Dos seus home offices, com cenografia doméstica, caras lavadas, paletós nos espaldares das giroflex privadas, quem haverá de lembrar de um visagista?

8E4511EC-9B5C-403F-9C83-AF24B27881D5O técnico que harmoniza, esteticamente, a imagem pessoal, de acordo com a personalidade e o estilo de vida de cada pessoa, cumpre aviso prévio.

Maquilagem, cortes e penteados, já são recursos estéticos démodés desde que as máscaras tornaram-se o novo crush feminino.

Antes cirúrgicas, agora artesanais, com estampas, cores e formatos variáveis.

Trazem imensa vantagem para os menos afortunados  de beleza exterior.

Escondem narizes aduncos  e sorrisos entramelados.

Acne de adolescente e prega de madama atemporal.

Todos terão de usá-las. Nem que seja à força de medida provisória ou intimação judicial.

Quem entra num ambiente mascarado sem a sua,  customizada, sente-se um capitão-presidente num congresso de imunologia.

Logo  logo as chics, famosas e colunáveis, estarão viralizando os modelitos Louis  Vuitton e Chanel N95.

Para realçar a beleza facial, restará o kohl, a milenar arte egípcia de valorizar os olhos.

A menos, se  comprovem a teoria que óculos Armani protegem do fdp.

O filho da pestilência.

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