Roda Viva – Tribuna do Norte – 08/09/21

Quem tem mais de 30 anos, detém um testemunho a dar da sua própria participação no maior ato terrorista da história – um atentado visto e vivido em todo o mundo – que completa 20 anos nessa sexta-feira.

Quem estava em Natal, ou em qualquer outro canto do mundo, naquele 11 de setembro, é capaz de contar uma história, a história do seu próprio envolvimento num fato ocorrido em Nova Iorque, que comprovou a teoria do pioneiro nos estudos da comunicação de massa, o canadense Marshall McLuhan, nos anos ´60, de que o mundo estava transformado numa aldeia global.

O fato: Em 11 de setembro de 2001, o grupo terrorista Al Qaeda jogou dois aviões contra o World Trade Center, em Nova Iorque. Quatro aeronaves civis caíram em solo norte-americano naquele dia, deixando quase 3 mil vítimas.

Naquele dia, quatro voos comerciais que rumavam em direção dos Estados Unidos foram sequestrados por 19 membros da organização terrorista Al-Qaeda. Os sequestradores fizeram propositalmente dois dos aviões colidirem com as chamadas Torres Gêmeas.

O alvo, a região de Wall Street em Nova York, o centro do capitalismo financeiro e as cenas – transmitidas ao vivo na televisão e desdobradas em vários filmes – até hoje chocam o mundo.

GUERRA É GUERRA

A resposta dos agredidos foi tão rápida, violenta e abrangente: a Guerra ao Terror.

Com alguns desdobramentos, inclusive a mais longa guerra da história dos Estados Unidos, a Guerra do Afeganistão, terminada semana passada, para punir quem comandou o atentado, Osama bin Laden, chefe da al-Queda, desdobrada num preconceito contra os muçulmanos em geral.

E tudo terminou numa retirada americana tão desastrada como havia sido o fim da Guerra do Vietnam, em 1975.

Hoje, restam 39 homens feitos prisioneiros – sem julgamento – em Guantánamo, num enclave americano na ilha de Cuba, sem qualquer perspectiva, responsabilizados pela morte de 2.977 pessoas há duas décadas, e encarcerados numa prisão de segurança máxima mantida pelos Estados Unidos.

A expectativa é que a posição desconfortável das cortes norte-americanas motive agora uma solução para que pessoas sem acusação formal “até o terrorismo acabar”, sejam libertadas.

O balanço desta guerra ao terror, registra, desde então, a morte de 429 militantes em território americano. E um custo de US$ 7 trilhões.

NEW YORK, NEW YORK

Nesses vinte anos, Nova Iorque tem continuado uma metrópole global, uma cidade dos turistas, dos espetáculos da Brodway, dos restaurantes e bares no Village, das músicas de Frank Sinatra… Só não conta mais com as Torres Gêmeas, substituídas pelo Marco Zero.

Mas tudo lá parece perfeito. Dos gramados do Central Park, das lojas do SoHo, do Museu Metropolitano as galerias de arte Chelsea, dos arranha-céus como o Empire State e ícones como a Estátua da Liberdade.

Até Wall Street continua vista por muitos como o centro financeiro mundial; e mesmo Times Square, uma área que causa pânico a maioria dos novaiorquinos é vista pelos estrangeiros como um lugar agradável.

Nova Iorque continua a grande capital cosmopolita, formada por gente das mais diferentes origens, cores, raças, línguas e credos.
Mas a Big Apple hoje em dia continua inacessível para os brasileiros, ainda impedidos de visitá-la em razão da pandemia, que também está tendo efeito global desde o ano passado.

UM OUTRO MUNDO

Mesmo tendo o milênio como seu marco definidor, a verdade é que passamos a viver num novo mundo desde o 11 de Setembro em qualquer uma latitude sofrendo depois das medidas impostas pelos Estados Unidos no combate ao terrorismo, depois do seu fato determinante.

A “Guerra ao Terror”, terminou levando o terrorismo para outros teatros, como aconteceu em Madri, Londres e Bali, mesmo com a imposição norte-americana de adoção de novas medidas extremas de segurança para outros países.

Essas mudanças já representavam uma vitória para o lado dos terroristas que por sua vez também se tornou um movimento universal mexendo nos hábitos de todas as pessoas e se fazendo lembrar em razão das próprias mudanças introduzidas.

Será que a retirada dos americanos do Anfeganistão vai acabar a Guerra ao Terror, que era esperado para depois da morte de Osama bin Laden (por um comando americano) em território afegão?.

CONTRA TODOS

O terrorismo não tem ideologia, é uma técnica de combate, usada preferencialmente pela guerrilha, que tem sido usada tanto pela esquerda como pela direita.

A guerrilha teve origem, tal como a conhecemos hoje, na Espanha no início do século XIX, quando a Península Ibérica foi invadida pelas tropas napoleônicas.

A resistência espanhola a Napoleão fez-se de forma não sistemática, isto é, sem recursos e estratégias militares convencionais. Ao contrário, foi feita de modo irregular, incluindo emboscadas, ataques com armas improvisadas, sabotagens, sequestros etc.

Esse tipo de tática seria bastante utilizado, depois, em vários outros países por grupos de diversas orientações ideológicas, desde comunistas e anarquistas até nacionalistas e separatistas.

Porém, a diferença é que esses grupos passaram a incluir em suas ações atentados a vítimas inocentes, isto é, fora do campo da guerra irregular.

Para ninguém se sentir seguro em nenhum lugar.

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