B211115A-B120-4521-9DF9-F0748FC5B269

A conversa (1899) Louis C Moeller Museu de Arte Americana de New Britain, Connecticut


Desde quando se contava a quarentena em 14 dias prorrogáveis, uma pergunta permanece sem resposta.

Quando tudo isso vai acabar?

Nem a vacina redentora conseguiu trazer a tranquilidade que todos esperavam.

Enquanto a Organização Mundial da Saúde se esforça para garantir a poção sagrada para 10% da população mundial, países mais avançados (e ricos)  já preparam a quarta aplicação, no reforço do reforço.

O isolamento social já não encontra seguidores. Não é mais, com ênfase, defendido pela Ciência, nem imposto, com força, pelos governantes.

A mensagem muito clara, só agora começa a ser entendida.

E no entanto é preciso cantar.

E viver.

E navegar. E encontrar amigos. E rever familiares. E comer fora de casa. E rezar sob os domus. E amar onde o amor estiver.

As recentes manifestações políticas dispensaram as críticas pelas aglomerações, sem anêmicas desculpas pelas multidões aquém das esperadas.

As pessoas mudam. Só os políticos e quem os estudam, analisam e comentam, ainda não perceberam.

As escolhas estão sendo feitas com cautela.

Distanciadas  dos salvadores da pátria, dos mágicos que resolvem todos os problemas.

Os indecisos estão aí para não deixar os institutos de pesquisas mentir.

Em busca do tempo perdido, foi a juventude, mais uma vez,  a se rebelar.

Sem decretos, nem afrontas, à medida que as pessoas se contaminavam menos, os adoecidos resistiam mais e, no vale dos caídos, as contagens desciam as ladeiras e curvas dos gráficos estatísticos, os casulos foram sendo abandonados.

Cansados da solidão, os mais jovens resolveram, arriscar e desafiar o perigo.

Os números catastróficos repetidos, somados a parcelas diárias previsíveis, já não impressionam nem impedem as decisões pessoais.

Quando passou-se a achar normal, o registro de algumas centenas de  óbitos em um único dia, voltar ao mais próximo da vida de antes é a aceitação que é preciso e possível viver  próximo do inimigo.

Uma nova etiqueta está sendo escrita  e observada.

Sem o reconhecimento das autoridades sanitárias, sabe-se que a pandemia 2019 não vai terminar com a vacinação que não tem prazo de validade nem garantia de total proteção.

Quando a  resistência psicológica chegou à exaustão, surgiram novos hábitos, modos e costumes.

Não se cumprimenta mais com a mão estendida para o aperto.

Os abraços, sem gestos, agora são palavras nos fins das mensagens postadas, efusivas.

Os políticos, camaleões por natureza, logo se adaptaram ao novo ambiente e às novas maneiras.

Está aberta a temporada das reuniões restritas a poucos.

Dos conchavos e cochichos ao pé do ouvido.                

As máscaras faciais são testemunhas dos  compromissos que serão honrados, a menos  que o perigo de ficar fora do jogo,  torne-se real.

Em tempos de contatos físicos proibidos,  eles não  esquecem a  sabedoria do Majó Theodorico Bezerra.

Nas costas de político sem mandato, só quem dá tapinha, é o vento.

166C9468-7E3B-4D37-A5BB-EA47F42D2940
Conversa fiada (1910) –
Belmiro de Almeida – Enciclopédia Itaú Cultural

Deixe um comentário