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Gregárias por natureza, de todas restrições na pandemia, do que mais reclamam as pessoas,  é do isolamento.

Jogar conversa fora revelou-se de tanto valor que é de se temer que daqui pra frente,  permaneçam ensimesmadas.

E pobres em abraços, economizem também, aconchegos, proximidade social e calor humano.

 

      (Publicação original em 06/09/2019)


DIAGNÓSTICO PERVERSO

Faz toda a diferença o pronto e correto diagnóstico  no início de qualquer problema de saúde.

Em alguns casos, é o segredo do êxito do tratamento.

Todos os esforços para iniciar a terapêutica, tão logo apareçam os primeiros sintomas ou sinais, é a razão de tantos meses coloridos, depois que o outubro rosa e o novembro azul se espalharam pelo mundo todo.

Pesquisadores sempre em busca de marcadores, substâncias detectáveis, específicas de cada doença. Muitos já receberam o Nobel de Medicina pelas descobertas que depois, desenvolvidas pela indústria transformam-se em prática clínica rotineira.

O mesmo não se pode dizer da conclusão que uma equipe de senhoras caminhantes matinais sem maiores rigores semiológicos,  em caso com prognóstico sombrio, apesar de apenas superficialmente analisado. Por ouvi dizer, selaram o veredicto e a sorte do coitado.

Uma das facultativas, retornou à atividade física depois de um longo período e quis logo se inteirar das novidades, da vida alheia e dos transeuntes.

Depois de ter se atualizado com a ficha  cadastral dos novos frequentadores,  com ênfase nas informações sobre a genealogia e atividade profissional,  perguntou se era mesmo quem pensava aquele sessenta e setão de passadas largas. Confessou que teve dúvida no reconhecimento, daí o pedido de confirmação.

A palavra passa à outra painelista com jeito de  preceptora ou chefe de clínica que bastante segura dos dados apresentados,  desenvolve seu raciocínio clínico:

“Viu como emagreceu?
Está um caco.
Anda caladão. Os cabelos parecem capucho de algodão. Nem a barba tira mais. Já fechou até o consultório. Só pode ser aquela doença. Não dou três meses e ele nem consegue mais andar por aqui.”

É de se pedir um VAR-MED, uma sessão de revisão de caso clínico ou um ‘vivas corpus’ ao amigo Gilmar.

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