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Quando publicou em 1962 seu mais famoso livro,
Guilherme Figueiredo não podia saber duas coisas.

Que viria a ser primeiro-irmão do último ditador militar e que sua obra teria dado muito  mais trabalho se já existissem as redes sociais.

O Tratado Geral dos Chatos esgotou o assunto e tornou-se referencial para quem quer tratar do tema, por quase 60 anos.

É perfeito para classificar toda e qualquer chateação. Desde que seja analógica.

Para ser utilizado na análise dos que trocaram as galochas pelos gigabytes, adaptações são necessárias.

A principal causa do insucesso de algumas redes sociais, continua se infiltrando em todas e mesmo nas de aparência mais sólidas, com um só objetivo: destruir por dentro.

Vencer pelo cansaço, com a insubstituível tática do enchimento de sacolas, bags e sacos.

Os chatos continuam facilmente identificáveis.

A chatice virou característica física, incorporada ao fenótipo.

Em grupos restritos e encontros presenciais, se iluminam mais ainda.

Pela riqueza de detalhes nos acessórios à mostra.

Uma marca ostensiva no bolso da camisa, uma caneta em seu interior, com estrela de seis pontas qual iceberg bem visível, já são incipientes indícios.

O corte do cabelo ou os desenhos da barba também podem ser sinais exteriores que vêm de dentro. Do fundo da alma. De onde os neurocientistas arranjam tantos temas. Igualmente.

Mas é na escolha e repetição dos assuntos, dos mais desinteressantes, onde os maçantes se superam.

Recentemente, circulou nos grupos uma lista com os 25 escolhidos por maîtres, garçons e donos de bares e restaurantes, como os fregueses, digamos, inesquecíveis e dispensáveis.

Como não houve contestações, a listagem deve ter sido criteriosamente elaborada e premiado os que realmente mereceram o honroso lugar no hall da fama.

Só o tempo dirá,  se continuarão com as mesmas performances após as novas medidas de distanciamento, entre as mesas dos botecos e bistrôs,  ou se vão preferir continuar aporrinhando somente as reuniões familiares.

Há muito, ocupam o Twitter, onde o recém-chegado Senador Collor de Melo  já tem uma invejável coleção entre os seguidores, demonstrando  que o aquilo delle, além de roxo, é imenso.

Na quarentena, com todo apoio da mídia tradicional, mormente a televisiva preguiçosa, surgiu uma nova classe que desde as primeiras apresentações, já se mostrava merecedora de vaga no horário nobre.

Os neo-epidemiologistas de púlpitos, microfones e holofotes.

Bons nas contagens dos números tenebrosos, apesar de terem errado feio na previsão mais catastrófica, continuam dando picos. De audiência e medo.

A eles,  todos os méritos e auto-congratulações pela  curva que não parava de subir, sem respeitar os prazos dos 14 dias sempre prorrogáveis, ter finalmente sido dominada.

Seu tão esperado achatamento não teria sido alcançado não fosse deles, tanta chateação.

Em doses e coletivas, repetidas a cada 8 horas.

O chato é que essa turma não pensa  em parar. Nem para cumprir isolamento em quarentena.

Olha a eleição aí, gente!

A dúvida é pandêmica.

Votar  no candidato da Ivermectina.

Ou nos que arrasaram a Cloroquina.

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