Cassiano Arruda Câmara – Tribuna do Norte – 29/09/21

Cada eleição tem sua própria história. A próxima, dia 2 de Outubro de 2022, está sendo escrita, com emoções que não param nessa fase de pré-campanha, e que não devem parar até a última hora.

A Constituição Federal, estabeleceu que mudanças na legislação eleitoral tem de ser definidas até um ano antes do pleito.

Temos, portanto, duas semanas de expectativa para ver se ainda pinta uma mudança, depois de muitas marchas e contra marchas registradas.

Do ponto de vista legal, a última foi a proibição das coligações nas eleições proporcionais, considerada uma medida moralizadora e de fortalecimento dos partidos, que já havia sido aplicada na eleição de 2020.

Para significar o fortalecimento dos partidos, consequentemente, o fim das coligações, representa o enfraquecimento do Centrão. E este que nunca foi tão forte conseguiu derrubar a medida moralizadora na Câmara, porém, o Senado, a Casa revisora, derrubou a mudança. Com uma exceção:  no caso de Federação de Partidos, matéria que havia sido vetada pelo Presidente da República, mas o veto foi rejeitado na Câmara e no Senado, e que não pode ser vista como imoral, como a outra.

MUDANÇA POLÍTICA

Do ponto de vista político para o RN, a maior mudança aconteceu no último fim de semana, e ainda não parece ter sido bem assimilada, até agora. Foi a decisão do Supremo limitando a reeleição dos membros das mesas das casas legislativas a uma, apenas. Aliás como está escrito na Carta Magna, mas que ganhou inúmeras interpretações, todas elas em sentido contrário.

Álvaro Dias, Robinson Faria e Ezequiel Ferreira de Souza não soltaram o osso. Álvaro foi ser Deputado Federal e perdeu poder. Robinson, só deixou o cargo para ser Governador, e Ezequiel no meio de um amplo projeto, já tinha conseguido estruturar o mais forte partido de fato do RN, neste momento, o Partido da Assembleia.

Ezequiel parece ter aprendido a lição de Álvaro Dias e estava agindo como um dos grandes eleitores do Estado, sem precisar explicitar seus planos reais, de se reeleger Deputado Estadual e Presidente da Assembleia, quando chegou a notícia de Brasília, dizendo que os atuais Presidentes, vindos de reeleição, não poderão se reeleger mais de uma vez. Exatamente o seu caso. Comprometendo todo o projeto em marcha.

O PARTIDO FORTE

Dos informais, o partido mais forte do RN sempre foi o Partido do Governo, e depois de Álvaro Dias, o Partido da Assembleia que ganhou ainda mais força com Robinson e Ezequiel, num momento de vácuo deixado pelas lideranças estaduais, veio a seguir.

Como, por razões táticas, Fátima não cuidou do Partido do Governo, preferindo seguir no PT, e não quis influir na situação política dos municípios (respeitando os votos que a elegeram), o campo ficou livre para o Partido da Assembleia que já havia ocupado a legenda do PSDB e estudava uma mudança para outra legenda, podendo, na nova mudança, até modificar os próprios rumos eleitorais.

No vazio político ainda sobrou para o Partido da Câmara (de Natal), desde Raniere Barbosa, que foi Presidente do Legislativo Municipal. Mas, com seu sucessor já escolhido, o vereador Paulinho Freire, que botou o seu time em campo antes mesmo de assumir.

Paulinho chegou a conversar com o DEM (antes da fusão) e está com a sua tropa embalada em busca de uma legenda, a ocupar nas próximas duas semanas.

A LUTA CONTINUA

Pelo que se escuta desde o fim de semana, no Palácio José Augusto, o projeto Ezequiel pode prosseguir, começando pela escolha de um nome capaz de ocupar a presidência.

Difícil é alguém chegar lá e não assumir o protagonismo próprio do cargo. Para dar certo é preciso, portanto, que Ezequiel saia de cena. Verdade que ele já havia procurado há muito tempo criar alternativas para si.

Quando jogava sua tarrafa na pesca de novos correligionários tanto admitiu ser candidato a Governador quanto a Senador. Mas, a medida que os peixes iam chegando ele foi se conscientizando que o melhor caminho era continuar onde estava. Afinal, quem está bem não se muda…

Como política é a arte do possível, Ezequiel tem alternativas para continuar jogando no primeiro time. E ele tem duas semanas ainda para revelar o caminho que vai seguir. Ele e a grande maioria dos que pretendem se candidatar.

DECIDIR É PRECISO

É o que está acontecendo agora, o que já aconteceu e o que ainda pode acontecer, merece toda a atenção de quem quiser acompanhar a política do Brasil e do nosso RN.

O mais urgente é a definição partidária, que deve acontecer, pelo menos com sete dos nossos oito Deputados Federais. Apenas Natalia Bonavides deve continuar onde está.  Ela não é dona de partido, e foi eleita dentro de uma estrutura já existente onde vai continuar. Num partido que pode se fortalecer ainda mais com a possível candidatura de Lula a Presidente.

Os dois ministros potiguares, resolveram ampliar o próprio prazo. Ambos querem o Senado, e concordaram em deixar a decisão mais pra frente. Deixaram para abril a definição de quem será o candidato

Fica claro que partido político não pode existir só para atender seus Deputados Federais, notadamente quando tem uma eleição presidencial que já começa a movimentar a opinião pública do país. Sem falar na eleição para Governador em cada Estado.

Democracia se faz com eleição. E também com os partidos. E candidatos, evidentemente.

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