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O lançamento de uma nova cédula de dinheiro sempre é motivo para controvérsias.

Tem pra todo gosto.

Os que adoram novidade porque são modernosos por natureza.

Os que veem nos valores inacessíveis para os bolsos da maioria, mais uma oportunidade para ostentar.

Já imaginando o coitado do vendedor de coco tangendo aquele cachorro selvagem pela praia e oferecendo a troca  por duas garoupas. Se estiver com sorte, consegue quatro onças pintadas. Todos em perigo de extinção.

Os nerds radicais que simplesmente acham que não deviam mais nem existir. Substituíveis por cartões de plástico, já de olho em poder esconder os criptodinheiros nas nuvens.

Há razões para o novo lançamento da Casa da Moeda.

Só não cola, dizer que a necessidade deveu-se ao auxílio emergencial de 600 reais. Logo na semana que foi anunciado que o valor será reduzido à metade.

Ou será pago em dobro. De meses.

O sem-salário escolhe como considera a bufunfa recebida.

É bem verdade que eles não têm nossa  expertise com inflação mas desde 1969, a cédula de maior valor do dólar americano é a de cem.

O resto do mundo que multiplique pelas suas e veja quanto valem.

Nosso papel-moeda, feito de fibra de algodão tinha mesmo que valer menos que o dos ianques. Com 75% de linho. Egípcio.

Os que os gringos querem mesmo, são as notas circulando e passando  de mão em mão.

Garantem que dobradas até 4 mil vezes,  continuarão sendo aceitas em tudo que é lugar. Nos países menos confiáveis, onde as notas também acreditam em Deus, não custa um carimbo contra falsários.

Ninguém é perfeito. Nem elas. Um conhecido colecionador, ex-governador do Rio de Janeiro reclamou do trabalho que dava,  manter as suas verdinhas sem mofo, tendo a trabalheira de deixá-las ao sol ou ter que usar lâmpadas especiais para a secagem.

Inexplicavelmente, ficou com a fama de ter lavado dinheiro.

Os que têm por ofício seguir a dinheirama para provar falcatruas, se atentarem para a secagem, poderão descobrir muito mais que a enxaguada que têm encontrado.

Têm-se como fato que a moeda, metálica, foi invenção dos chineses, mais de mil anos antes do nosso Anno Domini.

Como foram também eles que inventaram o papel, à base de fibra de bambu e casca de amoreira, não é de se reclamar que seja o povo com mais know how em fazer dinheiro.

Eles são mesmo extraordinários. Se não criaram, espalharam a pandemia. Foram os primeiros a controlá-la com os lockdowns mais rigorosos e mesmo assim, no balanço do semestre perdido, os que mais cresceram a Economia.

Com tudo isso, quase ninguém sabe o nome da moeda deles. (Pedindo desculpas  aos sabidos, poupo muitos de uma saída ao Google. Renmibi. Que o povão chama yuan e vale menos de 1 real).

A quase totalidade das notas trazem estampas das personalidades que fizeram a história das diversas nações.

À falta de heróis imaculados,  de uns tempos para cá, os cruzeiros, cruzados, velhos, novos e reais passaram a ser ilustrados com animais da nossa fauna.

A recente escolha não tem aceitação unânime.

O homenageado é demasiado regional, somente encontrado no bioma do cerrado.

Os críticos consideram que passa a mensagem que o dinheiro graúdo é pra circular exclusivamente pelo planalto central e pra ser usado só pela turma de Brasília.

Como muitas outras ainda haverão de vir, já é hora dos nordestinos iniciarem uma campanha para emplacar na de 300, um simpático bichinho da caatinga.

O preá.

Os políticos vão gostar.

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Coleção Robério Seabra

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