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No mesmo dia, a mesma doença levou a miss das misses e o seu mais perfeito mestre de cerimônias.

Os velhos companheiros das redações haverão de lembrar em necrológios, as qualidades e feitos do decano da nossa crônica social.

Uma presença tão marcante na sociedade, não conviveu somente com personalidades.

Todos que tiveram por hábito, a leitura da segunda página do Diário, lembrarão do que o fazia tão singular.

Sua coluna era o oásis de boas notícias no areal das guerras políticas. A boia de salvação no oceano da violência, no jornal inundado de sangue ao ter sua última página espremida.

Devo a ele a  incorporação ao vocabulário, de uma palavra que só pode ter sido inventada por quem dava notícias não só de Natal. Alhures.

Também outra dívida de gratidão. Por ter sido escolhido personagem de um seu livro,  best-seller. Em várias edições.

Acompanhei seus registros de aniversariantes, como se todos fossem Benjamin Buttons, no tempo em que não havia os aplicativos que remoçam as pessoas.

Era invejado  por conhecer os carros antes de todos e testá-los  em pistas que desafiavam pilotos profissionais. Sem nunca ter encontrado um só defeito, em nenhum deles.

Desconfio que  levava o fuso horário na bagagem.  Costumava, no mesmo dia, tomar café da manhã em Roma, almoçar em Nova Iorque, com  tempo ainda de honrar  algum compromisso no Brasil. Um jantar em Jucurutu, por exemplo.

Fui dos muitos que duvidaram das fantásticas novidades que encontrava nos aeroportos e hotéis que frequentava e que descrevia em detalhes inacreditáveis.

Logo depois de  ser inaugurado, o aeroporto de Denver recebeu a visita do também expert em aviação.

E os administradores da capital espacial, a sugestão de trazer para  as ruas da cidade alta o que o impressionou mais que o vertiginoso Grand Canyon. Pedestres parados e o chão caminhando em calçadas rolantes.

O que está ao alcance de quem confia na entrega do AliExpress, foi recebido com igual desconfiança.

Em uma das viagens do igualmente oficial de turismo a Tóquio, no banheiro que dispensava toalhas, substituídas por secadores de corpo inteiro, o vaso sanitário era de cair o queixo.

Movido por sensores, fazia tudo automaticamente. Até passar o talco final.

Na época, os modelos ainda não dispunham de controle remoto (pra que, o site de vendas não explica) nem havia a opção do modo feminino, como função adicional.

Era tudo verdade.                                                         Era Paulo Macedo.

O errante viajante partiu.                                        Desta vez,  não voltará com suas estórias incríveis.           

Vai deixar pra contá-las na festa do reencontro.

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