Fábio Faria diz que se não houvesse a alta dos combustíveis Bolsonaro já estaria com 60%

Da Folha de São Paulo 

Ministro das Comunicações e integrante da ala política do governo, Fábio Faria (PP) diz acreditar que o maior empecilho para a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) é a economia —mais precisamente, a alta nos combustíveis.

“O que está segurando ainda é o preço dos combustíveis. Mas, mesmo assim, ele [Bolsonaro] está crescendo”, afirmou, em entrevista à Folha na quarta (25), antes de ser publicado o Datafolha mais recente.

Na pesquisa divulgada na quinta-feira (26), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu vantagem de 21 pontos percentuais sobre Bolsonaro, liderando com 48% das intenções de voto no primeiro turno, ante 27% do principal adversário.

O sr acha que a questão dos combustíveis pode atrapalhar a reeleição? 

Já tem [essa questão] e ele está crescendo com [a alta dos] combustíveis. Se não tivesse, ele estaria com 60% [de intenção de votos]. O que ainda está segurando [Bolsonaro] é o preço dos combustíveis, mas mesmo assim ele [presidente] está crescendo. Se não tivesse a guerra da Ucrânia com a Rússia e não tivesse tido esse crescimento da inflação, dos combustíveis, preço dos alimentos, ele já estava lá na frente, disparado. Ele vai ganhar, mesmo com isso.

O governo vai intervir na Petrobras para segurar o preço? Movimento recente foi lido pelo mercado como mais uma tentativa de interferir no preço. 

Quando a mudança ocorre, tem temor. Mas quando o mercado observa os nomes, faz uma leitura, o resultado vem no final do dia. E o resultado visto pelo mercado é que ninguém que entrou vai fazer uma loucura.

Paulo Guedes está muito forte depois de emplacar o ministro de Minas e Energias e o presidente da Petrobras. O que explica ele crescer no governo nesta reta final? 

Ele sempre foi forte com o presidente. Houve desgaste com relação a alguns pensamentos divergentes, mas ele nunca perdeu a força. O Brasil se saiu bem na política econômica adotada pelo governo na pandemia, em relação a outros países, e ele [Guedes] foi crescendo. Mas o presidente escuta o Roberto Campos Neto [presidente do BC], [Gustavo] Montezano [presidente do BNDES]. Escuta todo mundo e não diz o que vai fazer. É sempre assim.

O sr não vê incoerência na intenção liberal de privatizar a Petrobras e, ao mesmo tempo, controlar preços?

Ele [Bolsonaro] não fez. Quem fez foi Dilma [Rousseff]. E ele sabe que, quando ela fez isso, acabou num processo de impeachment. O governo não vai fazer nada em relação à Petrobras. Vai usar o bom senso. A Petrobras passou para o governo lucro de R$ 44 bilhões, é um senhor dividendo. Será que R$ 15 bilhões desses R$ 44 bilhões para subsidiar diesel de caminhoneiros para evitar greve é muito? Foge do bom senso? Já ouvi o mercado falando que não. Se for algo em torno de R$ 1,5 bilhão por mês não teria impacto tão grande. São coisas que estão sendo analisadas.

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