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Cassiano Arruda Câmara – Tribuna do Norte – 25/11/20

Basta ver o mapa político do Rio Grande do Norte para entender que não vai dar para continuar do jeito que está.

O RN tem uma bancada de oito Deputados Federais cada um eleito por um partido diferente (caso único no Brasil), o que é uma consequência e comprovação da falta de partidos.

A atomização dos partidos, antecipou o fim desses organismos indispensáveis a atividade política.

Quem tinha um mandato no RN, nos últimos dez anos, sobretudo mandato federal, achou que, para continuar na política, precisava ser dono do seu próprio partido. E a política do RN transformou-se num Carnaval com muitos blocos do “eu sozinho”.

Depois da primeira eleição proporcional (para vereador) sem coligação, ficou claro que o modelo atual tornou-se uma posição de alto risco por menos vontade que os nossos políticos tenham de se agregar a outras forças.

Esse parece o caminho inevitável.

Fora o PT que continua um partido fechado, do jeito que se manteve enquanto tinha a Presidência da República, o único partido que demonstrou interesses de atrair outras forças, na última campanha eleitoral, foi o PSDB (na verdade, em termos locais, o Partido da Assembleia).

E os outros?

A HORA DA SUCESSÃO

Há cinquenta anos uma intervenção do governo militar antecipou e precipitou o processo de sucessão da geração passada., quando três integrantes de uma só família perderam seus mandatos e tiveram os seus direitos políticos cassados.

Eles estavam na Arena partido de apoio ao Governo Militar e foram condenados a ir para o MDB, o partido da oposição, com a filiação da segunda geração.

Para não ficarem fora do jogo, os punidos tiveram de recorrer a uma nova geração que mal tinha alcançado a maioridade civil.

É aquela nova geração que está tendo de passar o bastão na corrida política, depois de 40 anos, sem haver nos quadros familiares novos nomes com características de liderança e capacidade de agregar forças e identificar vocações.

A necessidade de ter o nome da família para permitir uma carreira política norteou a formação das oligarquias familiares. Quem sobreviveu e conseguiu ser dono de um partido candidatou mulheres, filhos, irmãos, parentes e contra-parentes.

Com a possibilidade de coligação para as disputas proporcionais, o jogo era do cada um por si, mas na hora da eleição todos se coligavam e as coligações funcionavam como um tipo de partido descartável com prazo de validade curto; só por uma eleição.

A REGRA É CLARA

Legisladores e magistrados acreditaram que com aquele modelo não existiriam verdadeiros partidos políticos no Brasil.

Como a distribuição de cadeiras no Poder Legislativo, é feita a partir da divisão do número de mandatos divididos pela soma dos votos válidos fica difícil para um só grupo familiar, alcançar sozinho o quociente para ter uma cadeira na casa legislativa.

Nas Câmaras Municipais, que tem o quociente mais baixo, o modelo anterior ainda sobreviveria.

Para a Câmara de Natal, que tem 29 cadeiras, agora, foram eleitos Vereadores de 16 partidos, assim mesmo, porque os detentores de mandato fizeram um arranjo e ocuparam duas legendas, uma delas conseguindo eleger uma bancada de cinco (a mais numerosa). E provocando a derrota de muitos veteranos que não haviam se adaptarem ao novo modelo.

Isso numa eleição de Prefeito decidida em primeiro turno, disputada por 13 candidatos, com partidos políticos estruturados que nem conseguiram eleger um único vereador, e os bem sucedidos no pleito tenham definido primeiro a nominata de candidatos, antes do programa partidário.

Detalhe: nem um dos eleitos alcançou sozinho o quociente eleitoral. E surgiram dois tipos de candidatos: os que efetivamente disputam o cargo e os que “batem esteira” (na linguagem de vaquejada), coadjuvantes que atuam para ajudar o parceiro.

NOVA REALIDADE

De uma forma geral, dos 15 Vereadores que conseguiram renovar o mandato, a grande maioria teve metade da votação obtida na última eleição. Um deles, que havia sido o mais votado só obteve um terço dos votos; e, assim mesmo, elegeu-se no bloco do Eu Sozinho.

Se, para Vereador, ninguém atingiu o quociente eleitoral (de 12 mil votos e o mais votado teve metade disso) imaginem para Deputado Federal e Deputado Estadual numa eleição que também vai eleger o Presidente da República e Governador.

Na eleição passada, o nome do Presidente eleito, elegeu ilustres desconhecidos em todo o Brasil (inclusive no RN), embora os candidatos ao Governo não tenham conseguido empolgar e foram menores dos que os seus apoiadores.

A Governadora eleita pertence a um partido, o PT, com mais de 30 anos de estrada, que, dia 15, teve o segundo candidato mais votado a Prefeito de Natal, com 14.38% dos votos apurados e o eleito obteve 56.58%. O PT elegeu uma bancada de dois vereadores na capital.

PARTIDOS, AFINAL

Enquanto os partidos se evaporaram, surgiram outros, representativos de instituições e terminaram sendo os mais fortes fora da definição oficial. O Partido do Governo e o Partido da Assembleia.

O Partido do Governo não tem conseguido, no atual mandato, ocupar sua dimensão devida, sobretudo no Interior. O PT – Partido do Governo – elegeu só três Prefeitos em 167 municípios no RN.

O MDB continuou sendo o partido com maior número de Prefeitos do RN, 39 (tinha 58) e elegeu só um Vereador em Natal; o PSDB – Partido da Assembleia – elegeu 31 Prefeitos, inclusive o de Natal (eram só 10) e o DEM consegui eleger 17 Prefeitos e nenhum Vereador na capital.

Nos próximos dois anos, até a próxima eleição, os partidos terão de se reformularem.

A era do Bloco do “eu sozinho” vai ter de acabar, não havendo mais coligação na eleição proporcional.

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