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Oleg Shupliak – Impressão de Claude Monet

Está aberta a temporada de golpes.

Não é porque um tanque está queimando óleo 64 que não vão continuar tentando.

Vai que um dia dá certo.

Ninguém está livre de ser iludido na boa-fé.

O alerta é antigo mas quem faz disso profissão, sempre está em permanente atualização.

O dom para o ofício dispensa treinamentos, operações, cursos superiores e registro no conselho profissional.

Área livre de desemprego, não requer maiores investimentos.

Nem a boa aparência dos especialistas nos golpes de vigários e bilhetes premiados, com o trabalho remoto, é mais necessária. Tudo é feito em home office.

Bastam, boa lábia, criatividade, um smartphone na mão e uma maléfica ideia na cabeça.

O resto,  é com a vítima.

Se antes era a ganância do olho grande, depois da pandemia,  o que movimenta estes negócios é a generosidade .

Desprendimento, vontade de ser útil, servir e ajudar.

Na moda, a comunicação aos amigos ou parentes,  do novo número do telemóvel, como se a regra da portabilidade não mais valesse.

No falso perfil, o pedido de empréstimo relâmpago com promessa de quitação na abertura  do expediente, em tempos de bancos digitais, ainda é atendido por muitos.

Exceção dos que nunca foram tratados por paiiinho, nem lembram de mensagens filiais terminadas em coraçõezinhos pulsantes.

Vez por outra, a porção samaritana é provocada por algum nunca apresentado parente distante, morando mais longe ainda, passando o boné na coleta de recursos para custeios de tratamentos médicos.

E a força do argumento da compatibilidade sanguínea, acompanhada de fotos dos enfermos, pré-moribundos, em camas de hospital.

Pilhas de  laudos de exames, comoventes até para quem não abre a mão nem para os cumprimentos distanciados, recomendados pelas autoridades sanitárias, anunciam a chave do pix.

Com as fontes do WhattsApp exauridas por fadiga de uso, os trambiqueiros ressuscitaram uma modalidade que há muita estava arquivada, fora de catálogo e repertório.

Quem não quer receber uma grana esquecida nos cofres do perdulário governo?

E recusaria pagar à Confederação Nacional de Aposentados  e Pensionistas, 10%,  em custas processuais?

O brasão da república, o palavreado previdenciário e a assinatura da advogada paulista, só não garantem verdadeira, a sorte grande em boa hora, graças à CPI da Cloroquina que continua preenchendo as tardes dos aposentados.

Os vigilantes senadores, talibãs da moralidade, têm desmascarado  tantos vivaldinos que fica impossível não desconfiar de tudo e todos.

Respiradores à parte, foi-se o tempo dos negócios da Índia.

Ninguém vai mais encomendar 400 milhões de doses de vacina a um cabo de polícia, nem ficar com os benefícios dos velhinhos.

Basta a garfada de Paulo Guedes na reforma da previdência.

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Oleg Shupliak (pintor ucraniano contemporâneo) – Claude Monet, um dia de vento

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