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São muitos os relatos de animais aparecendo em lugares nunca imaginados.

O isolamento do bicho-homem deixou os espaços para  outros viventes, imunes à nova peste pandêmica.

A fila de patos, na rua, em frente ao Tour d’Argent,  não deve ser acreditada como marcha anserina vitoriosa dos salvos do holocausto das panelas.  E de virarem  confits e magrets de canard.

Fausses nouvelles.

Desta vez, os irracionais  não participam do filme de suspense como coadjuvantes, meros vetores de transmissão de doenças.

São os novos donos do pedaço.

Até agora, estão ganhando na guerra da qual nem participam.

Há um ano, quem haveria de imaginar?

           (Publicação original em 13/06/2019)

BICHOS DE PRAIA

Alguns dias na praia.

Une escapade fora do veraneio. Uma volta ao estilo de vida mais simples e primitivo.

Programa na medida para a família finlandesa que havia hospedado o filho no intercâmbio cultural e merecia conhecer tudo de melhor da nossa região.

Daquele hub, conexões para lagoas, dunas e parrachos.

A casa rústica até para padrões nativos, não se sabe como foi classificada pelos nórdicos.

Se a simplicidade fosse traduzida como ecologia, até que estaria na moda, no primeiro mundo.

Pra evitar um choque cultural atrás do outro, necessárias explicações sobre a inofensividade das lagartixas, bribas e rãzinhas de banheiro. Todas de convívio inevitável.

Sem falar na torcida para que as cascudas não aparecessem, evitando   susto maior, num indesejado mas possível encontro com o artrópode voador.

Não estava na programação era a visita de marsupiais. Até porque nunca houve relato da presença deles ali.

Todos à mesa, na hora do jantar. Entre a meia-parede e o telhado, de olhos arregalados, dentes à mostra e posição de ataque. Lá estava, como um penetra assustado, um assustador timbu.

Não dava pra falar que era situação normal.

Antes que os visitantes fossem apresentados uns ao outro, uma ligação  para o caseiro que chegou com alguns amigos. Em poucos minutos a presa saía enrolada em panos.

Pelo desempenho daquele esquadrão caça-gambás,  a eficiência do serviço deve ter atingido o padrão dos países bálticos. E impressionado os viajantes.

Para efeitos conservacionistas o animal apreendido seria solto no seu habitat, uma próxima e inexistente reserva florestal.

Inerte.

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