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Cândido Portinari (1903-1962)


Nas comemorações dos 100 anos de nascimento de
Aluízio Alves é tempo de lembrar também do seu mais fiel escudeiro

A memória do companheiro de muitas lutas merece ser revisitada.

Personagem tão exuberante não caberia nunca em dois minutos de prosa, contando sua frustração por não ter sido escalado para papel de  mais destaque como vítima da revolução redentora de 1964.

O resgate da meteórica carreira política e o relato de uma  aventura boêmica, fazem o universo do Marechal Porpa ainda mais surpreendente.

Com toda a corda do seu líder e guru, e apoio do Dr. Hélio Galvão, lançou-se de alma aberta, na disputa pela prefeitura de Tibau do Sul.

No alforje do candidato, as táticas de marketing que havia ajudado a implantar, com êxito, em cidades do agreste e vale do Assu.

Foi precursor de outsider, no tempo em que a Pipa nem sonhava com a fama internacional.

Idos de 68.                              

Enquanto Cohn-Bendit, Dany Le Rouge, incendiava Paris, na guerra que se travava na gamboa de guaraíras, nosso intrépido combatente defendia, sob o mesmo manto protetor da república dos generais, as cores verdes da Arena. Contra os vermelhos do mesmo partido.

E só por muito pouco, não chegou lá.

Na apuração dos votos, sua imensa torcida foi engrossada pelas organizadas de Nova Cruz e Passa e Fica que vieram amenizar as derrotas dos tios oligarcas, com o insosso sabor de uma vitória à beira-mar. Tida como sólida e certa.

A cada urna apurada, uma explosão de alegria, pulos, abraços e vivas. E foguetões.

Com a vitória praticamente assegurada, era hora da charanga e da ala moça entoarem todos os hinos e paródias que levaram àquele momento sublime.

E tempo de preparar a humilhante  (para os adversários) carreata.

Na última urna, de um distrito onde o grupo de apoiadores nunca deixara de ganhar, o Inacreditável Futebol Clube  mudou a história do jogo.

No último minuto da prorrogação, com um gol de mão, em impedimento, o desempate e a improvável, inexplicável, inaceitável e sobrenatural virada.

E agora, por  conta de um punhado de duas dúzias de votos, sou obrigado a fazer  a primeira correção.

Derrotado pelo voto livre dos tibauenses do sul, o  Marechal não pode ser considerado invicto.

A invencibilidade de quem passou incólume pelos anos de arbítrio, sem ter conhecido os porões da ditadura, tem outro episódio a ser registrado.

Depois de penosa travessia do Potengi em barco a vela, mais uma prosaica e mundana Festa dos Navegantes.                             

Um fuzuê e a pronta ação do anspeçada, comandante-em-chefe do destacamento da Redinha, tiraram o guerreiro (na fase pré-abstêmica) de combate.

O oficial de mais alta patente que já pôs os pés na sonífera ilha, dividiu por uma noite, o cárcere com outros fiés de Nossa Senhora de Iemanjá. Arruaceiros e  bebuns.

Resgatado, depois do raiar do sol, pelos companheiros de farra que sabiam com quem estavam falando, não teve o deslize anotado no seu estrelado prontuário militar.

Invicto, continua para os que privam da sua amizade e constante solidariedade.

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Luiz Antônio Porpino e Aluízio Alves em 1963

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