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Quando começou o distanciamento social, logo promovido a isolamento, nunca se haveria de pensar nas consequências para os relacionamentos afetivos.

Se bem que para os de papel passado, faça-se justiça, a Ministra Damares até que alertava, desde o início, para um provável aumento da violência, travestida de acidentes domésticos.                       Uma mãozada que cai de cima da cristaleira bem nas ventas da patroa, por exemplo.

O problema é manter os extras.

Agora, com essa estória de lockdown, não sobram nem as rapidinhas com desculpas de ir às farmácias e supermercados.

Também todo cuidado é pouco com o home office amoroso.

Lavem bem as mãos, usem álcool em gel e não bobeem.

Escondam, bem protegidas, suas senhas.

             (Publicação original em 10/05/2019)


               ANALFABETA DIGITAL

Os smartphones foram muito além das expectativas de Steve Jobs.

O gênio das inovações tecnológicas não imaginou que sua criação fosse acabar com o analfabetismo. Pelo menos, do assunto,  nunca tratou.

Hoje, iletrados, funcionais ou não, mandam suas mensagens faladas e o aparelhinho, acessível a quase todos, faz o resto.

Transforma palavra escrita em oral, vice-versa e não para nem nas barreiras dos idiomas.

O próximo avanço ninguém pode prever.

Quem há de saber se os modelos novos não  terão um aplicativo para a psicografia e comunicação com os mortos?

Houve um tempo, (começo do Windows e antes do império da Internet) que poucos tinham acesso  ao mundo maravilhoso dos computadores.

Amigo, em união estável com uma analfabeta digital (não desenhava no Paintbrush, um O com um mouse) era um bambambã dos teclados não musicais.

Sem redes sociais, ainda, tinha alguns amigos virtuais com os quais trocava mensagens.

Protegido pela ignorância total da parceira que nunca havia dado um enter sequer, resolveu compartilhar (termo a ser expandido no futuro) com um confidente cibernético, uma aventura extra-conjugal.

E tome pabulagem.

Depois de um dia daqueles,  ao voltar pra casa, foi atraído (e traído) pelo brilho da tela do computador que tinha certeza,  ter deixado desligado.

Exibindo a página mais picante da peripécia.

Uma amiga da mulher (que já há um tempão, andava meio desconfiada), fera na informática, fez o passo-a-passo.

Estória revelada tintim por tintim.

Foi assim que o relacionamento, não virtual,  foi para o ciberespaço.

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