MAGIA DE REIS

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A Adoração dos Magos (1482) – Sandro Botticelli – Galeria Nacional de Arte, Washington


O anúncio que o pagamento da gratificação natalina dos funcionários estaduais só será concluído no dia 4 de janeiro, não causou revoltas.

O espírito da estação festiva tem resistido às ondas da pandemia e ao medo que se espalha na maré vazante da cepa Ômicron.

E acalmado militantes.

Não se ouvem apitaços.

Nenhum sindicato armou barraco na frente da Governadoria.

Os combativos líderes classistas pareceram satisfeitos com o agendamento de outra reunião para depois das festas.

Pra não dizer que não existem reclamações, um ou outro muxoxo de blogueiro com outros patrocínios. E só.

Ainda não atentaram que este  simples adiamento, por poucos dias, tem significado que vai muito além dos aspectos econômicos e da circulação do dinheiro.

É um desvio cultural que o primeiro governo feminino de origem popular, está tendo a coragem de enfrentar.

Já era tempo de conceder aposentadorias compulsórias a certos mitos, alheios às nossas mais enraizadas tradições.

Alguém teria de tomar uma atitude corajosa contra tanto consumismo.

Não bastasse a black friday dilapidar os empréstimos consignados, seria temerário deixar que o crédito fácil avançasse também sobre o décimo-terceiro salário. Tudo por conta da balela de uma lenda escandinava.

O tempo está dando razão à governante com visão de futuro.

Imagine o desperdício, se nos primeiros anos da administração tivesse investido recursos e esforços em alguns setores.

Qual a serventia do Teatro Alberto Maranhão, se os espetáculos estavam proibidos?

Quem precisava de biblioteca, com aulas suspensas desde antes do primeiro decreto de emergência, pela rotineira greve de todo ano letivo?

Não fazia sentido a quadrigentésima reforma do Forte, se os turistas não apareceriam.

Agora é hora do combate às imitações pseudoculturais e de serem retomadas as melhores tradições judaico-cristãs.

Tempo de esquecer certos símbolos que nunca foram nossos.

Não sendo burras, as renas não se adaptaram ao seminário.

Os trenós não resistem às estradas esburacadas.

Santa Claus, de saco cheio deste calor infernal, terá de obedecer a mais um  lockdown decretado na Lapônia.

A partir deste ano, como em Portugal,  a troca das prendas fica para o dia 6 de janeiro.

É assim que se resgata a cultura de um povo.

O resto, é folclore.

Gaspar, Belchior e Baltazar  foram guiados por uma  estrela.

A nossa, agora é vermelha.

Feliz Dia de Reis e Próspero Ano Novo.

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Adoração dos Magos (1476) – Sandro Botticelli – Galleria degli Uffize

Domicio Arruda

Aprendiz de Cronista

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