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A biografia no streaming, de quem encerrou tragicamente a carreira política quando as TVs em cores eram ainda para poucos, e só nos Estados Unidos, reaviva lembranças em tons de sépia.

Condenado à prisão perpétua, um assassino volta ao noticiário pela iminência de saída da prisão e não deixa esquecer que mesmo muito longe daquela cena na cozinha de um hotel em Los Angeles, o sentimento de perda que despertou no adolescente potiguar.

Bobby Kennedy era o príncipe-herdeiro da dinastia que chegara ao trono da Casa Branca, com ares de novidades, mas mantendo a política tradicional de nervos à flor da pele, pela guerra fria e o pavor de uma terceira, e talvez última, de armas  nucleares.

Depois de cumprir o roteiro que faz o currículo e o sucesso dos políticos, tendo servido às forças armadas, como aprendiz de marinheiro no contratorpedeiro batizado com o nome do irmão mais velho, morto em ataque aéreo, em mares ingleses.

O destino afastou o Tenente Joseph II assim como seu pai,  do cargo que veio a ser ocupado pelo novo chefe do clã, até entrar na mira de um atirador solitário.

A tragédia fez o principal conselheiro do presidente assassinado, trocar o posto de Procurador Geral por uma cadeira de senador pelo estado de Nova Iorque e empunhar novas bandeiras que tremulavam apenas nas mãos dos pobres pelas ruas da mais rica de todas as nações.

Quem levava fama como implacável homem da lei e da ordem, destemido no combate aos delinquentes da máfia e do crime organizado, intolerante com os comunistas dissimulados, percebeu que havia chegado a hora de outras pautas e do  reconhecimento dos direitos humanos.

Um dos mais emblemáticos sócios do  clube dos miliardários, tornou-se paladino da luta contra a pobreza e as desigualdades sociais.

Sem ser propriamente um WASP (branco, anglo-saxão protestante), o católico assumiu causas antirracistas e trouxe as ideias de Martin Luther King para sua campanha eleitoral, pelas primeiras prévias partidárias, de eleição garantida.

Ferrenho opositor da Guerra do Vietnã, sintonizava com jovens do mundo todo que, ao som do rock n’ roll, adotavam o lema paz e amor, clamando para alguém stop the war.

Os dez filhos (o undécimo, nasceria órfão) e o marketing da família modelo de felicidade, justificavam o resto da admiração. E o luto.

Havia passado pouco mais de três anos de um inesquecível encontro que firmou laços com a celebridade que prometia mudar a política mundial.

Na Sociedade Cultural Brasil-Estados Unidos, onde se estudava a língua e se aprendia a imitar  costumes, o excitante convite para recepcionar a ilustre visita ao enclave em terras uma vez ocupadas como trampolim para a vitória, fez do garoto de 13 anos, testemunha da História.

A proximidade com a famosa família viria a se repetir seis anos depois.

Ao fim de uma longa viagem de ônibus, de estudos e festas, num encontro de jovens intercambistas, em um imenso gramado de um parque em Washington DC, na palestra do outro senador Kennedy.

Ted falou sobre fraternidade, ajuda aos mais necessitados,  entendimento entre os povos e assuntos ainda não na moda: ecologia e poluição.

Na recordação dos que não tiveram tempo de transformar ideias em ações, a certeza que ainda há muito por fazer.

Só o homem prosaico ainda se apega à superstição sombria e venenosa de que o mundo acaba na colina mais próxima, seu universo chega até a margem do rio, sua humanidade está encerrada no estreito círculo daqueles que compartilham sua cidade, seus pontos de vista ou a cor de sua pele 

Robert Francis Kennedy

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Robert Kennedy em Natal, com Clóvis Motta, José Wilde e Aluízio Alves (1965)

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