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Nessa Quarentena um passatempo de muitos, tenho certeza, foi abrir a caixa de recordações,  o baú de álbuns antigos.

Aqui em casa não foi diferente.

A caçula com sua fita métrica afiada:

– Por que Tom tem muito mais fotos do que eu, mãe? E por que nas fotos dele vovô está sempre mais sorridente e vovó parece até abraçá-lo mais?

Respondi, claro, que não é bem assim. Que cada ângulo  pode mostrar uma face do que se quer enxergar. Tentei colocar em prática toda a filosofia e psicologia lida desde a gravidez com dr. De Lamare e Dr. Winnicott.. Sem sucesso.

Mas voltando as fotos. A situação se agravou quando  abrimos  o álbum do bebê.

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 E aí lembrei que o meu, a caçula da casa, também sempre o mais desfalcado; nos  quilos e centímetros ganhos a cada mês. Folha da árvores genealógica , acho,  que incompletas até hoje.

Sorry, mamys! Aprendi; mãe, somos humanas..

No tal album de Antônio, um ralato sobre o debate entre Lula e Serra, era a campanha eleitoral de 2002. Falei sobre minha opinião do tal momento com detalhes, e sobre o nascimento – tão esperado e antecipado- claro, também estava lá.

Enfim, o primogênito apressado chegou nas 36 semanas incompletas.Sem pit- stop na incubadora, graças a Deus.

Mas Anita, na verdade, queria algo tão relevante/histórico/público, quanto o do irmão. Ou sei lá, queria ser igual. Queria ela lá, antes, bela e plena.

Não tinha como, ela nasceu em março, 14, dia da poesia. Dia lindo e meigo. Desde que a mãe soubesse escrever poesia e descrever flores, pássaros e amores. Não saiu no Jornal Nacional.A mãe foi econômica sobre os fatos do momento.

 

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Mas voltemos às fotos.

Resumo de Quarentena talvez seja a introspecção, o olhar para nosso melhor(e pior!), por isso também: tiremos fotos!

Tiremos fotos boas, posadas, com profissionais nas mais diversas fases da vida. Tiremos fotos do cotidiano para mostrar aquela batedeira azul ou a enceradeira preparando o assoalho da sala para o aniversário da vez.

– Pra quê servia isso, mãe?

São elas que nos revelam de maneira mais fiel  a nossos filhos, a quem estar por vir, a nosso futuro.

Tiremos fotos do Carnaval e da Quarta de Cinzas, tiremos fotos nos inverno e nos verões,  e na mudança dos antigos veraneios.

Tiremos fotos das despedidas, das chegadas..

Do galo na cabeça da criança que ficou sem ir a aula por conta da queda que … “poderia ter morrido”…  pela décima vez.

E sobre as cobranças esperadas e incessantes dos álbuns capengas ou das fotos escuras e desfocadas?

Um consolo freudiano; MÃE , culpa é teu sobrenome. Elas fazem parte do jogo desde que o mundo é mundo.

Fazem?

Essa frase já não tenho tanta certeza assim. MÃE, incerteza também é teu sobrenome.

Mas é que preciso me aprofundar nas outras Humanidades, que a Fillosofia agora me apresenta.

Sorry, Anita, você não aguenta mais ouvir falar sobre minhas últimas descobertas filosóficas.

Só tenho a lhe dizer que a maior delas, mais bela e mais mágica; é ser mãe de vocês dois!

Sem hierarquia, sem balança de coração, com algo incondicional que só se sente com o som do primeiro choro e se confirma quando esquecemos de nós mesmas na primeira febre.

Ah, tiremos foto também de nossa carinha sem filtro na primeira disenteria do rebento.

Hoje, MÃES, não poderemos tirar nossa foto com família reunida.

Todos juntos e misturados brindando o momento que até já parecia repetitivo e comercial. Hoje, não!

Estamos valorizando mais cada segundo que estamos separados já.

A minha, peço desculpas pelas fugidinhas  que dei para olhar vocês,  de máscara e de longe. É um cordão difícil de cortar mesmo.

Nesse caso, a precaução de não tirar fotos . As redes sociais não nos perdoariam. .

Feliz dia para todas as MAMÃES!

Selfies estão liberadas. Guardemos para posteridade. Quando estaremos melhor do que hoje e com mais histórias a contar e colecionar.

Comentários do Site

  1. Lidiane
    Responder

    Feliz Dia das Mães, Laurita!
    Feliz Dia das Mães para as todas mães, de forma ampla e irrestrita.

    Ser filho é isso mesmo, arrumar umas culpas para as mães, fazer umas comparações com irmãos, se os tiver e se não tivermos conseguimos alguma coisa, só para ter a certeza do que já temos, que esse amor de mãe é único, incondicional. Questionar os avós também, porque aí podemos perguntar para as mães essa “diferença” de amor, deles. Também não gostamos de “concorrência”, então compreendo Anita pela pouca simpatia com as descobertas filosóficas. Isso passa, Anita! (ou não!)
    Enfim, guardemos as fotos, as selfies, e já pensemos nas novas fotos no pós-pandemia, com momentos de muito amor, alegria pelo reencontro.
    Beijão.

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