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Sedes de fazendas e engenhos  guardam muitos mistérios e estórias.

O passar dos tempos, as esquece.

Não fossem os netos de boa memória e indiscrição,  as partes mais felizes das histórias dos antepassados continuariam segredos de família.

Mesmo nestes tempos do politicamente correto,  há também quem teime em lembrar das senzalas.

Para os saudosistas, apesar dos decretos do governo, a casa show continua em atividade. Em lives no YouTube.

(Publicação original em 25/05/2019)

A BELA DO ENGENHO

A caminho da cidade onde, todo santo dia,  tinha encontro marcado com um dedo de prosa e uma dose de Bacardi, o dono daquelas terras todas para na porteira.

Um casal faz o obséquio de ajudar na saída do fusca. Logo, uma conversa é entabulada.

Jovens, sem filhos, em busca  do primeiro emprego, tinham acabado de saber que a vaga que procuravam já estava preenchida.

Compadecido com a situação e atraído pela beleza meio selvagem da senhora-moça, o futuro patrão pede para que voltem no dia seguinte.

Determinou ao capataz que fizesse as mudanças necessárias contanto que a melhor casa da vila estivesse liberada para os novos moradores.

Ao colaborador contratado há tão pouco tempo, o tratamento dispensado chamava a atenção.

Nunca antes naquela propriedade alguém havia merecido tantas regalias.

Não demorou muito e  o  homem de extrema confiança do patrão já era outro.

Os anos passaram rápido e todos continuavam satisfeitos com a vida mansa que levavam. Sem reclamações.

A não ser quando  o marido da morena mais admirada do engenho se excedia um pouco mais nas provas da cachaça que ajudava a produzir e resignado, desabafava:

-No Direito, no Respeito e na Sinceridade, o doutor me passou um par de chifres.

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