Se você, caro leitor, tem alguma ligação política, social, familiar, jurídica com o Rio Grande do Norte, certamente, desde ontem já está sabendo da nova polêmica que nos consome tempo, divergências, likes e encaminhamentos.

De um lado,  o time procurador Fernando Rocha e do outro, os pró-abertura do comércio em tempos de pandemia, que tiveram acesso a um vídeo de Rocha malhando, numa academia de Cross-fit nos primeiro dias de reabertura.

A mesma que ele tanto combateu em público. Sim, uma figura pública que age diferentemente do que diz no privado.

Mas onde mesmo a perfeição dos que apontam dedos e mãos contra Rocha agora?

Talvez, ou muito provavelmente, os mesmos que Rocha mirou sua ânsia de fiscal da lei, tantas vezes esquecendo os limites e princípios  dela.

Mas voltando à ordem do dia, Fernando Rocha reconheceu o erro e comunicou sua saída do Grupo de Trabalho Covid-19:

Dei mal (sic) exemplo e por ele peço desculpas…  

Dizia a nota, usando a assessoria da Procuradoria da República do RN,  que também anunciava seu desligamento do tal GT.

A turma aproveitou para tripudiar do erro gramatical do procurador, que costuma fazer o mesmo com ironia e propriedade linguística em suas turbinadas redes sociais.

Logo ele, que mais jovem conseguiu a façanha de passar num dos concursos mais complexos e de melhor remuneração na carreira jurídica do país.

“Humanos, demasiado humanos”…

A obra de Friedrich Nietzsche – que não li, mas adoro o título –  queria implodir realidades eternas e verdades absolutas.

Os ilustres membros do MP também erram, no privado ou no público, mas de vez em quando, a VIDA precisa avisar.

Parêntese para citar uma grande amiga procuradora aposentada que me deu das maiores lições num escritório de advocacia:

“Gente é gente e em todo lugar”.

Ou como sempre diz meu pai da forma mais agrestiana possível;  “urubu é preto em todo canto”.

Hoje, dicotomia sem fim entre:

 Direita e Esquerda, Trump X Xi Jinping, Bolsonaro X Lula, Saúde X Economia, Comércio aberto X Isolamento Social, Fernando Rocha X Blogueiros…

… a pergunta que não quer calar, para onde estamos indo? O que se quer proteger e o que se quer construir com essas batalhas inglórias? Onde o bom senso e o meio do caminho?

O interessante disso tudo é que todos se unem quando o discurso se distancia das questiúnculas e se elevam na essência.

O que se pretende? Salvar vidas e economia, manter CPFs e CNPJs, alguém tem dúvida disso?

Mas quando este discurso se torna prática a cada amanhecer; seja para Trump, Bolsonaro, jornalista, procurador eu e você?

Cobramos dos líderes o que muitas vezes não conseguimos vivenciar nossa casa, com nosso filhos e funcionários.

Alguns poucos iluminados já nasceram sabendo de nossas fraquezas, limitações e incongruências, outros seguimos nos achando escolhidos de Deus na supremacia da raça, inteligência, sabedoria.

E é quando a vida e ele,  o único DEUS supremo, manda avisar que somos …. finitos. Perfeito mesmo só ELE.  Estamos aqui para aprender, cair e, principalmente,  levantar.

Dr. Fernando Rocha está tendo oportunidade única de calçar as sandálias da humildade e seguir no GT.

Quem sabe agora pudesse enxergar que quem quer trabalhar e manter o comércio aberto pode ter respeito a vida do semelhante,  tanto quanto ele. Que existem maneiras saudáveis de voltar à normalidade, seja na academia ou em restaurantes.

Poderia  voltar sabendo que opinião pública e publicada pesam menos do que possa parecer..O que era de verdade ninguém mata com posts, denúncias mal formuladas, voluntarismos de ocasião.

E se é pra falar de Cross FIT, não esquecemos seu idealizador Greg Glassman, que venceu uma polimielite ainda criança:

“A dor é temporária. Parar dura para sempre”. 

O combate ao covid-19 no RN ainda teria muito a ganhar com os acertos de Dr. Fernando, mas principalmente com seus erros.

Comentários do Site

  1. observanatal
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    Ótima reflexão, jornalista.
    Sandálias da humildade, que são gratuitas, nunca foram tão necessárias, embora como em quase tudo nessa pandemia, estejam em falta.
    Fernando Rocha talvez aprenda que não é semideus, que não é dono da verdade, da gramática, e que ironia fina mesmo faz a vida, como fez agora com ele. Que não seja aprendizado só dele, mas que seja reflexão para a maioria de nós sobre bom senso, justiça, equidade, generosidade, discurso e prática.

  2. Raimundo Chaves Neto
    Responder

    Ao meu ver, e esta é minha opinião, o Procurador da República Fernando Rocha utilizava a retórica vazia e desprovida de verdadeiro comprometimento ! Se todos seguissem seu insensato exemplo, as ruas estariam tomadas por aglomerações de pessoas ! Lamentável ! Conduta reprovável ! Eu, no lugar dele, solicitaria transferência para outra cidade ! E, também, outra academia…

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