( Publicação original em 31/03/2019)

6E70D48C-FCB5-46AB-A6B6-B4AA2ED66DEAA revolução que depois virou golpe deve ou não ser comemorada hoje, 55 anos depois?

Polêmica à parte, todos concordam  que deve ser lembrada, sim.

Pelo bem ou pelo mal.

Faço a minha parte  e rememoro o que aquela data  representa para quem era apenas um menino de 11 anos, interno no Colégio Salesiano do Recife.

Alguma coisa de muito diferente estava acontecendo.

Não era feriado, nem dia santo de guarda  e mesmo assim, não tivemos aulas por alguns dias.

A explicação que ninguém entendeu, era um tal de “estado de sítio.

Portões fechados.

Nem Charuto, o sorveteiro da FriSabor,  podia entrar.

Nas missas diárias e obrigatórias, muita reza  para o êxito do movimento que “vinha para livrar o país do comunismo ateu”.

Com o retorno à normalidade e dos colegas externos,  ficamos sabendo dos soldados, tanques de guerra, prisões e pessoas desaparecidas.

O clima de incerteza logo passou a ser de otimismo  e júbilo por parte dos padres.

Sentimentos exaustivamente  transmitidos aos alunos.

Se o IBOPE tivesse feito pesquisa naquela época, não precisaria nem calcular a margem de erro: 100% de aprovação do Movimento Revolucionário.

Pouco tempo depois, a primeira visita do Presidente Castelo Branco(era assim mesmo que era chamado o sisudo Marechal) à cidade.

Recepção com todas as honras, desfile militar e dos principais colégios na Praça do Derby.

Ambiente de festa.

Ruas e pontes embandeiradas e multidões pelas calçadas.

Mal comparando, um Galo da Madrugada fora de época.

Todos  saudando o homem que havia ajudado a livrar o Brasil dos sanguinários comunistas soviéticos e cubanos.

E eu lá, gozando outro feriado.

De farda de gala, soprando a corneta e fazendo evoluções na banda marcial.

Cheio de orgulho em comemorar o 31 de março.

Ou terá sido, o 1° de abril?

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