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Este ano,  o Oscar de melhor comediante vai para ... Rudolph Giuliani.

Prefeito por 8 anos da Big Apple, capital do mundo, nocauteou os altos índices de criminalidade com a tolerância zero e fez fama de bom administrador.

Afastado da cena política, tendo superado os problemas de saúde, voltou como principal consultor do Presidente Trump e porta voz de um batalhão de advogados.

Tem desempenhado papel especial no mais aguardado filme que vem sendo rodado na meca do cinema, com estreia prevista para 20 de janeiro.

Com a paralisação da indústria cinematográfica pela pandemia, ninguém esperava que uma produção de tema tão batido, pudesse empolgar.

A Comédia Americana 2020 é uma daquelas fitas que nunca entrariam em nenhuma lista dos melhores do ano.

Apesar do elenco de peso e participações especiais dos maiores líderes e dignitários mundiais, desta vez, o enredo utiliza o humor para prender as atenções mundiais. Faltava o algo mais. Aquele diferencial.

As cenas iniciais do protagonista soltando disparates em 140 toques e retrucando, sem a elegância que a liturgia do cargo exige, as perguntas dos repórteres, por si garantiriam somente graça contida e poucas risadas.

Quando a trama já se encaminhava para o final, entra, de repente, o personagem que parece tão risível que se torna irreal.

Usando com criatividade a técnica do filme dentro do filme, Giuliani rouba a cena, Borat e a Fita de Cinema Seguinte.

Ao aceitar ser entrevistado na cama de um quarto de hotel e quase avançar o sinal da falsa entrevistadora, era de se esperar que seu papel estivesse concluído com o desfecho da pegadinha.

A parte que trata da queda nas intenções de votos, proporcional ao avanço da infecção devastadora, foi toda protagonizada pelo ator principal.

Do púlpito, em monólogos, continuou desdenhando da doença que o levou ao hospital sem nunca admitir que seu negacionismo poderia se transformar em  insucesso na renovação do mandato.

Como quem conhece bem o sistema, as regras do jogo e a força das interferências externas, tirou uma carta de seguro e antecipou que só perderia a eleição se ocorresse uma catástrofe (que só ele não viu) ou  burla em série (que mais ninguém viu).

A apuração dos primeiros resultados levava o espectador a imaginar que o fim seria decidido por estreita margem de votos e que o derrotado aceitaria o resultado, como todos os que saíram dos holofotes e entraram na história com biografias enriquecidas.

Não foi como estava no script.

O suspense arrastado até virar uma sucessão de piadas, de novidade, trouxe somente a troca do bordão.

Sai fakenews, entra fraude.

Sem provas robustas e nenhuma reversão nas recontagens dos votos, o filme ainda inconcluso, tende a tomar o caminho do riso escrachado.

A sequência que mostra o principal assessor presidencial defendendo a anulação das eleições pela troca dos votos computados, já é um clássico, mesmo antes do lançamento.

O suor brotando na fronte e escorrendo pela face, na cor asa de graúna das tinturas de cabelos, deverá ser reconhecido pela Academia de Hollywood como desempenho digno do prêmio máximo.

Dá até pra imaginar o discurso do agraciado quando receber a honraria.

Esta estatueta é fake.                                                     É uma fraude.                                                                Foi só banhada a ouro.

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