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Os cruéis números das perdas não estarrecem mais.

Em um único dia, a mesma conta de todos somados desde o primeiro, no país mais populoso do mundo.

A morte só comove quando próxima, acompanhada de desastre natural, provocada ou  produto da perversidade humana.

Quatro pessoas que perdem a vida por minuto passam a dados estatísticos, sob um único e repetido diagnóstico, sem registro das verdadeiras causas.

Falta de governo, hospitais, leitos, medicamentos e pessoal capacitado para cuidar

Quando a alma interior, refletida no Espelho de Machado de Assis, manda avisar, chegou o tempo de se procurar explicações.

Estaríamos conformados diante da impotência em alterar curvas, baixar picos e achatar platôs,  aceitando por  inexoráveis, os gráficos do comportamento de doença ainda pouco conhecida?

O que atinge todos os povos e chega perto,  pode seguir, que o pranto é de cada um, individual, reservado para os bem-amados?

Estaria escrito que no altar dos sacrifícios, os velhos, frágeis, pobres e desassistidos seriam imolados antes?

Nossas consciências encontrarão paz no regaço da vacina e protegidos, seremos os últimos a deixar o vale de lágrimas e os primeiros a encontrar o divino?

Os desígnios do vírus sobrenatural preservam os pequenos.

Como uma última chance de mais à frente,  o mundo mudar.

A  maldade não entende lição tão clara e insiste em mostrar suas garras tiranas.

Numa bala perdida.

Na falta de comida.

Na educação precária.

No absolutamente inexplicável é inaceitável.

Além dos socos e pontapés, que força ainda mais contundente atingiu o indefeso menino do Rio?

Uma vida fútil. De aparências.

Que não verteu uma única lágrima.

Que só quer mesmo, virar páginas.

Que não deixa mostrar nas lisas madeixas, os  resquícios da raça ancestral. Nem no primeiro dia do luto maior.

Que faz de selfie na delegacia, avatar  de ficha criminal.

Que mora em cópia mal imitada do Jardim do Éden, paraíso de compras e ostentação.

Que adora deuses de marcas famosas e dos templos de consumo, faz consultório de análise psíquica.

Que participa da farsa de transformar  nobre profissão, enfeite em nome carinhoso, armadilha para arrebanhar votos comprados.

Que jura inocência, vestida de branco mas espera o camburão com o preto fechado que condena sem enlutar.

Que diz ao marido e cúmplice para ir  para a prisão,  de bermudas, sinal de curta temporada, férias e  impunidade.

Que nega o mais terrível ato, em aparente tranquilidade, sem emoção nem compaixão.

Que merece, além de todos os rigores da lei, a máxima pena de nunca mais ser chamada de Mãe.

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