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Certas estórias ficam adormecidas à espera de uma oportunidade de serem lembradas.

Despertam saudades e trazem junto, personagens e comportamentos que não teriam vez nem espaço nos tempos de hoje.

Algumas expressões passam a patrimônio familiar,  como linguagem que só poucos entendem.

Mas vale o aviso:

Nem tudo é Chevrolet.


(Publicação original em 26/07/2019)


É  FORD

Irmão obediente e agradecido. Confesso ser.

As incorreções em Sinuca de Bico já foram devidamente corrigidas e publicadas.

Enriquecidas com detalhes de quem presenciou outros fatos no salão de bilhar.

Tudo graças à desobediência dos irmãos mais velhos que apesar da proibição materna,  tiveram a ventura de ver os grandes astros do taco & giz em ação. Ao vivo. No pano verde.

Hoje podem contar aos filhos e netos (e lembrar ao mano metido a memorialista), que estavam lá,  nos grandes, emocionantes e inesquecíveis embates.

De Mandinho Rosendo, ainda lembro uma ou outra performance, sempre na condição de expectador clandestino.

Juarez das Bicicletas e Valdomiro do Caminhão, somente de ouvir falar, pela lenda que resistiu ao tempo.

Agradecido, reparto mais uma do Seu Zizi, o dono do snooker bar mais rememorado de Nova Cruz.                             

Leonardo conta outra estória inafiançável mas muito ao estilo do pai de Seu Helano (por favor, esqueça o H aspirado):

“Coronel Lula Moreira, saído da barbearia de Zé Passos, inadvertidamente,  entrou no carro de Flávio Ramalho, uma fubica Ford 29.

Ordenou que fossem para sua fazenda, a icônica Lapa, a poucos quilômetros da cidade. E só veio notar que havia entrado em carro errado, quando chegou ao destino.

O Coronel Lula, como seu primo Totô Jacintho, todos os anos comprava um carro novo.                                      

Maneira de  ostentar e manter a disputa pela pole position do maior patrimônio da cidade.

O possante trocado pelo calhambeque, era  de último modelo, recém chegado e tinindo de novo.

Seu Zizi justificou o equívoco :

-Tudo né Ford ?”

 

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