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Desde os primeiros decretos de restrições às atividades, pela pandemia, não se tem ouvido falar  delas.

As notícias de fechamento das rinhas e apreensão dos galos de briga deixaram de circular nos noticiários policialescos.

Sinal que os aficcionados acreditam no distanciamento como arma eficaz na prevenção da infecção.

Ou que as brigas já estejam sendo transmitidas em algum canal  de compartilhamento de vídeos.

E as apostas, rolando online.


(Publicação original em 21/08/2019)


DOS GALOS

A megaestrutura, orgulho da pequena cidade no coração do semiárido, é um exemplo da capacidade empreendedora dos seus empresários.

Funcionando há vários anos, proporcionava  trabalho, renda e lazer a muita gente.

Ginásio coberto, três arenas, octógonos e vários apartamentos climatizados, cada um com capacidades para acomodar oito atletas.

Tudo isso não funciona mais desde que  há um mes a polícia ambiental fechou a maior rinha de galos da região do Trairi.

A Arena de Tangará sediava o maior campeonato do estado, com programação até o final do ano e prometendo premiar os campeões com  duas motocicletas zero km e muito dinheiro vivo.

Os superatletas  contavam com assistência médico-veterinária, nutricional e fisioterapia. Todo conforto que pudesse ser oferecido a um penoso.

Agora estão acomodados precariamente sob uma lona de plástico, em gaiolas exíguas de um presídio improvisado na região de dunas.

Não se tem ouvido falar em associações de proteção aos animais  em defesa  de melhor tratamento e ambiência para os galináceos aprisionados.

Nem mesmo o representante dos animais na Assembleia,  se manifestou.

O deputado tem se dedicado a preservar o seu mandato (tem amigo onça  de olho gordo) e ao projeto de lei que visa incluir no calendário de eventos, o Outubro Rosa Pet, que entre outros objetivos, visa orientar os bichinhos da madame a fazer o auto-exame das mamas.

A única associação voltada aos gallus gallus domesticus, encerrou sua atividades  há mais de seis anos

A ASCUGAL (Associação dos Assopradores de Cu de Galo), sob a regência do saudoso João Maria Monte já estaria convocando um carnaval fora de época, exigindo das autoridades tratamento mais animalesco.

Há quem advogue o abate dos prisioneiros  e doação para consumo nos abrigos geriátricos. Deve-se levar em conta o custo-benefício com o consumo do gás de cozinha e serviços odontológicos. E não venham insinuar o uso da panela de pressão. Tortura, nunca mais!

As informações sobre os apenados não são confiáveis.

Alguns teriam conseguido progressão de regime e cumpririam prisões domiciliares, sob custódia dos treinadores e proprietários-investidores.

O total dos aprisionados  é estimado em 29.

Há denúncias (não comprovadas) que este número tem diminuído.

Um grupo de caminhantes madrugadores no entorno do cárcere já contratou os serviços de engenheiro sanitarista, professor-doutor, versado em acústica, para calcular  a exata quantidade  pelo espectro sonoro do canto que se ouve de cada pássaro.

Não restarão dúvidas se o plantel galado está sendo progressivamente dizimado.

A solução precisa ser justa  e isonômica com outras aves. Araras, papagaios, curiós, galos de campina  e outras canoras ou não que quando apreendidas, são tratadas e readaptadas aos seus habitats naturais.

Quem escravizou a espécie deve pagar agora os danos e indenizar os que sofreram tantos anos de opressão e maus-tratos.

O  envio dos sobreviventes às florestas de Java e Sumatra é imperativo.

Que os  bravos guerreiros  voltem e sejam livres no lugar onde tudo começou.

Comentários do Site

  1. Magno camara
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    Muito bem colocadas são as suas palavras ao se tratar do galismo a especie mura brasileira em especial!!! Esse tipo que ave não convive em bando como galináceos comuns e existe hoje os preservadores aonde eles são muito bem condicionado e recebe cuidados adequados a espécie.

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