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Na tarde do último dia 6, um início de tumulto quebrou o silêncio no 6º andar do Fórum Professor Júlio Mirabete, onde funciona o Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

Numa pequena sala, detentos da penitenciária da Papuda aguardavam para depor. De repente, um deles se queixa de que teve o braço torcido por um dos guardas.

O advogado do criminoso se aproxima e, aos gritos, exige providências.

Começa um bate-boca. De bermuda, camiseta e chinelos brancos, o pivô da confusão era Walter Delgatti Neto, o chefe da quadrilha de hackers que invadiu telefones celulares, copiou e divulgou mensagens do então juiz Sergio Moro e de procuradores da República, desencadeando uma crise que pôs em xeque uma das mais importantes operações de combate à corrupção já realizadas no Brasil.

O hacker havia sido intimado para prestar depoimento num processo que apura o envolvimento dele num caso de estelionato. A troca de insultos durou cerca de quinze minutos.

Apesar dos protestos, ele permaneceu algemado com as mãos para trás, observado de perto por três agentes fortemente armados.

Foi nessa condição que ele concedeu uma entrevista exclusiva a VEJA, a primeira cara a cara desde que foi preso, há 136 dias.

Depois disso, fiz outra invasão, outra e mais outra, até que cheguei na Lava-Jato.

O meu azar foi o quê? Foi o Deltan (Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba) não apagar mensagens dele”, diz, com uma pitada de ironia.

Sorrindo, emenda outra acusação, dessa vez contra o procurador Januário Paludo (foto), outro membro da força-tarefa:

“Tem um áudio em que o procurador está aceitando dinheiro do Renato Duque. A Procuradoria iniciou inquérito contra ele, né?”, pergunta, mostrando que está acompanhando da prisão o noticiário.

No dia anterior, Paludo havia se tornado alvo de uma investigação após ser mencionado em mensagens de um doleiro como suposto beneficiário de propinas.

Ex-diretor da Petrobras, Duque tentou fazer um acordo de delação. Em negociações assim, é comum que as partes combinem um valor que o criminoso deve ressarcir aos cofres públicos.

Era sobre isso que o procurador falava? Delgatti, de novo, garante que não.

“Naquela época, eu estava tratando da repatriação de valores que o Duque mantinha no exterior”, explica Paludo. O Ministério Público Federal do Paraná divulgou uma nota em que reitera a “plena confiança no trabalho do procurador”.

DO TL: É mais um episódio em que delator envolve procurador da Lava-Jato como beneficiário de propina. Evidente que o Dr. Paludo merece todo benefício da dúvida e respeito ao princípio da inocência. Mas não deixa de ser curioso o MP se ver vítima de acusações de delatores. Aqueles que ontem “só “falavam a verdade. É no mínimo, um bom recado que na palavra deles cabe tudo, ate a verdade. Até mentiras.. 

Procurador Paludo; dos "Filhos de Januário da Lava-Jato"

Procurador Paludo; dos “Filhos de Januário da Lava-Jato”

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Comentários do Site

  1. observanatal
    Responder

    Em nome da sociedade, vamos receber um extra, vamos ficar na frente dos holofotes, vamos ganhar eleições, fazer carreira política, destruir reputações, acusar sem provas cabais, jogar aos leões (mídia e sociedade).
    Tudo errado. Desonesto. Egoísmo e vaidade em alto e bom som.
    Alguém diria, quando não quer conceber a ideia de uma acusação ou fazer julgamento: são humanos. Demasiadamente humanos.
    Ser demasiadamente humano é justificativa cabível para o perdão e a compreensão para todos os casos?

    • Laurita Arruda
      Responder

      Sem falar nos inúmeros casos de narrativa baseada em achismo e má-fé.
      O tempo dirá e provará que, pensando como heróis da pátria, atropelaram a verdade e a lei.
      Aliás, já está ficando muito claro.

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