ELEIÇÃO BASEADA EM DOENÇA

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Não tem como fugir do tema.

Estão tudo e todos dominados.

Incluídos os políticos, estes seres que sempre dão jeito.

E nós em pingos d’água.

A periodicidade das  eleições a cada dois anos, não reserva tempo para descanso nas intermináveis campanhas em busca do voto.

Os eleitos nunca desmontam os palanques, só pensam nas próximas, mesmo que jurem dizer que são os próximos, suas preocupações.

As consequências da pandemia podem finalmente fazer as mudanças que eles próprios, nunca conseguiram nas reformas prometidas, e quando feitas, tão mudadas,  ficam iguais ao que eram antes.

Não foram precisos horários eleitorais nem comícios para  as verdadeiras prioridades  apareceram. Mesmo sem promessas, das nunca cumpridas.

Desta vez não se sustentaram as desculpas das amarras dos orçamentos apertados .

Sem restrições burocráticas, faltaram insumos,  equipamentos e gente pra trabalhar mas não se ouviram  reclamações de falta de dinheiro para a Saúde.

Sobrou até  para investimentos em soluções mágicas de pouca eficácia e muita oportunidades para os aproveitadores  de sempre e os trambiqueiros de ocasião.

Está pra começar agora um novo capítulo desta história escrita em folhetim, sob o crivo do tempo escasso.

Faltando menos de quatro meses, os  preparativos para as eleições municipais, anunciam  poucas certezas.

O tema central e quem será o grande eleitor, estão bem definidos.

O fato que dominou o ano e ainda vai seguir por mais tempo sob holofotes, no centro das atenções,  não dará lugar a discussões de picadeiros.

Esqueçam as praças com bancos de alfenim e ruas ladrilhadas com pedrinhas de brilhantes.

O povo vai querer saber como vai retomar e ganhar a vida. E como o eleito pensa,  poder ajudá-lo.

A conversa fiada permanecerá em coma induzido, respirando por aparelhos.

Na maior economia do mundo, o complicado processo eleitoral segue sem adaptações aos novos hábitos de distanciamento  incorporados ao dia-a-dia.

Lá não houve adiamentos, não se pensou em prorrogações de mandatos.

Eles sabem que o julgamento virá desta vez,  mais real, impossível.

Quando se achava que as mais baixas taxas de desemprego e a pujança dos negócios pudessem garantir reeleição tranquila, a pandemia entrou no jogo.

Que tomou rumo inimaginável.

A crise sanitária mostrou, sem efeitos especiais nem maquiagem que as desigualdades sociais eram mais profundas e o que estava escondido debaixo dos tapetes e nos sótãos, esquecido, tinha força para ganhar as ruas e se impor como tema central, ser discutido e resolvido de uma vez.

A dura peleja contra a maior ameaça que a humanidade jamais enfrentou,  mostra que eleição é coisa simples.

E só tem um sentido.

Óbvio

Serve apenas  para escolher líderes.

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Domicio Arruda

Aprendiz de Cronista

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