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Do artigo de Adriana Mello –  Juíza de Direito do Rio, professora da Emerj 

O sentimento de posse, dominação, perda do controle e soberania sobre as mulheres são alguns dos motivos pelos quais os homens as matam no Brasil.

O fato de ser juíza de Direito com três filhas pequenas demonstra que a violência atinge todas as mulheres, independentemente da escolaridade ou classe social. Mas, de acordo com pesquisas recentes, mulheres com maior escolaridade tendem a procurar menos ajuda e apoio dos órgãos oficiais de proteção (FBSP, 2019).

O feminicídio é um crime de poder, de decisão sobre vida e morte que muitos homens julgam ter sobre os corpos femininos. Nem mesmo a presença dos filhos na cena do crime intimida o agressor, afinal ele já anulou a vontade da vítima.

Grande parte das mulheres que se tornam vítimas de feminicidio possuía filhos, e os crimes ocorreram na presença deles; é como se o agressor não tivesse nenhum pudor em cometer o crime, por não ter mais nada a perder, já que não possui mais o controle daquele “corpo território”. Como diz antropóloga Rita Segato, na linguagem do feminicídio, corpo feminino também significa território.

Temos que agir e reagir à tanta violência contra as mulheres, não silenciar e apoiar as mulheres que estejam sofrendo violência, promover campanhas de conscientização, criação de órgãos e comissões de apoio às mulheres e vítimas de crimes dentro das instituições públicas e privadas, criação de políticas públicas de prevenção e combate à violência de gênero.

Vivemos em uma sociedade extremamente patriarcal, conservadora, que ainda acha que a família, mesmo com base na violência, deve ser mantida a todo custo e sofrimento.

Mas até quando vamos precisar perder nossas amigas, colegas, irmãs, mães e filhas para reagirmos? Toda vez que uma mulher morre vítima do patriarcado e do machismo a sociedade brasileira toda perde. Até quando?

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